PF aponta Vorcaro como líder e lista 15 indiciados no caso Master-BRB; pede mais 60 dias
Fonte: obairrista.news | Data: 28/10/2026 22:54:59
Relatório de mais de 700 páginas enviado ao STF separa os indiciados por núcleo e descreve como R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito chegaram ao banco público do DF.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura
A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no relatório parcial do inquérito sobre as operações entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). O documento, de mais de 700 páginas, foi encaminhado nesta quarta-feira (28) ao Supremo Tribunal Federal. Indiciamento é a conclusão da polícia, não é denúncia nem condenação.
O relatório é parcial e não encerra a investigação. O caso envolve o BRB, banco público do Distrito Federal.
Quem são os 15 indiciados
Núcleo do Master
- Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco;
- Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro;
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antônio Bull, ex-diretores;
- Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-superintendente do banco;
- Allan da Silva Machado, ex-procurador;
- Daniel Lopes Monteiro, advogado ligado ao banco.
Essa composição, com ex-sócio, ex-diretores, ex-procurador e advogado, consta do resumo do relatório.
Tirreno
- Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócios da empresa, que aparece na apuração ligada a créditos sem comprovação.
BRB
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente;
- Dario Oswaldo Garcia Junior (Finanças e Controladoria), Luana de Andrade Ribeiro (Controle e Riscos), Cristiane Maria Lima Bukowitz (Gestão de Pessoas), Diogo Ilário de Araújo Oliveira (Atacado e Governo) e José Maria Correa Dias Junior (Tecnologia), todos ex-diretores.
O ex-governador do DF Ibaneis Rocha não está na lista de indiciados.
Crimes atribuídos e papel de cada um
Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude à fiscalização e por induzir ou manter investidor em erro. Segundo o relatório, ele tinha papel central e diretivo nas operações.
Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. A PF o aponta como integrante do núcleo estratégico da organização. Vorcaro também é apontado como integrante desse núcleo.
Sobre os diretores do BRB, a PF afirma que operações de grande valor foram aprovadas antes de pareceres técnicos e de controle. Segundo o relatório, decisões foram mantidas ou renovadas mesmo com alertas de risco de liquidez e de irregularidades. O material consultado não traz a imputação individual completa dos outros indiciados.
As carteiras e o prejuízo de R$ 2,7 bilhões
As operações investigadas movimentaram cerca de R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. A investigação aponta que R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito não tinham comprovação de lastro.
O BRB tentou comprar o Master e injetou R$ 16,7 bilhões na instituição de Vorcaro. O Banco Central barrou a compra. A cobertura do relatório fala em prejuízo de R$ 2,7 bilhões. Acionistas do BRB aprovaram em abril um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões.
Reações e próximos passos
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou ter recebido o indiciamento “com surpresa”. A defesa de Vorcaro contesta o indiciamento, alega falta de prova técnica de fraude ou prejuízo e pede o arquivamento do inquérito.
Vorcaro, Costa e Lima foram alvos de fases da Operação Compliance Zero e estão presos. O relatório foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, a quem cabe decidir se apresenta denúncia. A PF pediu ao STF mais 60 dias para concluir perícias e outras diligências antes de entregar um relatório complementar.