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Tecnologia portuguesa identifica bactérias resistentes a antibióticos em 45 minutos

Fonte: pplware.sapo.pt | Data: 29/10/2026 11:54:33

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Identificar a bactéria responsável por uma infeção e perceber quais os antibióticos que poderão ser eficazes pode demorar vários dias. Uma tecnologia desenvolvida em Portugal promete reduzir drasticamente esse tempo, permitindo obter informação essencial em menos de uma hora.

O dispositivo chama-se InviDx e resulta de um projeto que reúne empresas, universidades e centros de investigação portugueses. A inovação poderá ajudar os médicos a escolher tratamentos mais adequados e combater um dos maiores problemas da saúde pública: a resistência aos antibióticos.

De três dias de espera para menos de uma hora

Atualmente, quando existe uma suspeita de infeção urinária, os médicos podem ter de esperar entre 48 e 72 horas pelos resultados de uma urocultura, necessária para identificar a bactéria responsável e avaliar a sua sensibilidade aos antibióticos.

Durante esse período, é frequente iniciar o tratamento com base nos sintomas e na avaliação clínica, sem conhecer exatamente o microrganismo envolvido.

Foi para responder a este problema que o consórcio português SMARTgNOSTICS, liderado pela ALS Life Sciences Portugal, em Tondela, desenvolveu o InviDx.

A tecnologia consegue detetar, numa amostra de urina e em cerca de 45 minutos, até 10 alvos diferentes, incluindo bactérias e genes associados à resistência aos antibióticos.

Isto significa que os profissionais de saúde poderão receber informação importante muito mais cedo, reduzindo a necessidade de recorrer exclusivamente a tratamentos empíricos.

Por enquanto, o InviDx está disponível exclusivamente para investigação, não estando ainda autorizado como dispositivo de diagnóstico clínico.

Como funciona esta tecnologia portuguesa?

O InviDx utiliza técnicas de análise molecular para procurar material genético associado a determinados microrganismos e mecanismos de resistência.

Depois da preparação da amostra e da extração do ADN, são utilizados reagentes específicos que permitem identificar os alvos genéticos procurados.

Ao contrário dos métodos convencionais, que frequentemente exigem o crescimento das bactérias em laboratório, esta abordagem permite obter resultados sem esperar pela sua multiplicação em cultura.

O equipamento foi também concebido para ser compacto, relativamente simples de utilizar e adequado a ambientes descentralizados, aproximando os testes dos locais onde as amostras são recolhidas.

Contudo, existe uma distinção importante: identificar genes de resistência não significa determinar automaticamente qual o melhor antibiótico para todos os casos. Os resultados terão de ser interpretados pelos profissionais de saúde e, quando necessário, complementados com testes convencionais.

Primeiros testes clínicos vão decorrer na Cova da Beira

O projeto já ultrapassou a fase inicial de desenvolvimento e prepara-se para uma etapa fundamental: a validação em ambiente clínico.

O primeiro estudo clínico aprovado com o InviDx será realizado na Unidade Local de Saúde da Cova da Beira, com especial incidência nas infeções do trato urinário.

Os profissionais envolvidos já receberam formação para trabalhar com o equipamento.

Tecnologia poderá chegar a outras doenças

Embora as infeções urinárias sejam o primeiro foco, os investigadores pretendem alargar a utilização da plataforma.

Entre as aplicações previstas encontram-se as infeções respiratórias, a sépsis e as doenças sexualmente transmissíveis.

O sistema poderá também desempenhar um papel importante fora dos hospitais, nomeadamente na monitorização da resistência aos antibióticos em águas residuais, ajudando a acompanhar a circulação de microrganismos resistentes na comunidade.

O projeto SMARTgNOSTICS reúne 11 entidades, incluindo a Universidade do Minho, o INL, o INEGI, o INESC TEC e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, contando com financiamento europeu através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A tecnologia foi apresentada publicamente a 28 de outubro, no Porto de Leixões, durante um encontro dedicado à inovação no combate à resistência antimicrobiana.

Uma inovação que poderá mudar a forma como usamos antibióticos

A resistência bacteriana é um problema crescente, agravado, entre outros fatores, pela utilização inadequada de antibióticos.

Se a tecnologia portuguesa demonstrar a precisão e a fiabilidade necessárias nos estudos clínicos, poderá contribuir para tratamentos mais rápidos, decisões médicas mais informadas e uma utilização mais responsável destes medicamentos.

O verdadeiro avanço não estará apenas em identificar uma bactéria em 45 minutos. Estará em permitir que o médico disponha de informação relevante quando precisa de tomar uma decisão, em vez de esperar vários dias por uma resposta laboratorial.