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Vorcaro nega ter causado crise do BRB e aponta liquidação do Master e prisão como causas

Fonte: brasil247.com | Data: 29/10/2026 17:55:35

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247 – O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal (PF) ter provocado a crise financeira do Banco de Brasília (BRB) e atribuiu os problemas enfrentados pela instituição à perda de confiança decorrente da liquidação do Master e de sua própria prisão. Em depoimento prestado em 15 de outubro, o empresário afirmou que o BRB sofreu saques de R$ 9 bilhões após esses acontecimentos e sustentou que não causou prejuízos ao banco público.

O vídeo do interrogatório foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29). Nas declarações, Vorcaro contestou as suspeitas de irregularidades nas operações financeiras realizadas entre as duas instituições e afirmou que os ativos negociados com o BRB foram substituídos por outros de valor suficiente para preservar os interesses do banco.

Ao explicar sua interpretação sobre a origem da crise, Vorcaro afirmou:

“O que aconteceu? O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu. De liquidação do Master, que era parceiro. Os ativos estão lá, eu não gerei crise de liquidez no BRB”.

A declaração constitui um dos principais argumentos apresentados pelo empresário para afastar sua responsabilidade pela deterioração financeira do BRB. Segundo sua versão, a saída de recursos ocorreu em consequência dos acontecimentos envolvendo o Banco Master, e não porque as operações entre as instituições teriam provocado diretamente uma crise de liquidez.

A posição contrasta com as conclusões da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias na comercialização de carteiras de crédito e a participação de dirigentes das duas instituições nas transações.

Vorcaro afirma ter substituído carteiras de crédito

Um dos principais pontos abordados no depoimento foi a transferência de carteiras de crédito vinculadas à consultoria Tirreno, negociadas pelo Banco Master com o BRB por R$ 11,5 bilhões.

A delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo questionou Vorcaro sobre a origem e a regularidade desses ativos. Os investigadores sustentam que parte dos créditos comercializados não possuía lastro, isto é, não havia comprovação suficiente da existência das operações financeiras que deveriam sustentá-los.

Vorcaro reconheceu ter identificado problemas em uma carteira, mas afirmou que providenciou sua substituição por outros ativos, inclusive de seu patrimônio.

“O que eu fiz. Tive problema numa carteira [da Tirreno], peguei ativos do banco e substituí. Peguei ativos próprios meus e substituí, em boa fé com o BRB. E hoje tem mais ativos do que ele pagou, lá. Essa é a realidade”, declarou.

Segundo o empresário, as substituições teriam sido suficientes para compensar os valores pagos pelo banco público. A versão, entretanto, permanece em disputa com as conclusões dos investigadores sobre a existência e a qualidade dos créditos negociados.

As operações ocorreram no período em que o BRB buscava adquirir participação no Banco Master. A tentativa de compra acabou rejeitada pelo Banco Central, que posteriormente determinou a liquidação da instituição de Vorcaro.

BRB estima R$ 8,8 bilhões em créditos problemáticos

A crise financeira do BRB está diretamente relacionada às operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025. Segundo dados da própria instituição pública, as transações entre os bancos alcançaram aproximadamente R$ 30 bilhões nesse período.

O BRB calcula que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Master correspondem a ativos inexistentes, fraudulentos ou cuja recuperação apresenta dificuldades.

Esses valores representam um risco patrimonial para a instituição, que precisa encontrar mecanismos para compensar eventuais perdas decorrentes das operações.

O governo afirma que poderá recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de medidas destinadas a compensar parte dos créditos problemáticos. Para enfrentar o restante da exposição, estimado em R$ 6,6 bilhões, o BRB busca obter um empréstimo bilionário.

A necessidade de financiamento integra os esforços para enfrentar a crise financeira da instituição, considerada a mais grave de sua história.

Polícia Federal indiciou Vorcaro e outros 14 investigados

As declarações divulgadas nesta quinta-feira ocorreram em um momento de avanço das investigações sobre as operações entre o Banco Master e o BRB.

Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito principal relacionado ao caso Master.

O relatório deverá ser encaminhado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por avaliar se há elementos suficientes para apresentar denúncia contra os investigados.

A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, identificou suspeitas de irregularidades financeiras bilionárias envolvendo operações entre as duas instituições.

Em abril de 2026, uma nova etapa da investigação resultou na prisão de Paulo Henrique Costa. Segundo a Polícia Federal, o ex-dirigente teria autorizado negócios com o Banco Master sem garantias adequadas e em desacordo com práticas de governança exigidas para operações dessa dimensão.

A investigação também examina as responsabilidades individuais dos envolvidos na negociação e aquisição das carteiras de crédito.

Vorcaro já havia apresentado argumentos semelhantes no final de 2025, quando participou de uma acareação com Paulo Henrique Costa. Na ocasião, também responsabilizou a atuação do Banco Central pelo agravamento da situação das instituições financeiras.

O depoimento de outubro reafirma essa linha de defesa, segundo a qual os ativos transferidos ao BRB seriam suficientes para compensar os valores desembolsados. A Polícia Federal, por sua vez, mantém suspeitas sobre a existência e a regularidade dos créditos que fundamentaram as transações.