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Santos: Oposição se aproxima em meio à tentativa de Teixeira de mudar Estatuto – Máquina do Esporte

Fonte: maquinadoesporte.com.br | Data: 28/10/2026 19:59:53

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⚡ Máquina Fast

  • Marcelo Teixeira busca reeleição no Santos com projetos estruturais e enfrenta oposição unificada contra mudanças no Estatuto.
  • Proposta de alteração estatutária prevê redução do controle do clube na SAF de 51% para 20%, gerando críticas e temor de concentração de poder.
  • Plataformas de apostas ilegais movimentaram milhões apostando na eleição presidencial brasileira, superestimando chances de Flávio Bolsonaro.

Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

As eleições no Brasil já acabaram, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo reeleito para mais quatro anos de mandato (para desgosto de Neymar, do presidente Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o popular Bap, e de todos os apostadores da Polymarket, que passou os últimos meses cravando que o petista seria derrotado).

Enquanto um dos lados celebra e o outro elabora listas de possíveis boicotáveis e demitíveis (tudo isso tendo como pano de fundo a fuga cinematográfica do candidato derrotado Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos), o Brasil começa a caminhar para a normalidade, com as redes sociais sendo tomadas cada vez mais por vídeos de animais fofos e dancinhas sem viés político-partidário, em detrimento de conteúdos bombásticos em que o deputado André Janones aparece bradando: “Explode!”.

No Santos, porém, o ambiente político fervilha com a proximidade do processo eleitoral que definirá a próxima diretoria do clube.

Desgastado pela debilidade financeira da equipe, acumula dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão, aliada à carência de vitórias e títulos em campo, o atual presidente Marcelo Teixeira tem como trunfos alguns projetos de vulto lançado nos últimos meses, como a remodelação da Vila Belmiro em parceria com a WTorre, o projeto de construção no novo Centro de Treinamento (CT) da base em São Vicente, a regularização junto à União do contrato do CT Rei Pelé e a criação e venda da SAF para investidores.

Outro fator que parecia favorecê-lo e que já o beneficiou na última eleição, realizada em 2023, era a fragmentação da oposição, que contava com quatro chapas. Juntas elas, tiveram 4.024 votos, contra 4.762 do grupo de Teixeira.

Como nenhuma obteve 20% dos votos válidos, além de ficar com a presidência, o mandatário levou ainda 100% das cadeiras do Conselho Deliberativo.

Oposição ensaia diálogo

Desta vez, porém, pode ser que a oposição não esteja tão desunida quanto há três anos. Conforme a coluna divulgou algumas semanas atrás, Maurício Maruca e Rodrigo Marino, respectivamente o segundo e o terceiro colocado na disputa de 2023, resolveram unir forças numa chapa unificada.

Nesta semana, outros membros da oposição decidiram realizar um movimento de aproximação, às vésperas da Assembleia Geral Extraordinária, convocada pelo Conselho Deliberativo com o objetivo de debater e aprovar mudanças no Estatuto do Santos.

O ex-diretor das categorias de base José Renato Quaresma convidou seus oponentes Maurício Maruca, Ivan Luduvice e Vladimir Mattos para uma reunião a ser realizada na noite desta quarta-feira (28), antes do clássico entre Santos e Palmeiras, válido pela Série A do Brasileirão. Os dois últimos haviam confirmado presença ao encontro.

Principais mudanças

Os candidatos de oposição têm classificado a proposta de mudança no Estatuto, que já foi aprovada pelo Conselho e será deliberada pelos sócios em Assembleia, no dia 8 de novembro, como um “golpe”.

As alterações que serão discutidas na Assembleia Extraordinária contém alguns pontos polêmicos, como o que altera o percentual que ficaria sob controle do clube associativo no caso da eventual criação e venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que passaria do atual limite mínimo de 51% para 20%.

