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Novo exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil; veja como funciona

Fonte: istoe.com.br | Data: 30/10/2026 11:32:41

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Teste identifica proteína associada à doença e pode facilitar a investigação de alterações cerebrais; procedimento ainda não substitui avaliação médica

Um novo exame de sangue para auxiliar na investigação da doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil. A tecnologia, disponibilizada pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, identifica no sangue uma proteína associada a alterações cerebrais características da doença.

O teste representa um avanço na busca por métodos menos invasivos para investigar o Alzheimer, condição neurodegenerativa que compromete progressivamente a memória, o raciocínio e outras funções cognitivas.

A novidade começou a ser oferecida em 15 de outubro e voltou a ganhar destaque nesta sexta-feira (30), diante das possibilidades de ampliar o acesso ao diagnóstico.

Apesar do avanço, especialistas ressaltam que o resultado do exame não é suficiente, isoladamente, para confirmar ou descartar a doença.

Como funciona o novo exame?

O procedimento utiliza uma amostra de sangue para medir a presença da proteína p-tau217.

Essa proteína é considerada um biomarcador, ou seja, um indicador biológico que pode ajudar os médicos a identificar alterações relacionadas ao Alzheimer.

Concentrações elevadas de p-tau217 estão associadas a processos cerebrais característicos da doença, incluindo o acúmulo anormal de proteínas.

A análise é realizada por uma tecnologia de alta sensibilidade, capaz de detectar pequenas quantidades da substância no plasma sanguíneo.

O objetivo é fornecer informações complementares para que os especialistas avaliem a necessidade de outros exames e definam os próximos passos da investigação.

Exame pode reduzir necessidade de procedimentos invasivos

Tradicionalmente, a investigação de alterações relacionadas ao Alzheimer pode envolver exames de imagem e, em determinadas situações, a análise do líquido cefalorraquidiano.

A coleta desse líquido exige uma punção lombar, procedimento mais invasivo do que uma coleta convencional de sangue.

A nova tecnologia pode ajudar a selecionar os pacientes que realmente necessitam de exames adicionais.

Isso não significa, porém, que a punção lombar ou os exames de imagem deixarão de ser utilizados.

A escolha dos procedimentos depende dos sintomas, do histórico clínico e da avaliação individual de cada paciente.

Quem pode fazer o teste?

Neste momento, o exame é voltado principalmente a pessoas que apresentam queixas de memória ou alterações cognitivas identificadas em avaliação médica.

Ele não é recomendado como rastreamento indiscriminado de pessoas sem sintomas.

Isso ocorre porque dificuldades de memória podem ter diferentes causas, incluindo problemas de sono, depressão, alterações hormonais e deficiências nutricionais.

Por esse motivo, a investigação deve começar por uma consulta médica, e não pela realização isolada de um teste laboratorial.

Quanto custa o exame?

O procedimento começou a ser oferecido na rede privada, com custo informado de aproximadamente R$ 3,2 mil.

O valor pode limitar o acesso de parte da população.

Pesquisadores estudam maneiras de ampliar a utilização da tecnologia e reduzir os custos conforme a realização dos exames ganhe escala.

Também existem expectativas de avaliar sua possível incorporação aos sistemas de assistência à saúde.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de disponibilidade rotineira pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diagnóstico precoce pode ajudar no planejamento do tratamento

Identificar precocemente alterações cognitivas permite investigar causas tratáveis de esquecimento e organizar o acompanhamento médico.

Nos casos em que o Alzheimer é confirmado, o diagnóstico também ajuda pacientes e familiares a planejar os cuidados necessários.

Embora ainda não exista cura definitiva para a doença, diferentes abordagens podem contribuir para o controle dos sintomas e a qualidade de vida.

Entre elas estão o acompanhamento especializado, o tratamento de doenças associadas, a prática de atividade física e a manutenção de vínculos sociais.

A chegada do exame amplia as ferramentas disponíveis aos profissionais de saúde, mas não elimina a importância da avaliação clínica.

Da IstoÉ Saúde