Disputa por ilha de Richarlison ganha espaço em debate
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 24/10/2026 11:27:40
O caso da ilha atribuída ao atacante Richarlison Andrade, em Angra dos Reis (RJ), foi um dos temas do último debate entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, na noite de sexta-feira (23), segundo o g1. O petista cobrou explicações sobre a disputa pelo imóvel; o bolsonarista rejeitou irregularidades e disse que o assunto já passou pelo Judiciário.
Richarlison divulgou vídeo na quarta-feira (21) em que afirmou ter investido cerca de R$ 10 milhões na compra de direitos sobre uma mansão na Ilha Comprida desde 2020, usando uma companhia da qual é sócio. Ele acusa Flávio de se juntar a Willer Tomaz, seu amigo advogado, para tirar dele a área depois que recusou vender. Em 3 de outubro, o jogador já havia cobrado publicamente posicionamento do senador e escrito “devolve minha ilha”.
No debate, Lula afirmou que Tomaz, amigo do senador, liquidou o problema em sete dias, enquanto o atleta seguia à espera. Flávio respondeu que não há ilegalidade, que a Justiça já decidiu o caso e que Tomaz é amigo, não sócio. Ele também afirmou que o jogador foi ludibriado no acordo.
Versões em confronto
O advogado sustenta que uma empresa dele comprou de forma legal os direitos de ocupação da área e de uma casa no local. Em nota, Tomaz afirmou que o jogador tratou com pessoas que não detinham a propriedade legítima e que a empresa do atacante perdeu ações na Justiça, entre elas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Como o terreno pertence à União, a briga nos tribunais envolve o direito de uso e permanência, não a titularidade da ilha. Richarlison exibiu contratos de transferência de direitos e recibos de pagamentos a antigos moradores. Segundo ele, de aproximadamente R$ 10 milhões gastos, R$ 4,66 milhões foram destinados a esses ocupantes; o restante cobriu obras e segurança.
O jogador também comparou pedidos à Secretaria do Patrimônio da União (SPU): um pedido feito em setembro de 2021 esperou quase dez meses, enquanto o pedido do grupo de Tomaz teve desfecho em 24 horas, em julho de 2022, segundo o g1.
Passagem pela Justiça
A disputa chegou ao Judiciário em 2022, quando a M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. acionou a Sport 70, empresa do jogador, e outros dois réus para retomar a área. A locadora dizia ter título sobre o terreno; o grupo do jogador sustentava que o acordo com antigos moradores era válido. Em maio de 2023, Ivan Pereira Mirancos Junior, então juiz do caso, extinguiu o processo principal sem avaliar o mérito, após sócios da M Locadora darem versões divergentes sobre a ocupação do imóvel. A sentença não definiu quem tem direito à área nem identificou fraude processual.
Segundo o jornal O Globo, o STJ confirmou em junho de 2025 posição que beneficiava a empresa de Tomaz. Em outubro de 2025, o autor do processo apresentou renúncia, homologada, e o arquivamento definitivo ocorreu em 23 de janeiro de 2026. Em paralelo, o coletivo Derrubando Muros pediu ao Ministério Público Federal, conforme a Folha de S.Paulo, que seja verificada eventual irregularidade na forma como o terreno foi regularizado.
O senador e o advogado são amigos. Os dois respondem a investigação no STF sobre possível lavagem de dinheiro. A PF apontou que o senador tinha cadastro de usuário master em uma conta de empresa ligada ao advogado. Também fizeram uma viagem no mesmo avião, operado por uma companhia de Daniel Vorcaro. Ambos rejeitam as acusações e dizem não manter negócios comuns.
Richarlison pretende seguir na Justiça para reaver a área ou o dinheiro aplicado e disse que, se receber alguma indenização, repassará uma fatia ao hospital de sua cidade natal, Nova Venécia (ES). O senador não comentou o vídeo, de acordo com o g1.