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Definição da equipe econômica de Lula será decisiva para o mercado, dizem economistas

Fonte: tmc.com.br | Data: 26/10/2026 15:06:53

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O mercado reagiu rapidamente à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 disputado neste domingo (25/10). A Bolsa brasileira abriu em forte queda no pregão desta segunda-feira (26/10). Às 10h46 (horário de Brasília), o Ibovespa desabava 16,88%, a 170.431 pontos.

A B3 suspendeu o pregão, acionando o chamado “circuit breaker” para evitar volatilidade acentuada. A última vez que a intervenção foi feita foi em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

O dólar à vista também operava em alta nesta manhã e registrou uma arrancada expressiva de 12,25% logo na abertura do mercado, cotado a R$ 5,60. 

O boletim Focus desta segunda-feira apontou uma revisão para baixo na taxa básica de juros ao final do ano que vem. Economistas consultados pelo Banco Central veem agora uma inflação medida pelo IPCA de 5,19% ao fim de 2026, ante estimativa de 5,22% uma semana atrás. Para 2027, a inflação é estimada agora em 4,34%, ante 4,32%. Para 2028 a conta se manteve em 3,75%.

O que dizem os economistas e o que esperar para os próximos meses?

A TMC ouviu economistas, analistas políticos e investidores para entender a reação do mercado. O economista Marco Fuoco Jr., sócio-fundador da GMark Investimentos, avaliou que o mercado já havia se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição, principalmente após o resultado do primeiro turno. 

“O mercado estava precificando a vitória do Flávio Bolsonaro. Então a vitória do Lula encontra um mercado que já estava posicionado para uma vitória do adversário, parte dessa expectativa a gente já estava incorporado inclusive nos preços. Por isso, a queda da bolsa e a alta do dólar”. 

A economista-chefe da Lifetime Investimentos, Marcela Kuwait, explicou que a reação forte do mercado é comum e que uma possível acomodação vai depender dos próximos anúncios do mercado: “Geralmente no primeiro dia existe uma reação um pouco mais forte  do mercado. A acomodação [do mercado] nos próximos dias, se acontecer, vai depender muito dos próximos anúncios do governo. Uma coisa que seria muito importante é alguma indicação de cumprimento da meta fiscal com implicações práticas, como algum cronograma de corte de gastos”.

Segundo ela, a nomeação da equipe econômica também pode definir o rumo dos próximos meses: “Tem um marco importante no pós-eleição que é a definição do Ministro da Fazenda, do Ministro do Planejamento, além dos secretários ligados a esses cargos. Bem importante ver nomes com uma bagagem mais técnica do que política”. 

A expectativa, depois do anúncio da equipe econômica, é de estabilização, segundo Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos: “Conforme o governo comunicar a equipe econômica, o mercado vai conseguir precificar melhor os ativos com mais informações e a volatilidade tende a diminuir”. 

Além da definição de uma equipe econômica, garantir a independência do Banco Central é essencial para tranquilizar o mercado financeiro: “O que acalmaria o mercado é trazer nomes confiáveis, mas além disso, uma sinalização do presidente que ele vai deixar essa equipe trabalhar e tentar interferir o mínimo possível no que os técnicos estão dizendo”, afirmou Marcel.

O que esperar para os próximos meses?

Os juros futuros, indicador que expressa a expectativa do mercado para o comportamento dos juros ao longo dos próximos meses, também abriram a segunda-feira (26/10) sob forte pressão. 

O colunista da TMC Guilherme Ravache afirmou que os próximos meses devem ser duros para o empresariado: “O Brasil já tem uma taxa de juros muito alta que estrangula o empresariado. A leitura do mercado é que o aumento da taxa de juros somado à mudança na escala 6×1 vai ter um efeito muito duro no empresariado. Ninguém está imaginando que vão ser próximos meses fáceis, a expectativa é para que o Lula faça uma sinalização de endereçar a dívida pública”.