Os novos caminhos da Seguradora ALM
Fonte: revistacobertura.com.br | Data: 28/10/2026 15:13:06
Agora como multiproduto, seguradora se posiciona no mercado como uma provedora de soluções, de acordo com as necessidades dos corretores, assessorias e consumidores
Carol Rodrigues
Há pouco mais de um ano, a Seguradora ALM estava prestes a iniciar uma transformação que mudaria o seu posicionamento no mercado segurador brasileiro. Nos bastidores, o CEO Alexandre Dominguez planejava os próximos passos dessa mudança.
Hoje, a Seguradora ALM é multiproduto, possui presença nacional, amplia suas linhas de negócios e investe em tecnologia, parcerias com corretores de seguros e desenvolvimento de pessoas.
A visão estratégica de Dominguez é influenciada por sua experiência comercial e por sua leitura das oportunidades do mercado. Afinal, ele tem a convicção de que o mercado segurador brasileiro está entrando em um dos períodos mais interessantes de sua história.
“A combinação de transformação tecnológica, novos modelos de distribuição, maior disponibilidade de dados e evolução das necessidades de proteção cria oportunidades extraordinárias. Mas também exige uma mudança de postura das seguradoras”.
Além disso, ele acredita que é necessário deixar de enxergar a inovação apenas como a digitalização dos processos existentes. “Inovar significa repensar produtos, distribuição, relacionamento e a própria maneira como entregamos valor à sociedade. O Brasil ainda possui um enorme potencial de expansão da proteção securitária. Para aproveitar essa oportunidade, precisamos tornar o seguro mais simples, acessível e conectado à realidade das pessoas e das empresas”.
Essa visão orienta a nova fase da ALM. “Não queremos apenas acompanhar as transformações do mercado. Queremos participar ativamente delas, com responsabilidade, criatividade e disposição para desafiar modelos tradicionais”.
O reposicionamento
Em 2025, a companhia apresentou uma nova marca, que simboliza uma seguradora “renovada, sólida e preparada para crescer”. Segundo ele, a nova marca foi a expressão visual de uma transformação que precisava acontecer dentro da companhia.
“Trabalhamos no fortalecimento da governança, na estruturação de novas áreas de negócios, na ampliação da capacidade técnica e na modernização dos nossos processos operacionais e comerciais. Também avançamos na estrutura de capital e na construção de parcerias estratégicas, fundamentais para sustentar a expansão da companhia. Mas considero que a mudança mais importante foi de mentalidade”.
Com esse movimento, a ALM passou a ser vista não apenas como uma operação seguradora, mas como uma plataforma de negócios com capacidade de desenvolver produtos, integrar parceiros, utilizar tecnologia e acessar diferentes mercados.
A trajetória da ALM, que integra o Grupo Rio Pax ligado ao segmento de assistência funerária e planos de auxílio funeral com mais de 30 anos de experiência, é marcada por diferentes ciclos de evolução. Para Dominguez, três momentos foram determinantes para definir a construção da companhia.
O primeiro foi a consolidação da atuação no segmento de seguros de pessoas, que permitiu desenvolver conhecimento técnico, estrutura operacional e relacionamento com o mercado. O segundo foi a decisão de promover uma transformação mais profunda na companhia. Foi quando, segundo ele, a companhia percebeu que ampliar a oferta de produtos não seria suficiente, pois também precisaria repensar o posicionamento, fortalecer a estrutura, modernizar processos e construir uma organização preparada para competir em um mercado muito mais dinâmico.
“O terceiro momento é justamente o que estamos vivendo agora: a transição para uma seguradora multiproduto, com presença nacional, ampliação das linhas de negócios e investimentos em tecnologia, distribuição e capital humano. Costumo dizer que a ALM não está simplesmente crescendo. Estamos construindo uma nova empresa sobre a experiência e o conhecimento acumulados ao longo de nossa história”, enfatiza o CEO.
