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Armazenamento por baterias inaugura nova fase para a transmissão de energia no Brasil

Fonte: infraroi.com.br | Data: 28/10/2026 02:30:38

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Por Matheus Teixeira*

Durante muito tempo, os sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) foram associados principalmente à redução de custos com energia, à gestão da demanda e à integração de fontes renováveis. No entanto, uma importante mudança começa a ganhar força no planejamento do setor elétrico brasileiro: o armazenamento deixa de ser apenas uma ferramenta para consumidores e passa a desempenhar um papel estratégico na própria infraestrutura de transmissão de energia.

Essa transformação ficou evidente com a recente recomendação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para a implantação de um sistema de armazenamento de 100 MW / 200 MWh em Cruzeiro do Sul, no Acre. Previsto para ser contratado no Leilão de Transmissão nº 01/2027, o empreendimento será o primeiro sistema de armazenamento por baterias incorporado diretamente ao segmento de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Mais do que um projeto pioneiro, trata-se de uma mudança de paradigma.

Tradicionalmente, quando surgiam problemas relacionados à confiabilidade do fornecimento, a resposta era ampliar a infraestrutura física do sistema elétrico por meio da construção de novas linhas de transmissão e subestações. Essas obras continuam sendo fundamentais, mas nem sempre oferecem a velocidade necessária para responder às necessidades do sistema ou representam a solução mais eficiente para desafios específicos.

É justamente nesse contexto que o armazenamento por baterias ganha protagonismo.

No caso do Acre, a solução proposta utiliza tecnologia grid-forming, que permite ao sistema não apenas armazenar energia, mas também atuar ativamente na estabilidade elétrica da rede. Diferentemente dos inversores convencionais, que dependem da rede para operar, os conversores grid-forming conseguem estabelecer referências de tensão e frequência, oferecendo suporte imediato em situações de contingência.

Na prática, isso significa que o sistema poderá responder quase instantaneamente a falhas na transmissão, reduzindo riscos de interrupções no fornecimento e aumentando a confiabilidade da operação.

Essa capacidade torna-se especialmente importante em regiões como Cruzeiro do Sul e Feijó. Embora ambas já estejam conectadas ao Sistema Interligado Nacional, a infraestrutura ainda apresenta limitações de redundância. Em determinadas situações, a indisponibilidade de um componente da rede pode comprometer o abastecimento. O armazenamento, nesse cenário, funciona como uma camada adicional de segurança operacional enquanto os reforços estruturais da transmissão são implantados.

O aspecto mais interessante dessa estratégia é que ela demonstra que o armazenamento não substitui a expansão da rede, mas a complementa.

O planejamento elaborado pela EPE prevê, paralelamente ao BESS, a construção de novos circuitos em 230 kV para reforçar a conexão entre Rio Branco, Feijó e Cruzeiro do Sul. Ou seja, a transmissão continua evoluindo, enquanto o armazenamento oferece flexibilidade, rapidez de resposta e suporte operacional durante a transição.

Essa combinação representa uma tendência observada em diversos mercados internacionais. À medida que os sistemas elétricos se tornam mais complexos, com maior participação de fontes renováveis e crescente eletrificação da economia, soluções capazes de aumentar a estabilidade e a flexibilidade da rede passam a ser cada vez mais relevantes.

No Brasil, esse movimento também abre espaço para novas oportunidades de investimento e inovação.

O armazenamento por baterias já demonstra resultados importantes em aplicações industriais e comerciais, reduzindo custos com demanda contratada, aumentando a previsibilidade energética e proporcionando maior autonomia para empresas. Agora, sua incorporação ao planejamento da transmissão amplia significativamente o potencial de utilização da tecnologia.

Para o mercado, isso representa o amadurecimento de uma solução que tende a assumir funções cada vez mais diversas dentro do setor elétrico.

Na Voltxs Energia, acompanhamos essa evolução de perto. Desenvolvemos projetos de armazenamento por baterias em parceria com investidores, permitindo que empresas adotem a tecnologia por meio de modelos de locação, sem necessidade de elevados investimentos iniciais. A economia gerada pelo próprio sistema contribui para viabilizar financeiramente o projeto, preservando o fluxo de caixa do cliente.

Acreditamos que iniciativas como a prevista para o Acre demonstram que o armazenamento deixa de ocupar um papel complementar para tornar-se um elemento estratégico da modernização do sistema elétrico brasileiro.

Estamos diante de uma mudança importante. O BESS passa a ser reconhecido não apenas como uma solução de eficiência energética, mas também como uma ferramenta essencial para aumentar a confiabilidade da transmissão, ampliar a resiliência da rede e preparar o Brasil para os desafios da transição energética das próximas décadas.

*Matheus Teixeira é COO da Voltxs.