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Pós-eleições: médica é afastada de hospital no ES depois de ameaçar trocar remédios de pacientes

Fonte: agazeta.com.br | Data: 29/10/2026 17:52:50

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Uma cardiologista foi afastada do hospital em que atua, em Vila Velha, após publicações na internet ameaçando a troca de remédios de pacientes. O conteúdo viralizou e a profissional apagou o perfil das redes sociais, mas o caso já está em investigação pela Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes).

Trata-se de Kamila Silva Marins Chamon, a qual, na postagem, declarou que trocaria um tipo de medicação comum para quem tem nível elevado de colesterol no organismo, um fator de risco cardiovascular. 

“Eu vou trocar sua sinvastatina e não aceito um ‘não tenho dinheiro’ pra rosuva (rosuvastatina)”, diz um trecho da publicação, em que ela anunciava se tratar do último pronunciamento do dia.

Fontes do hospital em que Kamila Marins atua indicam que a publicação foi feita num contexto político. Tanto que o conteúdo foi mencionado pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que criticou a postagem e estabeleceu uma equivalência com as listas de boicote a comerciantes e profissionais supostamente de esquerda que têm circulado pelo país, inclusive no Espírito Santo. “Agora estão boicotando a vida das pessoas”, lamentou a futura parlamentar. 

A Aebes, uma das instituições para a qual Kamila Marins presta serviço com atendimento no Hospital Evangélico, informa, em nota, que vai realizar a apuração dos fatos envolvendo a médica por meio do seu setor de compliance e adotar todas as medidas cabíveis. 

“A Aebes reafirma seu compromisso com a ética, a integridade, a transparência e a segurança dos pacientes”, reforça a entidade na nota. A entidade, nesta quinta-feira (29), informou que a médica foi afastada para a realização das investigações. 

O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) também foi procurado para se manifestar sobre o caso e declarou que pode instaurar sindicância por meio de denúncia formal, com a devida identificação do denunciante, do médico denunciado, com o relato circunstanciado dos fatos, ou de ofício, após tomar conhecimento das informações em casos de repercussão pública. Todas as denúncias são rigorosamente apuradas.

“A sindicância tem como objetivo apurar os fatos e pode resultar em abertura de um Processo Ético Profissional, caso haja elementos suficientes de indícios de materialidade e autoria de infração ao Código de Ética Médica“, diz a entidade, em nota.

O posicionamento do CRM-ES é padrão porque a entidade não se manifesta sobre casos concretos, como o que envolve a cardiologista Kamila Marins, a não ser nos autos. Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, segundo o conselho, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça.

A reportagem de A Gazeta tenta contato com Karina Marins — que desativou seu perfil nas redes sociais após a recupercussão do caso —, para que possa se posicionar sobre o assunto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.