Lula terá que reservar um espaço para o Centrão no Palácio do Planalto, sob pena de ficar sem governabilidade, diante de uma direita ainda mais hegemônica no Congresso
Fonte: osul.com.br | Data: 28/10/2026 21:58:38
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Redação O Sul
| 28 de outubro de 2026

Com um Congresso mais à direita, presidente terá de buscar a governabilidade. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
Reeleito para o quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de abrir espaço para o Centrão no Palácio do Planalto para garantir governabilidade diante de um Congresso com presença ainda maior da direita. Na reorganização do governo, o ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, devem ganhar protagonismo. O deputado reeleito André Janones (Rede-MG), responsável pela mobilização digital pró-Lula no segundo turno, também terá papel de destaque, embora ainda não esteja definido se no Executivo ou no Congresso.
Uma das principais disputas envolve o Ministério da Fazenda. Enquanto uma ala do governo defende Alckmin para o cargo, em razão de seu perfil moderado e da boa interlocução com o setor produtivo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), derrotado na eleição para o governo de São Paulo, apoia a permanência do atual titular, Dario Durigan. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também pode continuar na função.
Para acomodar o Centrão, o deputado reeleito Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) aparece como favorito para assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação política do governo com o Congresso. Ex-ministro de Portos e Aeroportos, ele é considerado leal e habilidoso e mantém proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de boa relação com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O atual ministro da SRI, José Guimarães (PT), que ficou sem mandato, não deve resistir à eventual mudança. Ele poderá assumir outra pasta ou ocupar uma secretaria no governo do Ceará.
Mesmo com a tentativa de ampliar a articulação política, Lula enfrentará dificuldades para apoiar a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Enfraquecido após a derrota de aliados no Amapá e diante de uma bancada majoritariamente de direita, Alcolumbre poderá enfrentar concorrentes como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, além de Arthur Lira (PP-AL) e Tereza Cristina (PP-MS).
Na Casa Civil, Camilo Santana passou a ser cotado após coordenar politicamente a campanha de Lula no segundo turno. Fernando Haddad também é citado para a função, pela proximidade com o presidente. Já Guilherme Boulos (Psol), atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, deve permanecer no cargo ou ser transferido para uma pasta de maior visibilidade. Os três são apontados, ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), como possíveis sucessores de Lula.
O presidente nacional do PSB, João Campos, ex-prefeito do Recife e derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, também poderá integrar a Esplanada. Embora o partido tradicionalmente ocupe o Ministério da Ciência e Tecnologia, aliados consideram possível sua indicação para a pasta da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Na estrutura do Planalto, Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura e aliado de Janja, é cotado para a chefia de Gabinete da Presidência. Ele poderá substituir Marco Aurélio Santana Ribeiro, afastado após seu envolvimento com a lobista Roberta Luchsinger.
O chanceler Mauro Vieira deve permanecer no Ministério das Relações Exteriores por mais um ou dois anos, preparando a sucessão do embaixador Maurício Lyrio. Na assessoria internacional da Presidência, o embaixador Audo Faleiro poderá suceder Celso Amorim, caso o ex-chanceler se aposente.
Lula também pretende criar o Ministério da Segurança Pública se a proposta de emenda constitucional (PEC) da área for aprovada. Entre os cotados está Francisco Lopes, atual secretário nacional de Segurança Pública e aliado de Rafael Fonteles.
O PT deve manter o comando de áreas consideradas estratégicas, como Saúde, Educação e Desenvolvimento Social. Alexandre Padilha (PT) poderá continuar à frente da Saúde, enquanto Jader Filho (MDB), deputado eleito pelo Pará, é cotado para retornar ao Ministério das Cidades e reassumir a condução do programa Minha Casa, Minha Vida.
Janones, criador do canal “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de apoiadores, deverá continuar na linha de frente da mobilização digital e da defesa do governo. Apesar de ser citado para um ministério, a tendência é que atue principalmente no Congresso e nas redes sociais, mantendo o enfrentamento à oposição. (Com informações do Valor Econômico)