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MP denuncia piloto de balão que pegou fogo e matou oito pessoas em SC por homicídio culposo

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 26/10/2026 16:41:06

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Duda Fortes / Agencia RBS
Balão caiu sobre a área rural de Praia Grande (SC).

O Ministério Público de Santa Catarina denunciou por homicídio culposo e lesão corporal culposa o piloto do balão de ar quente que caiu em Praia Grande, no sul de Santa Catarina, em junho do ano passado. O acidente provocou oito mortes. 

A decisão, expedida nesta segunda-feira (26), ocorre após a investigação apontar que o acidente foi provocado por uma sequência de condutas consideradas negligentes e imprudentes durante a preparação e a condução do voo por parte de Elvis Crescêncio, que também era o sócio administrador da empresa contratada pelas vítimas. Na denúncia, o promotor Ricardo Figueiredo Coelho Leal pediu ainda a condenação de Crescêncio por danos morais às vítimas sobreviventes e familiares dos mortos. 

Segundo a apuração, o piloto manteve no cesto um maçarico diferente do equipamento auxiliar fornecido pelo fabricante do balão. O dispositivo, acoplado a um frasco de gás MAPP, não possuía trava de segurança e dependia do fechamento manual da válvula para interromper o fluxo de gás. Antes da decolagem, o piloto não teria verificado adequadamente o equipamento e deixado de constatar que a válvula estava aberta.

Conforme a denúncia, durante o voo, uma mala caiu e acionou o botão de centelha do maçarico. A chama atingiu a capa de revestimento de um dos cilindros de gás propano, dando início ao incêndio no cesto. A continuidade do fornecimento de gás contribuiu para a propagação das chamas. O Ministério Público também apontou que o piloto demorou a iniciar o pouso de emergência e não fechou todas as válvulas e linhas dos cilindros de propano após o início do fogo.

Também foram identificadas falhas nas informações fornecidas aos passageiros antes do voo. Segundo o MP, o piloto não teria esclarecido adequadamente os riscos da atividade, classificada como aerodesportiva de alto risco, nem informado que a operação e a aeronave não possuíam qualificação técnica emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Outro ponto levantado é que os voos eram comercializados como atividades de instrução, embora, segundo Leal, funcionassem como passeios turísticos, sem efetivo ensino aos passageiros.

Agora, a denúncia será analisada pela Justiça, que decidirá se a recebe. Caso isso ocorra, o piloto passará à condição de réu e poderá apresentar sua defesa. Se o processo prosseguir, serão ouvidas testemunhas, o acusado será interrogado e o caso seguirá para julgamento.

A reportagem busca contato com a defesa de Crescêncio. Até a publicação desta matéria, ainda não havia sido localizada.

Relembre o caso

O acidente com um balão de ar quente ocorreu no dia 21 de junho de 2025, em Praia Grande, e deixou oito pessoas mortas e outras três feridas. Durante o voo, um incêndio começou no cesto da aeronave, obrigando os ocupantes a tentar escapar.

Ao todo, 21 pessoas estavam a bordo do balão. Alguns sobreviventes conseguiram deixar o cesto no momento em que o balão desceu e tocou o solo. No entanto, o balão voltou a subir na sequência e foi tomado pelas chamas até cair em uma área rural da cidade.