PF indicia Vorcaro, Paulo Roberto Costa e mais 13 por fraude no Master
Fonte: poder360.com.br | Data: 28/10/2026 17:14:16
A Polícia Federal indiciou nesta 4ª feira (28.out.2026) o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por crimes financeiros. A conclusão consta de um relatório parcial de investigação criminal elaborado no Inquérito 5.026, relacionado à tentativa de venda do Master para o BRB, que tramita no Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, os elementos reunidos indicam a existência de um esquema de operações financeiras com carteiras de crédito de origem questionada, produção posterior de documentos e suposta ocultação da titularidade e da movimentação de recursos. A investigação também aponta para a participação de integrantes das estruturas executivas, financeiras, jurídicas e operacionais dos bancos e de empresas relacionadas aos negócios.
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Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, crimes relacionados à organização criminosa e lavagem de dinheiro. As imputações constam do relatório policial e ainda dependem da análise das autoridades competentes, não representando, por si só, uma condenação criminal.
Eis a lista dos 15 indiciados:
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Daniel Bueno Vorcaro — ex-controlador do Banco Master.
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Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa — ex-presidente do BRB.
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Augusto Ferreira Lima — ex-sócio do Banco Master.
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Angelo Antônio Ribeiro da Silva — executivo do Banco Master.
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Luiz Antonio Bull — executivo do Banco Master.
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Alberto Félix de Oliveira Neto — responsável pela área de tesouraria do Master.
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Allan da Silva Machado — ligado à estrutura operacional das carteiras de crédito.
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Henrique Souza e Silva Peretto — ligado à empresa Tirreno.
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André Felipe de Oliveira Seixas Maia — ligado à Tirreno.
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Daniel Lopes Monteiro — advogado apontado no relatório como participante da estruturação jurídica das operações.
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Dario Oswaldo Garcia Junior — ex-diretor financeiro do BRB.
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Luana de Andrade Ribeiro — dirigente do BRB.
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Cristiane Maria Lima Bukowitz — dirigente do BRB.
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Diogo Ilário de Araújo Oliveira — dirigente do BRB.
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José Maria Correa Dias Junior — dirigente do BRB.
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A reportagem procura a defesa dos indiciados. O texto será atualizado caso sejam enviados posicionamentos.
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Anteriormente, Vorcaro havia dito que considera “narrativa fantasiosa“ a alegação de fraude. O fundador do Master disse que as operações realizadas entre seu banco e o Banco de Brasília foram “negócios absolutamente lícitos, embasados em decisões técnicas e colegiadas tomadas pelas instâncias de governança de ambas as instituições, sem gerar qualquer prejuízo ao BRB”.
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Operações com carteiras de crédito
Um dos principais eixos da investigação envolve operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e a empresa Tirreno, posteriormente relacionadas a negócios com o BRB.
De acordo com a PF, aproximadamente R$ 7 bilhões vinculados às operações atribuídas à Tirreno permaneceram contabilizados em contas internas do próprio Banco Master, sem transferência financeira efetiva compatível com a titularidade formal dos recursos. Para os investigadores, a diferença entre a estrutura contratual e a realidade econômica observada pode indicar mecanismos de ocultação ou dissimulação de valores.
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O relatório também descreve indícios de que documentos relacionados às operações foram produzidos ou complementados depois das datas que apresentavam formalmente. Entre os exemplos citados estão cédulas de crédito bancário assinadas posteriormente, procurações geradas em lote e contratos formalizados meses depois das datas declaradas.
A PF afirma ainda que o BRB continuou adquirindo carteiras de crédito mesmo diante de alertas internos sobre problemas de documentação, inadimplência, ausência de averbações e falhas de conciliação. Segundo o relatório, mais de R$ 5 bilhões em novas aquisições foram aprovados depois que problemas relevantes já haviam sido identificados.
Participação de executivos e advogados
A investigação divide os envolvidos em núcleos funcionais. Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa são apontados pela PF como integrantes do núcleo estratégico, responsável, segundo a apuração, pela definição das diretrizes e pela articulação das operações.
Outros investigados são associados às áreas executiva e financeira, à formação das carteiras de crédito, à estruturação jurídica dos negócios e à organização dos documentos apresentados às instituições financeiras e aos órgãos de fiscalização.
O relatório atribui ao escritório Monteiro Rusu, comandado pelo advogado Daniel Lopes Monteiro, participação na estruturação societária da Tirreno e na elaboração e revisão de contratos, notificações e outros documentos relacionados às operações.
Segundo os investigadores, a empresa teria sido utilizada como intermediária formal em negócios cuja documentação e estrutura operacional ainda apresentavam inconsistências. A PF afirma que documentos preparados no ambiente do Banco Master teriam sido encaminhados à Tirreno para apresentação formal ao BRB.
Investigação continua
Além de Vorcaro, o relatório formaliza o indiciamento de Paulo Henrique Costa e de outros 13 investigados. A lista inclui executivos e funcionários ligados ao Banco Master e ao BRB, além de pessoas relacionadas à estruturação jurídica e operacional das empresas envolvidas.
A PF ressalva que ainda há diligências pendentes. Entre elas estão a individualização da conduta de integrantes das equipes operacionais dos bancos, a conclusão de análises bancárias, fiscais e patrimoniais, o exame de materiais apreendidos e o aprofundamento de outras hipóteses criminais identificadas durante a apuração.
O relatório parcial foi encaminhado às autoridades competentes para subsidiar a continuidade da investigação. O indiciamento é um ato da Polícia Federal que atribui a alguém a condição de provável autor de infração penal com base nos elementos reunidos na investigação; não equivale ao oferecimento de denúncia pelo Ministério Público nem a uma decisão judicial definitiva.
COMPLIANCE ZERO
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise por parte do ministro do Supremo deve levar semanas.
Eis as fases da operação:
- 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;
- 2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;
- 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que trabalhava para o fundador do Master, tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;
- 4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;
- 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;
- 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
- 9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares autorizadas por André Mendonça. O ministro proibiu o congressista de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de falar com investigados, salvo exceções familiares. Leia a íntegra (PDF — 256 kB).
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