Do Rio de Janeiro para São Paulo
Na visão de Dominguez, o crescimento de uma seguradora exige muito mais do que aumentar o número de colaboradores, pois requer o desenvolvimento de novas competências, o fortalecimento das lideranças e uma estrutura capaz de operar com qualidade em escala.
“Na ALM, estamos construindo uma organização que combina profissionais experientes com talentos capazes de trazer novas perspectivas, especialmente nas áreas de tecnologia, dados, produtos e relacionamento comercial. Também considero fundamental que as pessoas compreendam a estratégia da companhia”.
O ciclo de expansão da ALM combina fortalecimento da estrutura de capital, diversificação de produtos, desenvolvimento de novos canais de distribuição e ampliação da nossa capacidade operacional. “Um marco importante desse processo foi o aporte de R$ 20 milhões realizado em 2025, que contribuiu para sustentar a transformação da companhia. No seguro garantia, por exemplo, trabalhamos com cenários de desenvolvimento da produção que podem alcançar R$ 40 milhões em prêmios, conforme a evolução comercial, a qualidade dos riscos e a capacidade disponível”, analisa.
Em sua visão, o crescimento precisa ser acompanhado por indicadores como rentabilidade técnica, diversificação da carteira, eficiência operacional, qualidade do atendimento e fortalecimento patrimonial.
“Nossa ambição é construir uma companhia com escala nacional e crescimento consistente, sem comprometer os fundamentos da atividade seguradora. Não estamos em uma corrida para crescer a qualquer preço. Estamos construindo uma seguradora capaz de crescer continuamente, com disciplina, rentabilidade e credibilidade”.
Nesse contexto, a chegada a São Paulo simboliza a nova expansão da seguradora. “São Paulo continua sendo uma região estratégica, tanto pela dimensão de seu mercado quanto pela concentração de empresas, corretores e oportunidades em diferentes segmentos”, destaca.
A expansão para o interior paulista faz parte dessa visão. “Campinas é um exemplo importante pela diversidade de sua atividade econômica, pela presença de empresas de diferentes portes e pela relevância dos corretores locais. A aproximação regional permite compreender melhor essas particularidades e desenvolver uma atuação comercial mais consistente”.
Com o processo de expansão territorial, a companhia aprendeu que presença regional não significa necessariamente reproduzir estruturas administrativas pesadas em cada localidade. “Podemos combinar equipes comerciais próximas dos corretores com uma operação centralizada, integrada e tecnologicamente eficiente. Queremos ter presença nacional sem perder a capacidade de compreender as particularidades de cada mercado local”.
Segundo ele, o Rio de Janeiro também permanece relevante para a companhia, assim como mercados empresariais importantes em Minas Gerais, Paraná e outras regiões com potencial de desenvolvimento.
“Nossa estratégia considera especialmente locais onde existe uma combinação favorável de atividade econômica, demanda por seguros e parceiros de distribuição. Não queremos expandir geograficamente apenas para aumentar nossa presença no mapa. Queremos construir operações comerciais que façam sentido, com capacidade de gerar negócios sustentáveis e oferecer atendimento consistente”.
Para Dominguez, a expansão depende da integração entre diferentes frentes de atuação. Novos produtos ampliam a capacidade de atender diferentes necessidades, enquanto a expansão geográfica permite acessar novos mercados. “A tecnologia oferece escala e eficiência. E a distribuição transforma essa capacidade em negócios. O desafio está em fazer com que essas iniciativas funcionem de maneira coordenada”.

Experiências simples e ágeis
A entrada no segmento de linhas financeiras foi um marco importante na trajetória da seguradora, marcada pela emissão da primeira apólice de garantia em 10 de abril deste ano.
“O seguro garantia representa uma oportunidade importante de crescimento para a ALM, mas exige disciplina técnica. Nossa estratégia é combinar uma experiência comercial simples e ágil com processos rigorosos de análise de risco. Queremos que o corretor tenha ferramentas para apresentar oportunidades, acompanhar operações e obter respostas com maior autonomia”.
