TST valida novo cálculo de horas extras: entenda se o seu salário muda
Fonte: mthoje.com.br | Data: 28/10/2026 14:08:38
O TST confirmou a validade de acordos coletivos que usam o divisor 220 para trabalhadores com jornada de 40 horas semanais. Isso pode alterar o valor pago por hora extra, mas s� se a categoria tiver esse benef�cio negociado. Veja um exemplo pr�tico e descubra quem � afetado.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu uma nova regra clara sobre como calcular as horas extras para trabalhadores que cumprem uma jornada de 40 horas por semana. A decis�o confirma que � v�lido usar o “divisor 220” para esse grupo, desde que exista um acordo entre os sindicatos.
Essa defini��o foi aprovada pelo plen�rio do tribunal e servir� como orienta��o para todos os futuros julgamentos na Justi�a do Trabalho. � importante destacar que essa mudan�a n�o afeta automaticamente todos os trabalhadores; ela s� se aplica onde houver negocia��o coletiva espec�fica.
- Regra Valida: Acordos coletivos podem usar o divisor 220 para quem trabalha 40h semanais.
- N�o � Autom�tico: Sem acordo de sindicato, o c�lculo padr�o continua sendo o divisor 200.
- Efeito no Bolso: Com o divisor 220, a hora extra pode sair mais barata para a empresa.
- Base Legal: A decis�o segue o entendimento do STF sobre acordos coletivos.
- Outros Temas: O TST tamb�m definiu regras sobre direito de defesa e benef�cios de bancos.
Entendendo a mudan�a no c�lculo das horas extras
No julgamento do chamado Tema 316, o TST deu respaldo legal para cl�usulas em acordos ou conven��es coletivas que utilizem o n�mero 220 como divisor para os empregados de 40 horas semanais.
Para entender a t�cnica, o divisor serve para transformar o sal�rio mensal no valor da sua hora normal de trabalho. Esse valor base � essencial para calcular quanto voc� deve receber pelas horas extras trabalhadas.
Tradicionalmente, quem trabalha 40 horas por semana usa o divisor 200. J� quem cumpre a jornada completa de 44 horas (regra antiga) divide o sal�rio por 220. A novidade � que o TST permitiu que o divisor 220 seja usado tamb�m para a jornada de 40 horas, mas apenas se isso for fruto de uma negocia��o sindical v�lida.
Quem vai receber menos A resposta curta �: depende
Muitas pessoas temem uma perda salarial imediata. Por�m, a decis�o n�o obriga nenhuma empresa a mudar o c�lculo sem que haja um acordo coletivo prevendo isso.
Se o seu sindicato n�o assinou um acordo usando o divisor 220 para a sua categoria, a sua regra de c�lculo continua sendo a antiga (divisor 200). Portanto, n�o h� uma substitui��o geral for�ada por lei.
Al�m disso, a decis�o n�o muda o n�mero de horas que voc� trabalha por dia nem elimina o seu direito de receber pelas horas extras. O impacto financeiro real depender� inteiramente do que est� escrito no contrato coletivo da sua �rea.
Exemplo pr�tico: quanto muda no sal�rio
A diferen�a matem�tica entre os divisores pode representar uma varia��o no valor pago por cada hora extra. Vamos a um exemplo simples para ilustrar.
Imagine um trabalhador com sal�rio de R$ 3.000 e jornada de 40 horas semanais. Se usarmos o divisor tradicional (200), a hora normal de trabalho custa R$ 15,00. Com o b�nus de 50% para horas extras, cada hora extra valeria R$ 22,50.
Agora, se usarmos o divisor permitido pelo TST (220), a hora normal cai para cerca de R$ 13,64. Com o acr�scimo de 50%, a hora extra passaria a valer aproximadamente R$ 20,45.
Neste caso, a diferen�a seria de aproximadamente R$ 2,05 por hora extra. Esses valores servem apenas para mostrar a mec�nica do c�lculo. N�o significa que a sua empresa est� obrigada a mudar seu pagamento, a menos que o acordo coletivo da sua categoria determine essa forma de c�lculo.
Defesa em processos e benef�cios banc�rios
O TST aproveitou a sess�o para definir mais duas quest�es importantes. No Tema 317, o tribunal simplificou o processo de defesa: se um juiz nega uma prova e o advogado protesta na audi�ncia, ele n�o precisa repetir esse protesto ao final do processo para continuar podendo questionar a decis�o em tribunais superiores.
Isso evita que a parte perca o direito de recurso por um mero detalhe burocr�tico, mas n�o anula automaticamente processos que tiveram provas negadas.
Por fim, o TST marcou para julgamento futuro (Tema 315) uma briga antiga sobre benef�cios internos de empresas, como � o caso de funcion�rios do Banco do Brasil. A quest�o central � se um acordo coletivo pode “zerar” definitivamente uma vantagem antiga, ou se esse direito renasce quando o acordo vence.