PF diz que BRB pagou bilhões após confiar cegamente em planilhas do Master
Fonte: metropoles.com | Data: 28/10/2026 17:13:55

A Polícia Federal afirmou que o Banco de Brasília (BRB) confiou “cegamente” em planilhas elaboradas pelo Banco Master e “desembolsou bilhões de reais na aquisição de carteiras de crédito sem promover verificações mínimas acerca da origem, existência, validade e exigibilidade dos ativos negociados”.
A PF indiciou, nesta quarta-feira (28/10), 15 pessoas, incluindo Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, por gestão fraudulenta e outros crimes (veja lista abaixo).
Segundo as investigações da PF, o Master vendeu ao BRB ativos que somam R$ 17,5 bilhões, dos quais ao menos R$ 12,2 bilhões “correspondem a créditos comercializados sem a devida comprovação de sua existência”.
A corporação descreve que, de um lado, estava o Master “imerso em grave crise de liquidez, cujos diretores recorreram à manipulação de registros e bases de dados para representar, em planilhas eletrônicas do software Excel, créditos inexistentes”. Os créditos “ficticiamente representados nas planilhas serviram como base para a geração de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) desacompanhadas de documentação idônea apta a demonstrar a existência dos respectivos créditos subjacentes”.
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da Coluna Grande Angular
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“O conjunto dos elementos reunidos indica, assim, um mecanismo que compreendia a criação de créditos fictícios em planilhas eletrônicas, seu registro na B3 e formalização por meio da emissão de CCBs correspondentes, conferindo aparência de legitimidade a operações que não encontravam respaldo na realidade econômica subjacente”, declarou a PF.
Na outra ponta dos negócios estava o BRB, classificado pela PF como “um parceiro comercial que, em descumprimento de deveres regulatórios e renunciando às próprias salvaguardas contratuais, desembolsou bilhões de reais na aquisição de carteiras de crédito sem promover verificações mínimas acerca da origem, existência, validade e exigibilidade dos ativos negociados”.
“Ao confiar cegamente nas Planilhas Excel encaminhadas pelo Banco Master como representação dos créditos negociados a Diretoria do Banco de Brasília abdicou, na prática, dos três principais mecanismos de controle da operação relativa à cessão de créditos consignados de pessoas físicas: a verificação dos lastros, a conferência das averbações e a conciliação dos repasses financeiros”, destacou a PF.
As investigações ainda apontaram um “padrão recorrente de neutralização dos mecanismos de controle e governança” do BRB que consiste no fracionamento das operações para que não fossem submetidas ao Conselho de Administração (Consad). As operações foram divididas em até R$ 750 milhões, valor a partir do qual o negócio deve ser analisado pelo colegiado.
Ainda segundo a PF, o BRB pagou R$ 7,6 bilhões antes mesmo da emissão de pareceres técnicos sobre a compra das carteiras de crédito do Master. E outros R$ 7 bilhões foram objeto de aprovações e pagamentos quando alertas prudenciais já tinham sido formalmente comunicados à alta administração.
Veja os núcleos descritos pela PF, os indiciados e os crimes apontados:
Chamado núcleo Estratégico e Liderança do Banco Master
- Daniel Bueno Vorcaro (controlador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa e fraude. Além de organização criminosa com papel de liderança e participação de funcionário público e lavagem de dinheiro.
Augusto Ferreira Lima (ex-dirigente/operador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. - Angelo Antônio Ribeiro da Silva (diretor do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude em operação financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Luiz Antonio Bull (diretor de Gestão de Riscos do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Alberto Félix de Oliveira Neto (superintendente de Tesouraria do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Núcleo Operacional e Estruturação de Empresas de Fachada
- Allan da Silva Machado (coordenador operacional do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Henrique Souza e Silva Peretto (Operador/colaborador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia (Suposto diretor da SPE/Tirreno): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Daniel Lopes Monteiro (Advogado do escritório Monteiro Rusu): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Núcleo de Comando e Cúpula do BRB
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa (ex-presidente do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa com papel de liderança e presença de funcionário público.
- Dario Oswaldo Garcia Junior (diretor Executivo de Finanças e Controladoria do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
Núcleo da Diretoria Colegiada (Dicol) do BRB
- Luana de Andrade Ribeiro (Diretora Executiva de Controle e Riscos do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
- Cristiane Maria Lima Bukowitz (Diretora Executiva de Gestão de Pessoas do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira (Diretor Executivo de Atacado e Governo do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.
- José Maria Correa Dias Junior (Diretor Executivo de Tecnologia do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.