Ao mesmo tempo, a companhia estrutura uma operação que considera a capacidade financeira dos tomadores, as características das obrigações garantidas, os limites de exposição e a qualidade dos contratos. “Também entendemos que as parcerias com resseguradores e especialistas são fundamentais para ampliar nossa capacidade de atuação de maneira responsável. Não pretendemos transformar o seguro garantia em uma operação baseada exclusivamente em volume. Queremos crescer, mas crescer bem. Em seguros, velocidade sem qualidade técnica não é inovação; é exposição desnecessária ao risco”.
Para conciliar agilidade e segurança, a ALM aposta na integração entre tecnologia e atendimento humano.
A companhia desenvolveu o portal do corretor para dar mais autonomia e agilidade. “No seguro garantia, por exemplo, plataformas especializadas permitem estruturar fluxos de cotação, acompanhar propostas e facilitar a interação entre corretores e subscritores”.
Na avaliação do executivo, a tecnologia e o atendimento humano devem simplificar processos sem eliminar a participação humana nas decisões que exigem análise e negociação. ”Existem situações que exigem interpretação, negociação, avaliação técnica e compreensão das particularidades de cada negócio. É nesse momento que o atendimento humano se torna ainda mais relevante. Minha visão é simples: tudo aquilo que puder ser automatizado com segurança deve ser automatizado. Tudo aquilo que exigir julgamento, confiança e sensibilidade deve continuar tendo pessoas no centro da decisão”.
Proximidade com corretores
A proximidade com os canais de distribuição é um dos pilares da estratégia da ALM, que agora trabalha com corretores e assessorias. “Proximidade precisa ser percebida pelo corretor na experiência diária com a seguradora. Ela aparece na velocidade de resposta, na facilidade de acesso às equipes, na clareza das informações e na capacidade de resolver problemas. O corretor precisa sentir que existe uma organização preparada para apoiá-lo, independentemente do tamanho da sua operação ou da localização geográfica”, explica o CEO.
Para isso, a companhia busca integrar as áreas comercial, operacional, de subscrição e tecnologia, com o objetivo de reduzir barreiras e simplificar a jornada do corretor.
“O objetivo é que o corretor tenha autonomia quando precisar de velocidade e acesso humano quando precisar de orientação”, completa.
A ALM pretende trabalhar prioritariamente com grandes brokers e uma base ampla de corretores regionais, por considerar que esses públicos oferecem oportunidades complementares de negócios.
“Os grandes brokers possuem estruturas especializadas, operações complexas e capacidade de originar negócios relevantes em diferentes segmentos. Já os corretores regionais têm um conhecimento profundo de seus mercados, relacionamentos consolidados e grande potencial de desenvolvimento. Queremos construir uma rede de distribuição diversificada, capaz de atender diferentes perfis de clientes e necessidades”.
Na visão de Dominguez, as assessorias de seguros possuem um papel estratégico na ampliação da presença da ALM e no desenvolvimento de relacionamentos comerciais. “Elas representam uma ponte importante entre as seguradoras e uma base ampla de corretores, especialmente em mercados regionais. Mas acredito que esse papel está evoluindo. A assessoria moderna precisa ir além da intermediação operacional. Ela deve contribuir com capacitação, identificação de oportunidades, apoio técnico e desenvolvimento comercial”.
Para uma seguradora multiproduto, esse modelo pode ser especialmente relevante, porque permite apresentar novas soluções a corretores que tradicionalmente atuam em determinados segmentos.
“Queremos construir parcerias em que as assessorias participem efetivamente do crescimento dos negócios, com acesso à informação, ferramentas e suporte especializado. Não enxergamos as assessorias apenas como canais de distribuição, mas como parceiras na construção e no desenvolvimento do mercado”.
O futuro da seguradora multiproduto
Em 2026, a ALM iniciou o seu posicionamento como seguradora multiproduto. Para os próximos três anos, a projeção é ter uma seguradora nacional consolidada, reconhecida pela capacidade de combinar especialização técnica, agilidade operacional e inovação.
