Casos de queimadas no Norte e Noroeste Fluminense superam índices estaduais
Fonte: odia.ig.com.br | Data: 30/10/2026 16:27:05
O aumento das ocorrências de incêndios em vegetação no interior fluminense é considerado um desafio à fiscalização
Foto MPF/Ilustração
No quadro geral, o número de incêndios em vegetação diminuiu no Estado do Rio de Janeiro este ano; no entanto, o Norte e o Noroeste Fluminense estão entre as áreas que exigem atenção no combate às queimadas, apresentando comportamento diferente, com aumento das ocorrências durante o período analisado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ).
O cenário reforça a necessidade de intensificar a prevenção e a fiscalização, especialmente em terrenos baldios, áreas rurais, margens de rodovias e locais próximos a residências. De acordo com o balanço da Operação Extinctus 2026, divulgado pelo Corpo de Bombeiros, foram registrados 3.106 atendimentos a incêndios em vegetação em todo o estado entre 11 de junho e 9 de outubro, contra 4.667 no mesmo período de 2025, uma redução de 33,45%.
Norte e Noroeste foram as únicas regiões fluminenses que apresentaram aumento no acumulado da operação. Contudo, o levantamento não detalha o total de ocorrências de cada município das duas regiões. Porém, o monitoramento de focos de calor por satélite relaciona Campos dos Goytacazes em situação de destaque. Somente este ano, até agora foram detectados mais de 70 focos no município.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até 22 de outubro, foram contabilizados 76 focos em Campos. Na sequência vem São Francisco de Itabapoana, com 20, enquanto Itaperuna registra oito. Os números são referentes aos focos detectados pelo satélite de referência, e não necessariamente ao número de incêndios confirmados pelos bombeiros.
O CBMERJ observa que um único incêndio pode gerar vários focos de calor, e ocorrências menores também podem não ser captadas pelo sistema. O órgão alerta que os incêndios em vegetação representam motivo de preocupação para outros municípios da região, sobretudo durante períodos prolongados de estiagem, quando a vegetação seca favorece a propagação das chamas.
Os agentes chamam a atenção para o fato de que terrenos abandonados com mato alto, áreas de pastagem, restos de vegetação e margens de estradas podem se tornar pontos de risco. Eles recomendam que a origem de cada ocorrência, entretanto, precisa ser apurada: “o fogo pode resultar de ação humana intencional, queima irregular de resíduos, manejo inadequado do solo ou outras circunstâncias”.
Ameaça à saúde humana
No desdobramento do alerta, as autoridades realçam que os prejuízos ambientais vão além da destruição imediata da vegetação: “O fogo elimina abrigos e fontes de alimento para animais silvestres, mata organismos que vivem no solo, compromete a regeneração de espécies nativas e pode ampliar a erosão, especialmente em terrenos inclinados ou próximos a cursos d’água”.
Outra constatação grave é que, quando atingem fragmentos de Mata Atlântica, as chamas ameaçam ecossistemas que já sofrem com a fragmentação e a pressão da ocupação humana. Há ainda a situação de quem mora nas proximidades, com a fumaça e a fuligem liberadas podendo provocar ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse e dificuldade para respirar.
Pessoas com asma, bronquite e outras doenças respiratórias, além de crianças, idosos e pessoas com problemas cardiovasculares, são particularmente vulneráveis. Em períodos de queimadas próximas às residências, a fuligem também se deposita em telhados, quintais, roupas e outras superfícies, prejudicando a qualidade de vida dos moradores.
Fiscalização estadual
Para combater os incêndios, o governo do estado conta com a Operação Extinctus, do Corpo de Bombeiros, criada para preparar e mobilizar as unidades operacionais durante a estiagem. Em 2026, a corporação contabilizou aproximadamente 4.700 horas de trabalho na operação. A iniciativa está voltada ao atendimento e ao combate ao fogo, mas não deve ser confundida, automaticamente, com uma força-tarefa específica de investigação e punição dos responsáveis pelas queimadas.
Na área de fiscalização ambiental atuam o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e o Comando de Polícia Ambiental. Em setembro, o estado divulgou os resultados da Operação Mata Atlântica em Pé 2026: foram fiscalizados 168 alertas de desmatamento em 64 municípios, com vistorias, medidas administrativas e mais de R$ 800 mil em multas.
De acordo com a legislação, provocar incêndio em mata ou floresta pode configurar crime ambiental, conforme o artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998, com pena de reclusão de dois a quatro anos e multa. Na modalidade culposa, quando não há intenção de provocar o incêndio, a pena prevista é de detenção de seis meses a um ano e multa. O enquadramento depende das circunstâncias apuradas e das características da área atingida.