LEIA MAIS: SAF do Santos: Saiba o que foi apresentado na reunião com SDC Sports

Se a mudança passar, significa que 80% do futebol profissional do Peixe poderia ser negociado com algum grupo investidor (o favorito para comprar é o SDC Sports, que porém é criticado pela oposição).

A extinção do Comitê de Gestão, órgão colegiado que administra o clube de forma compartilhada, é outro ponto que vem sendo questionado pelas chapas rivais a Teixeira, já que a medida concentraria poderes e decisões nas mãos do presidente.

Na semana passada, os quatro candidatos de oposição divulgaram nota conjunta conclamando associados a votarem contra as mudanças no Estatuto.

Chegarão unidos às urnas?

Oficialmente, os atuais movimentos de aproximação não significam que os candidatos de oposição estejam ensaiando a criação de uma grande aliança para desbancar Teixeira.

Eles afirmam que estão se reunindo para debater o futuro do clube e os impactos que as mudanças propostas no Estatuto poderão acarretar.

O fato é que o cenário que se desenha para os adversários de Teixeira no Santos é complexo. Por um lado, vislumbram a chance concreta de aproveitar o eventual desgaste do atual presidente para desbancá-lo na urna.

Por outro lado, correm o risco de levar, mas não governar, tendo em vista que, até a data da posse do próximo eleito, a SAF poderá ter sido criada e vendida e um grupo que Teixeira escolheu.

O que diz Teixeira

Teixeira divulgou nota no Instagram, repudiando a acusação de golpe feita pelos adversários. Garantiu ainda que o objetivo é acabar com o amadorismo e com um modelo que torna o clube dependente de decisões políticas.

De acordo com ele, as alterações no Estatuto buscam viabilizar a negociação da SAF. “Como sempre, a oposição tenta associar a nossa gestão a golpes e mentiras. Quero deixar uma coisa muito clara pra vocês sobre a mudança do estatuto: o nosso objetivo no momento é apenas avançar com a SAF, para profissionalizar e modernizar a gestão do Santos. Transparência é esclarecer os fatos. Busquem informações e não se deixem levar por versões distorcidas”, publicou.

Por falar em Polymarket

Citada no início desta coluna, a Polymarket (que opera no mercado preditivo, permitindo a incautos apostarem em questões que vão desde se um time será campeão de um torneio até qual candidato ganhará determinada eleição ou quando as autoridades confirmarão a existência de ETs) faturou rios de dinheiro com a campanha presidencial do Brasil.

Logo que a disputa começou, a plataforma passou a registrar palpites quanto às chances de vitória de Lula ou Flávio Bolsonaro.

Como mostrou a coluna, não demorou muito e os gráficos da plataforma (que já era ilegal no Brasil antes mesmo da proibição das bets) passaram a se compartilhados nas redes por aliados de Bolsonaro, como se fossem uma pesquisa eleitoral capaz de determinar quem tinha chances reais de ganhar.

LEIA MAIS: Polymarket surfa na disputa presidencial com status de pesquisa eleitoral, mesmo proibida no Brasil

Se a coisa ficasse restrita à narrativa tendenciosa e desprovida de base científica, já seria algo preocupante. Mas o fato é que as apostas em torno da eleição presidencial brasileira de 2026 movimentaram US$ 249 milhões, sem contar outros US$ 20 milhões que foram gastos por sábios das finanças na concorrente Kalshi.

As duas plataformas cravavam o senador do PL como o favorito disparado a ganhar a eleição (na Kalshi, o percentual chegou a 77%).

Na Polymarket, as apostas de que Flávio Bolsonaro levaria a melhor receberam US$ 62,15 milhões, contra US$ 48,51 milhões de quem acreditava no triunfo de Lula.

Quem acessou a Polymarket na véspera da eleição (quando as chances de vitória de Flávio eram apontadas na casa de 80%) e apostou US$ 1 mil na tese de que Lula seria eleito, recebeu de volta US$ 5 mil, lucro superior a 400% sobre o valor aportado.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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