Cetesb e entidades lançam guia para transformar áreas verdes de condomínios
Fonte: cetesb.sp.gov.br | Data: 29/10/2026 16:23:01
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Cetesb e entidades lançam guia para transformar áreas verdes de condomínios
Publicação mostra como aplicar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) em condomínios e loteamentos para ajudar a conter enxurradas, reduzir o calor e proteger a biodiversidade.
23/09/2026

Áreas verdes de condomínios e loteamentos podem ajudar a conter enxurradas e reduzir o calor com medidas como jardins de chuva e plantio de árvores. Um guia lançado nesta quinta-feira (24) pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), mostra como incluir essas e outras soluções nos projetos de novos empreendimentos. Elaborado com entidades da construção, o Guia para Seleção de Equipamentos, Estruturas e Soluções Baseadas na Natureza reúne orientações para planejar áreas verdes e espaços de lazer em loteamentos, condomínios e bairros planejados. O lançamento ocorreu durante um seminário na sede do Secovi-SP, na capital paulista.
As chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN) aproveitam elementos como vegetação, solo e água para enfrentar problemas urbanos. Um jardim de chuva, por exemplo, retém temporariamente parte da água que escorre pelas ruas, permitindo sua infiltração no solo e ajudando a reduzir o risco de alagamentos.
“Uma área verde bem planejada pode cumprir várias funções ao mesmo tempo: receber água da chuva, oferecer sombra, favorecer a biodiversidade e criar espaços de convivência. O guia ajuda a escolher as soluções mais adequadas às características de cada empreendimento”, afirma Jadna Beltrame Lemos, gerente da agência ambiental da Cetesb especializada no licenciamento de projetos habitacionais.
O que o guia propõe?
A publicação apresenta fichas que explicam como funcionam diferentes soluções, onde elas podem ser aplicadas e quais cuidados devem ser considerados no projeto. Veja alguns exemplos:
- Jardim de chuva: área rebaixada e vegetada que recebe e retém temporariamente a água da chuva, ajudando a reduzir o escoamento pelas ruas.
- Biovaleta: canal com vegetação que conduz a água mais lentamente e retém parte dos sedimentos carregados por ela.
- Bacia vegetada: área ajardinada que armazena a água da chuva por um período e ajuda a reduzir o volume que chega de uma só vez à rede de drenagem.
- Horta e pomar: espaços de cultivo que podem estimular a convivência e atividades de educação ambiental.
- Playground integrado à área verde: espaço de brincadeira cujo planejamento pode considerar a sombra das árvores e o tipo de piso.
- Corredor ecológico: conexão entre áreas com vegetação que favorece a circulação de animais silvestres e a dispersão de plantas.
O guia também reúne orientações para viveiros de mudas, passarelas, espaços de educação ambiental e outros equipamentos de lazer. A ideia é que essas estruturas sejam planejadas em conjunto, de acordo com as características e as necessidades de cada local.
A escolha de uma solução depende de fatores como a inclinação do terreno, o tipo de solo, a vegetação existente e o caminho percorrido pela água da chuva. As fichas indicam ainda como cada estrutura se relaciona com a permeabilidade do solo e com as regras para áreas verdes e espaços de lazer.
“Este guia representa um avanço importante para que as áreas verdes deixem de ser vistas apenas como espaços paisagísticos e passem a ser planejadas como parte da infraestrutura urbana. Ao incorporar soluções como jardins de chuva, biovaletas, bacias vegetadas, arborização e corredores ecológicos aos empreendimentos, o setor contribui para reduzir os impactos das chuvas intensas, amenizar as temperaturas e preservar a biodiversidade. Mais do que propor estruturas, o material oferece critérios técnicos para que cada solução seja escolhida de acordo com as características do terreno e integrada ao projeto desde sua concepção”, afirma Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP.
A inclusão de uma solução no guia não autoriza sua instalação automática em qualquer terreno. Cada projeto deve atender à legislação e, quando necessário, passar por análise e autorização dos órgãos competentes.
Voltado a empreendedores, projetistas, consultores e gestores públicos, o material foi desenvolvido no âmbito da Câmara Ambiental da Indústria da Construção da Cetesb, com participação da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), do Secovi-SP e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).