Fraude no Banco Master motiva indiciamento de Vorcaro
Fonte: abcdoabc.com.br | Data: 28/10/2026 22:38:13
A Polícia Federal finalizou a primeira investigação sobre o esquema bilionário estruturado nas cúpulas do mercado financeiro. A fraude no Banco Master resultou no indiciamento de 15 pessoas, incluindo o dono da instituição, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
O inquérito de 700 páginas chegou à mesa do Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores detalham a venda de carteiras de crédito podre da instituição privada para o banco público, em um momento de grave estrangulamento e crise de liquidez.
Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Master transferiu R$ 17,5 bilhões aos cofres do BRB. A auditoria policial identificou um rombo sem precedentes nesta carteira.
“Ao menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos comercializados sem a devida comprovação da sua existência.”
Como operava a fraude no Banco Master e no BRB

Daniel Vorcaro comandou a engrenagem do grupo criminoso. A PF imputa ao banqueiro os crimes de gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A consultoria Tirreno fornecia os ativos de prateleira para maquiar as operações. Esta empresa fantasma não possuía funcionários, estrutura física ou patrimônio real para atuar no mercado.
Os agentes federais mapearam a linha de produção dos contratos:
- Invenção de empréstimos consignados falsos em planilhas de Excel.
- Transformação dos dados fictícios em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).
- Registro imediato das operações forjadas na bolsa de valores.
A diretoria colegiada do banco público sustentou o esquema e ignorou riscos óbvios. As aquisições criminosas ocorriam sistematicamente em fatias de R$ 750 milhões.
O diretor de Finanças, Dario Garcia, recebeu laudos apontando reprovação em 90% das carteiras. Ele ironizou a descoberta de uma base de créditos corroída em novembro de 2024.
“Que base maravilhosa!!!”
A presidência manipulou as análises internas de risco para garantir as compras. Paulo Henrique Costa alterou critérios técnicos para aprovar artificialmente uma carteira de R$ 922 milhões que valia apenas R$ 164 milhões.
O Master dependia dessas injeções diárias de capital para sobreviver. O caixa do banco privado girava em torno de meros R$ 33 milhões, um valor microscópico e insuficiente para cobrir as movimentações que atingiam a casa das centenas de milhões.
Defesas negam crimes e criticam as autoridades
Os advogados de Vorcaro classificaram o inquérito policial como precipitado e afoito. A defesa alega que o relatório final antecipa conclusões sem laudos periciais e aplica uma leitura seletiva das mensagens trocadas.
A equipe de Costa acusa a PF de forçar hipóteses investigativas. O advogado Davi Tangerino afirma que o executivo exigiu garantias robustas e desconhecia completamente as irregularidades internas.
Prorrogação e cruzamento de dados no STF

Os delegados federais solicitaram mais 60 dias ao STF para finalizar as diligências complementares. As autoridades precisam cruzar o imenso volume de dados telemáticos e bancários apreendidos com os investigados.
A liquidação das empresas envolvidas agrava o cenário econômico nacional. O desfecho da fraude no Banco Master definirá o rumo das regulamentações de crédito no país e o nível de tolerância do judiciário brasileiro para os esquemas de colarinho branco.