Richie Hawtin e Chris Liebing b2b Luke Slater em Lisboa
Fonte: djsound.com.br | Data: 29/10/2026 22:46:42
by Jeremias Straijer
Richie Hawtin e Chris Liebing b2b Luke Slater fecham os 10 anos do Brunch Electronik em Lisboa.
Richie Hawtin e Chris Liebing b2b Luke Slater fecham os 10 anos do Brunch Electronik em Lisboa No sábado, 26 de setembro, a Lagoa Branca, na Tapada da Ajuda, recebeu o encerramento da temporada 2026 do Brunch Electronik Lisboa — ano em que a série comemora uma década na capital portuguesa — com um back-to-back enérgico entre Chris Liebing e Luke Slater e um set de Richie Hawtin que puxou a tarde para o lado mais escuro e essencial do techno.

O cenário já faz metade do trabalho. Encaixada num vale rodeado de natureza dentro da Tapada da Ajuda, a Lagoa Branca tem uma acústica natural generosa, do tipo em que o som respira e a pista se sente envolvida em vez de bombardeada.
É um palco que pede música feita com atenção ao detalhe — e foi exatamente isso que o line-up do closing entregou.
A temporada que agora se encerra marcou os 10 anos do Brunch Electronik em Lisboa e passou por nomes como Charlotte de Witte, Adam Beyer, Sara Landry, Joseph Capriati e ARGY, além de uma edição com Solomun em parceria com o Neopop no Terreiro das Missas.

Para fechar, a curadoria apostou no techno de raiz: Richie Hawtin, o b2b de Chris Liebing com Luke Slater e um elenco de apoio com Chlar, IMOGEN e outros nomes.
Liebing b2b Slater: uma parceria com história O encontro entre o alemão e o britânico está longe de ser uma combinação de ocasião.
Os dois já assinaram juntos um remix de “Ghosts Again”, do Depeche Mode, em 2023, e dividiram as cabines do Nature One em 2025.
Em 2026, a parceria voltou ao disco: “Double Split” é uma das colaborações de Evolver, o primeiro álbum totalmente solo de Liebing, lançado em 27 de março pelo seu selo CLR, com treze faixas e participações de Charlotte de Witte, Speedy J, The Advent e Daniel Miller, além de fotos de Anton Corbijn.
Em julho, Terence Fixmer entregou dois remixes da faixa. Slater, por sua vez, chegou a Lisboa com disco novo na bagagem também. Em 15 de maio, lançou Planetary People como Planetary Assault Systems pela Ostgut Ton, o primeiro álbum do projeto no selo do Berghain desde Arc Angel, de 2016.
Segundo o próprio Slater, o trabalho nasceu da combinação entre ideias do show ao vivo e o estúdio.
Na Tapada, o b2b foi animado do início ao fim e teve ótima resposta do público presente. Richie Hawtin: de volta ao escuro Se o b2b aqueceu a Lagoa Branca, Richie Hawtin a levou para outro lugar. O set foi impecável, num Hawtin claramente voltado às raízes mais dark e techno, longe de qualquer concessão.
O que mais impressionou foi o cuidado com timbres e grooves — a forma como cada elemento entrava, era moldado e saía da mistura. É o tipo de controle que não se aprende em tutorial: vem de mais de três décadas de pista underground, desde a fundação da Plus 8 em 1990, passando pelo Plastikman, pelo selo Minus e por Decks, EFX & 909 (1999), trabalho que redefiniu o padrão das mixagens de techno.
O verão de Hawtin em 2026 já apontava nessa direção. Ele esteve no line-up do Awakenings, na Holanda, em julho; voltou ao Amnesia com o Cocoon de Sven Väth em 19 de julho, exatamente 27 anos depois da primeira festa Cocoon no clube; estava escalado para fechar o palco Techno Cathedral do Monegros Desert Festival em 25 de julho; e também para o Cocoon no 528 Ibiza em 23 de setembro, apenas três dias antes de Lisboa.
Ao anunciar a data no Amnesia, a Ibiza Spotlight destacou justamente o hábito dele de deformar e reconstruir as faixas em tempo real no controlador.
Por que headliners desse calibre importam Nada ali foi comercial ou apelativo. Não houve hits fáceis nem atalhos para agradar. E é exatamente por isso que uma noite como essa faz falta.
Num calendário lisboeta cada vez mais cheio de grandes produções, o público precisa desse banho de música underground: sets construídos com paciência, que exigem atenção e devolvem experiência.
Ao reunir três nomes que ajudaram a definir o techno como linguagem, num ambiente natural que valoriza o som, o Brunch Electronik fechou sua década lisboeta lembrando de onde vem essa cultura — e por que ela continua relevante.
Sobre o Brunch Electronik
Nascido em Barcelona, o Brunch Electronik construiu sua reputação com festas diurnas ao ar livre e hoje circula por cidades como Madri, Lisboa, Paris, Lyon e Bordeaux. Em Barcelona, o projeto ganhou também um festival próprio no Parc del Fòrum, que chegou à quarta edição em 2026. A organização se apresenta como um espaço seguro e inclusivo, com tolerância zero a violência e discriminação de qualquer tipo. Por Jeremias Straijer
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