“Nossa ambição é desenvolver uma carteira diversificada, com participação relevante dos seguros de pessoas, garantia, fiança locatícia e linhas financeiras. Também queremos ampliar a distribuição por meio de corretores, assessorias, parceiros estratégicos e novos modelos de integração digital”.
No futuro próximo, o CEO também enxerga a companhia operando com processos cada vez mais inteligentes, utilizando dados e inteligência artificial para apoiar a subscrição, a gestão de riscos, o atendimento e o desenvolvimento comercial.
“Existe algo que considero ainda mais importante do que o crescimento da operação: construir uma organização com identidade própria e capacidade de continuar evoluindo. Não quero que a ALM seja apenas uma seguradora maior em 2029. Quero que seja uma seguradora melhor, mais relevante e mais preparada para o futuro”, projeta.
Alexandre Dominguez afirma que pretende construir relações de longo prazo, baseadas em confiança, reciprocidade e crescimento conjunto. “O corretor precisa enxergar a ALM como uma companhia que contribui efetivamente para o desenvolvimento de seus negócios. Isso significa oferecer produtos competitivos, suporte técnico, agilidade e oportunidades de atuação em novos segmentos. Mas também significa ouvir o corretor e compreender que ele é uma fonte valiosa de informação sobre as necessidades dos clientes e as mudanças do mercado”.
Nesse sentido, a companhia já prepara uma novidade, desenvolvida com a participação do corretor de seguros especialista em inovação, Samy Hazan, também professor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), que será apresentada em breve.
Conforme Dominguez, a principal transformação da ALM consiste em consolidar uma cultura organizacional capaz de sustentar o crescimento independentemente das pessoas que ocupam posições de liderança.
“Quero entregar uma ALM com governança sólida, lideranças preparadas, processos eficientes, cultura de resultados e capacidade permanente de adaptação. Uma companhia que não dependa de iniciativas individuais para inovar ou encontrar oportunidades. Também quero que a ALM seja reconhecida como uma empresa que contribuiu para ampliar o acesso ao seguro e modernizar a relação entre seguradoras, corretores e consumidores”, analisa.
Movimento disruptivo da ALM passa pela comunicação
Na visão de Dominguez, a comunicação deixou de ser uma atividade complementar e passou a ser um instrumento estratégico de gestão.
“O mercado segurador trabalha com um produto intangível. Vendemos proteção, previsibilidade e segurança. Portanto, confiança e reputação são ativos fundamentais. Uma companhia pode ter excelentes produtos, tecnologia e capacidade financeira, mas, se o mercado não compreende seu posicionamento e seus diferenciais, parte importante desse valor se perde”.
Por isso, a comunicação está presente no modelo de gestão e liderança de Dominguez. “O executivo precisa participar das discussões que influenciam o futuro do setor, compartilhar conhecimento e assumir publicamente a visão da organização que representa. Não acredito em uma liderança que se limita aos resultados financeiros ou às reuniões internas. O CEO precisa ser também um construtor de confiança, um comunicador da estratégia e um participante ativo da evolução do mercado”.
A atuação ALM na comunicação também se estende à educação securitária e à democratização do seguro, por meio da TV Planos Seguros (TVPS). “A TVPS nasceu da percepção de que precisávamos conversar com o público de uma maneira diferente: mais acessível, mais próxima e conectada aos hábitos contemporâneos de consumo de conteúdo”.
De acordo com ele, a presença da TVPS em ambientes digitais, no YouTube e em plataformas de televisão conectada amplia a possibilidade de alcançar públicos que dificilmente seriam impactados pelos canais tradicionais do setor.
“Mais do que divulgar produtos, queremos contribuir para criar uma cultura de proteção. E isso também representa uma visão empresarial. Quanto maior o conhecimento da sociedade sobre seguros, maior será o potencial de desenvolvimento do mercado. Democratizar o seguro começa por democratizar a informação”.
Conteúdo da edição de outubro (291) da Revista Cobertura