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AINDA EM FASE DE TESTES Retatrutida: nova caneta emagrecedora experimental leva à perda de 21,5 kg e supera semaglutida

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 29/10/2026 11:31:36

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Em estudo de Fase 3, participantes perderam mais que o dobro do peso observado com semaglutida em 80 semanas

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  • Thais Borges

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 10:32

Canetas emagrecedoras
Canetas emagrecedoras Crédito: Reprodução

A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, apresentou resultados superiores aos da semaglutida injetável de 2 mg na redução da glicemia e do peso corporal em adultos com diabetes tipo 2. Os dados preliminares de um estudo de Fase 3 divulgado na última quarta-feira (28) apontam que os participantes tratados com retatrutida perderam, em média, até 21,5 kg ao longo de 80 semanas, enquanto aqueles que receberam semaglutida perderam 9,5 kg.

O estudo Transcend-T2D-2 também identificou uma redução média de 2,2% na hemoglobina glicada (HbA1C) entre os participantes que receberam retatrutida, ante 1,8% no grupo tratado com semaglutida. O indicador é utilizado para avaliar os níveis médios de glicose no sangue nos últimos meses.

Canetas emagrecedoras proibidas pela Anvisa por Reprodução

Segundo a Lilly, o estudo é o primeiro de Fase 3 a comparar diretamente a retatrutida com outra terapia incretínica. A dose de 2 mg de semaglutida utilizada como referência corresponde à maior dose aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2 nos Estados Unidos, mas não é a dose aprovada para essa finalidade no Brasil.

“Com base nesses resultados e nos demais dados do nosso programa de Fase 3, acreditamos que a retatrutida, se aprovada, poderia mudar o paradigma de tratamento para pessoas que vivem com diabetes tipo 2, obesidade e condições cardiometabólicas associadas”, disse o vice-presidente executivo e presidente de Saúde Cardiometabólica da Lilly, Kenneth Custer.

Perda de peso

Os resultados do Transcend-T2D-2 indicam que os participantes tratados com retatrutida na dose de 9 mg perderam, em média, 20,1 kg, o equivalente a 19,5% do peso corporal inicial. Entre aqueles que receberam a dose de 12 mg, a redução média foi de 21,5 kg, ou 20,9%.

No grupo tratado com semaglutida injetável de 2 mg, a perda média foi de 9,5 kg, correspondente a 9,4% do peso inicial. Os participantes tinham, no início do estudo, peso médio de 102,4 kg e índice de massa corporal (IMC) médio de 36,8 kg/m².

Em relação à hemoglobina glicada, as duas doses de retatrutida promoveram redução média de 2,2 pontos percentuais, enquanto a semaglutida apresentou queda de 1,8 ponto percentual.

A retatrutida também apresentou resultados superiores aos da semaglutida em determinados fatores de risco cardiovascular, como colesterol não HDL, triglicerídeos e pressão arterial sistólica.

Efeitos colaterais

Entre os eventos adversos mais comuns registrados no estudo estavam diarreia, náusea, constipação, vômito e dispepsia, condição caracterizada por desconforto na região superior do abdômen.

A diarreia foi relatada por 28,3% dos participantes que receberam retatrutida na dose de 9 mg e por 32,7% daqueles que receberam 12 mg. No grupo da semaglutida, a incidência foi de 26,4%.

A ocorrência de náusea foi semelhante entre os grupos: 21,2% com retatrutida de 9 mg, 23,8% com a dose de 12 mg e 21,3% com semaglutida. Já a constipação foi registrada em 14,2%, 13,1% e 19,8% dos participantes, respectivamente.

A incidência de vômito foi de 10,2% no grupo de retatrutida de 9 mg, 15% no de 12 mg e 13,2% entre os participantes tratados com semaglutida. Para dispepsia, os índices foram de 10,4%, 8,5% e 11,6%, respectivamente.

A disestesia, alteração da sensibilidade que pode provocar sensações anormais, foi registrada em 4,8% dos participantes que receberam retatrutida de 9 mg, em 6,5% daqueles tratados com 12 mg e em 2,7% do grupo da semaglutida. As infecções do trato urinário ocorreram em 5,8%, 4,2% e 5,8% dos participantes, respectivamente.

De acordo com a farmacêutica, a maioria dos eventos adversos foi de intensidade leve a moderada e, em geral, apresentou resolução durante o tratamento. As taxas de descontinuação em decorrência desses eventos foram de 4,8% com retatrutida de 9 mg e 7,9% com a dose de 12 mg, ante 2,7% com semaglutida.

Próximas etapas da pesquisa

O Transcend -T2D-2 é o sexto estudo de Fase 3 no qual a retatrutida demonstrou resultados de eficácia considerados expressivos pela Lilly. A farmacêutica afirma que os dados reforçam o potencial da molécula experimental para o tratamento de condições cardiometabólicas.

Os resultados detalhados da pesquisa serão apresentados em um futuro congresso médico e publicados em uma revista científica revisada por pares.

A retatrutida ainda está em investigação. Os resultados divulgados são preliminares e não significam que o medicamento tenha sido aprovado para uso clínico.