Teste de HPV chega ao SUS em Alagoas para prevenir câncer
Fonte: jornaldealagoas.com.br | Data: 29/10/2026 16:53:12
O teste molecular DNA-HPV começou a ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas como parte da implantação gradual de uma nova estratégia de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil. O exame detecta a presença do papilomavírus humano (HPV), incluindo os tipos 16 e 18, associados a um risco maior de desenvolvimento da doença.
A tecnologia permite identificar infecções antes do aparecimento de lesões, possibilitando o acompanhamento das pacientes conforme a necessidade clínica. A implantação, porém, ocorre de forma progressiva, e nem todas as unidades de saúde já oferecem o procedimento.
De acordo com o Ministério da Saúde, uma das vantagens do exame é a possibilidade de ampliar para cinco anos o intervalo até a próxima coleta quando o resultado é negativo, conforme o protocolo de rastreamento adotado.
O teste também pode reduzir a ocorrência de amostras insatisfatórias e agilizar a liberação dos resultados, contribuindo para o acompanhamento das pacientes na rede pública.
Segundo dados divulgados pelo órgão, a estratégia contabilizou 153 mil amostras coletadas em 2025 e 2026. Desse total, 93 mil foram processadas neste ano, das quais 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco.
Um resultado positivo, entretanto, não significa necessariamente que a paciente tenha câncer. A identificação do vírus permite que os profissionais de saúde avaliem a necessidade de exames complementares e acompanhamento.
A coleta do DNA-HPV é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas no protocolo, também pode ser feita por autocoleta, após orientação de um profissional.
Como a implantação ainda é gradual, a recomendação é procurar a UBS de referência para verificar se o teste já está disponível no município.
Enquanto a nova tecnologia é incorporada à rede pública, o exame preventivo Papanicolau continua sendo oferecido pelo SUS e permanece como ferramenta de rastreamento do câncer do colo do útero.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028.
A doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento e do acompanhamento de saúde.
Entre os sinais que merecem investigação estão:
– Sangramento durante ou após a relação sexual
– Sangramento entre menstruações ou após a menopausa
– Dor durante a relação sexual
– Corrimento vaginal com sangue ou mau cheiro
Em estágios mais avançados, também podem ocorrer dor na região pélvica ou na parte inferior das costas, cansaço intenso e inchaço ou dor nas pernas.
A presença desses sintomas não confirma, por si só, o diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de avaliação por um profissional de saúde.