Aliados defendem autonomia de Douglas Ruas no governo do Rio após derrota de Flávio Bolsonaro
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 27/10/2026 04:17:19
Fontes ouvidas pelo GLOBO afirmam que prioridade deve ser diálogo com o Planalto para garantir investimentos federais
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A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República redesenha o cenário do próximo governo do Estado do Rio. Antes do primeiro turno, o partido esperava uma forte interferência do político na formação e na condução da gestão de Douglas Ruas (PL), que venceu a sua segunda eleição, a primeira para o Executivo. Diante do resultado de domingo, no entanto, aliados já recomendam autonomia na escolha do primeiro escalão. Para a base de apoio, o governador eleito deve evitar conflitos com o Palácio do Planalto, que continuará com o PT, para garantir investimentos federais no estado.
— Eu me relaciono bem com todas as correntes políticas, nunca tive problema nenhum de diálogo. Certamente, vamos tratar de maneira institucional e, sempre que for necessário, estarei disposto a conversar — disse Ruas, sem citar projetos em parceria com a União que estejam no seu radar.
Metrô e hospital
Na área de transportes, por exemplo, ao longo da campanha, Ruas defendeu viabilizar o metrô entre Rio, Niterói e São Gonçalo, com recursos federais combinados com parcerias público-privadas (PPPs), além da cooperação da União para implantar corredores de transporte e melhorias na malha viária na Baixada Fluminense. Na saúde, o então candidato do PL propôs a criação de centros integrados em todas as regiões do estado e a conclusão de obras atrasadas, como a do Hospital do Câncer de Nova Friburgo. São projetos que dependem do repasse regular de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), geridas pelo governo federal, embora a execução seja estadual.
Fontes do PL ouvidas pelo GLOBO afirmam que o deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual da legenda, deverá atuar como uma espécie de conselheiro de Ruas na definição dos nomes para o primeiro escalão. Nos bastidores, Altineu, que já descartou a possibilidade de assumir uma vaga no Executivo do Rio, designou Bruno Bonetti, presidente do PL municipal e seu braço-direito, para a missão de articular a composição do novo secretariado junto ao governador eleito.
Em vídeo divulgado ontem em suas redes sociais, Ruas fez questão de destacar a participação que teve durante a campanha de Flávio Bolsonaro. Na publicação, com mais de 300 mil visualizações até as 20h, ele reconhece o resultado das urnas de domingo e afirma que o PL saiu “vitorioso” da campanha. Ele estava ao lado de Flávio quando o candidato derrotado anunciou que não aceitaria o resultado da eleição.
“Na política, a gente precisa ter lado e deixar isso bem claro. Na campanha presidencial, estive ao lado de Flávio Bolsonaro, a quem sempre serei leal e o parabenizo pela campanha limpa e propositiva. Infelizmente, não vencemos. Mas foi essa a vontade dos eleitores, e eu respeito. Foi também pela vontade dos eleitores que o PL saiu da eleição vitorioso. O partido saberá honrar tamanha confiança depositada por tantos brasileiros. Fui eleito governador do Rio em primeiro turno e vou governar para todos os fluminenses, para os que votaram e os que não votaram em mim”, disse Ruas no vídeo.
Embora a interferência de Flávio não esteja sendo mais esperada, há uma articulação na alta cúpula do partido para que o senador recomende o nome de seu ex-advogado Victor Gramado Alves para uma das três vagas no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), a serem indicadas pela Alerj. A cadeira do conselheiro Domingos Brazão já está aberta após a condenação dele pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Outras duas ainda dependem de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Durante a corrida eleitoral, Ruas chegou a afirmar que só trataria do secretariado de pastas importantes, como Segurança, Educação e Saúde, após o resultado das eleições presidenciais, que acabou não sendo o esperado. Por isso, o governador eleito precisará recalcular as indicações.
— Vou me reunir com o partido para tratar de governo e dos secretários. E ainda esta semana devo anunciar alguns nomes — anunciou Ruas.
Um dos nomes mais esperados, e mantido a sete chaves, é o do secretário de Segurança, pasta em que Flávio sempre teve muita influência. Uma importante mudança é o fim das secretarias de Polícia Civil e de Polícia Militar, que voltariam a ser subordinadas à pasta de Segurança, o que vem sendo discutido por Ruas.
Articulações à parte, alguns nomes do futuro secretariado já começaram a ser revelados, e muitos deles compõem a equipe de transição. É o caso de Gabriela Bessa, coordenadora da transição, cotada para assumir a Casa Civil, e Fernanda Louback, vice-governadora eleita, anunciada como secretária da pasta de Inclusão e Mulher. Outros dois nomes de mulheres serão apresentados por Ruas ainda esta semana. Já Bruno Bonetti deve assumir uma pasta que vai reunir Comunicação, Relações Institucionais e Governo (Segov). Fábio Araújo deve ficar como chefe de gabinete, e Anderson Monteze, como secretário de Planejamento.
De olho no clima
Ontem, a equipe de transição se reuniu com o atual secretário da Casa Civil, Flávio Willeman, no Palácio Guanabara. O grupo discutiu condições de governabilidade, equilíbrio das contas e segurança pública. No próximo encontro, eles vão elaborar um conjunto de medidas que deverão ser adotadas no estado em caso de situações climáticas extremas causadas pelo fenômeno El Niño. Integrantes do governo estão atualizando mapas de vulnerabilidade dos municípios, da situação dos rios e dos riscos de inundações, além do levantamento de investimentos realizados.
— Nosso objetivo é assegurar que o governador eleito tenha um diagnóstico consistente dos principais desafios do estado, especialmente nas áreas que exigem respostas imediatas — disse a futura secretária Gabriela Bessa.
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