O senador Camilo Santana (PT), que coordena a campanha de Lula, declarou neste domingo (25) que o transporte público sofreu boicote em capitais comandadas por opositores do PT, segundo o g1. Ele mencionou Salvador e São Luís e afirmou que o episódio prejudicou o direito de voto no segundo turno. Para o senador, o prejuízo se concentrou sobretudo no Nordeste, e a situação não é compatível com uma democracia.

Na avaliação de Camilo, a ordem do STF para ampliar o horário de votação chegou tarde, quando muitas seções já haviam fechado. O ministro Cristiano Zanin determinou que o recebimento de votos em todo o país seguisse até as 19h de Brasília, após relatos de frota reduzida. A decisão atendeu a pedido da coligação de Lula ao TSE, que citou pelo menos nove estados, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro. Camilo disse que ainda avaliaria os efeitos com a coordenação da campanha e que a medida não corrigiu o caos enfrentado durante o dia. O pedido da coligação foi apresentado em caráter de urgência.

Ele também apontou os prefeitos de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), como responsáveis. Para o senador, a conduta compromete a lisura do pleito e a imagem da democracia brasileira no exterior. À TV Globo, Nunes respondeu que a oferta de ônibus na capital paulista supera a procura, sem apresentar números, e sustentou que nenhum eleitor ficou desassistido. As declarações de Camilo foram feitas na chegada ao Intercontinental, na capital paulista, onde a campanha aguardava a apuração.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, considerou séria a ação de prefeitos que, segundo ele, atrapalhou a votação ao não ofertar ônibus em quantidade suficiente. Segundo ele, as situações em São Paulo e na Bahia descumpriram a legislação, e os prefeitos Ricardo Nunes e Bruno Reis cometeram crimes. Edinho defendeu punição com base na legislação eleitoral e afirmou que o problema reforçava a manipulação que o PT diz ter enfrentado desde o início da disputa, citando também as big techs. Ele afirmou ainda que pesquisas mostram que quem depende de ônibus compõe o eleitorado petista, o que, na sua leitura, interfere diretamente na disputa. Ele evitou comentar a atuação de ministros do TSE, pediu que a corte faça valer a norma e declarou esperar que as instituições e a democracia saiam fortalecidas.

O comitê de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez pedido equivalente para cidades mineiras e gaúchas castigadas por chuvas, incluindo a capital Belo Horizonte e municípios afetados pela cheia do rio Uruguai. Em São Paulo, a Justiça Eleitoral já tinha mandado a prefeitura paulistana e a SPTrans operar com frota integral, como em dia útil. Ainda assim, segundo o g1, houve ônibus parados, garagens cheias e passageiros à espera de transporte por longos períodos. No Terminal Varginha, na zona sul, moradores relataram espera de até três horas; em Santana e no Jardim Ângela, também houve filas sob chuva. Na Vila Zilda, motoristas teriam se recusado a levar eleitores aos locais de votação.