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Temporada de cruzeiros começa com 24% mais leitos e sete destinos no Nordeste

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 30/10/2026 05:23:59

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O World Odyssey, navio-campus do programa Semester at Sea, atracou em Salvador em 7 de outubro, antes da abertura oficial da temporada de cruzeiros, que leva navios a sete destinos do Nordeste até 9 de abril de 2027, com 24% mais leitos no país. Foto: Prefeitura de Salvador/Instagram
O World Odyssey, navio-campus do programa Semester at Sea, atracou em Salvador em 7 de outubro, antes da abertura oficial da temporada de cruzeiros, que leva navios a sete destinos do Nordeste até 9 de abril de 2027, com 24% mais leitos no país. Foto: Prefeitura de Salvador/Instagram

A temporada oficial de cruzeiros 2026/2027 começa nesta sexta-feira (30) com 24% mais leitos nos navios e passagem por sete destinos do Nordeste: Salvador e Ilhéus, na Bahia, Maceió, em Alagoas, Recife, em Pernambuco, Cabedelo, na Paraíba, Natal, no Rio Grande do Norte, e Fortaleza, no Ceará. O Ministério do Turismo (MTur) espera que a temporada, que vai até 9 de abril de 2027, supere os R$ 4,76 bilhões movimentados e os 72 mil empregos gerados no ciclo 2025/2026.

Leito é a vaga de passageiro a bordo, a medida de capacidade usada pelo setor. No país, oito navios dedicados à costa brasileira, um a mais que no ciclo anterior, elevam a oferta para mais de 800 mil leitos, em 187 roteiros e 675 escalas, em dados da Cruise Lines International Association (Clia), a associação das companhias de cruzeiros. Salvador e Maceió estão entre os portos de embarque e desembarque, ao lado de Santos, Rio de Janeiro, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá.

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Nas projeções da Clia divulgadas pelo MTur, Salvador deve receber cerca de 182 mil leitos, com impacto econômico estimado em R$ 175,2 milhões, e Maceió, 137 mil leitos e R$ 131,9 milhões. Recife, Fortaleza, Natal, Cabedelo e Ilhéus entram no roteiro dos 28 navios de longo curso, de 22 companhias, que farão mais de 200 escalas em 32 portos e pontos de parada do litoral brasileiro.

Os R$ 4,76 bilhões e os 72 mil empregos do ciclo passado vêm de estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) com a Clia. Pelo levantamento, cada R$ 1 gasto pelas companhias de cruzeiros produziu R$ 3,89 de movimentação na economia.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, liga esse dinheiro a quem trabalha nos destinos onde os navios param. “Quando um navio chega a um destino, toda a cadeia de serviços é beneficiada, do transporte à hospedagem, da alimentação ao comércio local. Isso gera oportunidades para pequenos e grandes empreendedores, além de criar empregos e gerar renda para quem recebe os turistas”, afirma.

Salvador terá 47 escalas de cruzeiros e Maceió, 26

A capital baiana recebe navios desde 7 de outubro, antes da abertura oficial, quando atracou o World Odyssey, campus flutuante do programa Semester at Sea, com capacidade para cerca de 600 participantes, que ficou cerca de uma semana na cidade. Até abril, Salvador tem 47 escalas previstas, com 181.974 passageiros e 54.656 tripulantes em 16 navios de 13 companhias, em dados da Clia divulgados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Na temporada passada, o gasto médio foi de R$ 962 por cruzeirista nas cidades de embarque e desembarque, como Salvador, e de R$ 800,98 nas cidades visitadas só como escala, pelo estudo da FGV com a Clia.

Em Maceió, 17 das 26 escalas serão do Virtuosa, navio da Mediterranean Shipping Company (MSC), com a primeira atracação prevista para 9 de dezembro. Com 65 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de 20 andares, o MSC Virtuosa leva até 6.334 hóspedes e tem um bartender humanoide, o robô Rob, que prepara drinques sozinho em um dos bares.

A prefeitura de Maceió estimou em R$ 606 o gasto médio de cada turista por escala na temporada anterior. O ciclo passado terminou na cidade com 37 atracações, cerca de 130 mil passageiros e tripulantes e movimentação econômica próxima de R$ 100 milhões.

Salvador fica atrás de Santos, Rio e Balneário Camboriú

Santos, em São Paulo, lidera a projeção da Clia para a temporada, com 640 mil leitos e potencial de injetar mais de R$ 616 milhões na economia da cidade. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 316 mil leitos e impacto de cerca de R$ 304 milhões.

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, aparece com 198.071 leitos e R$ 190,6 milhões, acima de Salvador nos dois números. Já Itajaí, também em Santa Catarina, tem 165.474 leitos e R$ 159,3 milhões, acima de Maceió.

Paranaguá, no Paraná, fecha a lista, com 36.356 leitos e impacto de aproximadamente R$ 35 milhões. Os números de cada porto somam os navios de cabotagem, que viajam só entre portos brasileiros, e os de longo curso, que vêm de outros países.

Recife, Fortaleza, Natal, Cabedelo e Ilhéus recebem navios de passagem

No Porto do Recife, a programação prevê 11 escalas entre 24 de novembro e 11 de abril de 2027, a primeira do Viking Jupiter, navio de alto padrão com 228 metros que fica atracado das 8h às 19h. O calendário pernambucano foi revisto e perdeu a escala do Buenavista prevista para outubro.

Navios menores, de expedição, levaram a temporada a outras cidades em outubro. O Seabourn Venture, de cerca de 170 metros e 264 hóspedes, que transporta botes e caiaques para passeios fora dos roteiros comuns, passa por Fortaleza e tinha chegada a Natal programada para 22 de outubro pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Em Cabedelo, a escala do dia seguinte era do SH Vega, de 113,5 metros, com capacidade para apenas 152 passageiros e casco reforçado para navegar no gelo.

Em Ilhéus, no sul da Bahia, a temporada começa em 10 de novembro, com o AIDAsol. A Bahia também trabalha para ampliar os roteiros de embarcações menores por Porto Seguro, Itacaré, Morro de São Paulo e Barra Grande, de acordo com a Clia.

Fatia de estrangeiros nos navios subiu para 23,9%

A participação de estrangeiros entre os passageiros de cruzeiros no Brasil passou de 16,1% na temporada 2024/2025 para 23,9% em 2025/2026, em dados da Clia. No mundo, os cruzeiros levaram 37,2 milhões de passageiros em 2025, o terceiro recorde consecutivo da série histórica, e a associação projeta alta contínua até o fim da década.

Feliciano quer usar essa tendência para atrair mais turistas internacionais ao país. “Temos a costa mais atrativa da América do Sul, e os cruzeiros funcionam como uma grande vitrine flutuante do nosso país para o mundo. Quando o turista desembarca e vivencia a cultura e a hospitalidade local, ele movimenta a economia e se torna um promotor dos destinos”, diz o ministro.

O presidente executivo da Clia no Brasil, Marco Ferraz, atribui parte do aumento da oferta ao cenário externo. “A oferta, 24% maior, representa uma retomada importante, também favorecida por circunstâncias do mercado internacional”, afirma. Ferraz não detalhou quais circunstâncias e disse que a entidade quer avançar com o poder público e as empresas em infraestrutura, competitividade e segurança jurídica.

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