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Turismo bate recordes, mas alta dos preços acende alerta para o setor

Fonte: fecomercio.com.br | Data: 28/10/2026 18:39:41

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O Turismo brasileiro continua a bater recordes de faturamento, mas os números mais recentes revelam uma mudança que merece atenção: os preços estão ganhando peso no crescimento do setor. Em agosto, enquanto o número de passageiros transportados por avião aumentou 2,3%, a tarifa aérea média subiu 14,5%. Na prática, viajar ficou mais caro e a expansão da receita passou a depender mais dos valores cobrados do que do aumento do fluxo de pessoas.

Esse é um dos pontos abordados na edição de outubro da Carta Setorial de Turismo, publicação do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que reúne indicadores, análises econômicas e temas importantes para a atividade.

Baixe gratuitamente a Carta Setorial do Turismo

Segundo levantamento da Entidade, o Turismo nacional movimentou R$ 24,5 bilhões em agosto, alta de 2,6% em relação ao mesmo mês de 2025 e recorde para o período. Nos oito primeiros meses do ano, o faturamento alcançou R$ 192,9 bilhões, crescimento de 3,4%.

O desempenho, porém, não foi uniforme. A alimentação ligada ao setor avançou 7,5%, enquanto o alojamento cresceu apenas 0,7%. No transporte aéreo, o faturamento aumentou 3,1%, mas a tarifa média passou de R$ 678,40 para, aproximadamente, R$ 777.

A diferença entre a evolução dos preços e a quantidade de passageiros ajuda a explicar por que os recordes, embora positivos, não significam necessariamente uma expansão da demanda na mesma proporção. Para as empresas, o desafio é preservar a rentabilidade sem afastar consumidores já pressionados pelo custo de vida e pelo crédito caro.

Viagens de negócios também sentem a pressão

O movimento aparece nas viagens corporativas. De acordo com o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), o mercado movimentou R$ 19 bilhões em agosto, alta de 4,1% e novo recorde para o mês.

No acumulado do ano, o faturamento chegou a R$ 132,9 bilhões, crescimento de 5,5%. A demanda segue aquecida, mas o encarecimento das passagens e das diárias hoteleiras exige mais atenção aos orçamentos. Antecipar reservas, negociar com fornecedores e avaliar alternativas de deslocamento passam a fazer parte das decisões das empresas.

A edição também examina a conjuntura econômica, marcada pela inflação de setembro, pelos juros ainda elevados e pelos reflexos dessas condições sobre o consumo e os investimentos.

Hotelaria diante de uma nova equação

Outro destaque é o artigo de Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, para o Hotelier News. O texto discute os desafios que a adoção da escala de trabalho 5×2 pode trazer à hotelaria, atividade que funciona ininterruptamente e depende de equipes numerosas para manter a operação.

Dietze analisa as diferenças de capacidade de adaptação entre grandes redes e estabelecimentos menores, os possíveis efeitos sobre custos e tarifas e, por outro lado, as oportunidades de melhorar a atração e a retenção de profissionais.

A publicação também registra o reconhecimento de Dietze pela Panrotas, que o incluiu entre os 100+ Poderosos do Turismo de 2026, em reconhecimento à sua atuação e à contribuição do conselho para o debate e a produção de conhecimento sobre o setor.

Acesse a ‘Carta Setorial de Turismo’ de outubro e confira os dados, as análises e os temas que devem influenciar as decisões do setor nos próximos meses.