Previsão do tempo em SC indica calor, temporais e El Niño forte
Fonte: rededenoticiasacaert.com.br | Data: 30/10/2026 16:10:08
Santa Catarina terá um fim de semana e feriado de Finados com sol entre nuvens, calor e possibilidade de temporais isolados. Segundo a Defesa Civil, as temperaturas podem chegar a 30 °C até segunda-feira (2). Além disso, a previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica chuvas frequentes, sob influência de um El Niño muito forte.
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Santa Catarina terá calor de até 30 °C e temporais isolados no feriado de Finados. O El Niño muito forte deve manter chuvas frequentes até janeiro, principalmente no Oeste. A Defesa Civil registrou ocorrências em 84 municípios em outubro e reforça a orientação preventiva.
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O cenário exige atenção, principalmente devido ao risco de alagamentos, enxurradas e tempestades. A previsão para os próximos meses também aponta possibilidade de volumes de chuva acima da média, especialmente no Oeste catarinense.
O 247º Fórum Climático Catarinense analisou essas condições. O encontro reuniu meteorologistas da Defesa Civil, Epagri/Ciram, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Fim de semana e feriado de Finados terão calor e temporais isolados
A sexta-feira (30) começou com céu nublado e chuva em algumas regiões. Entretanto, a previsão indica diminuição da chuva ao longo do dia, embora a nebulosidade permaneça.
Já no sábado (31) e no domingo (1º de novembro), o sol volta a aparecer entre nuvens. Com isso, as temperaturas sobem gradualmente em Santa Catarina.
No Grande Oeste, os termômetros podem chegar a 25 °C no sábado e se aproximar dos 30 °C no domingo. Enquanto isso, as demais regiões devem registrar máximas entre 22 °C e 25 °C. A meteorologista da Defesa Civil, Nicolle Reis, explica que o aquecimento favorece a formação de temporais localizados.
“Com o aquecimento ao longo do dia, o ar quente e úmido pode provocar pancadas de chuvas passageiras e bem localizadas, especialmente no Grande Oeste”
Por Nicolle Reis
Meteorologista da Defesa Civil
Segundo Nicolle, a população também deve acompanhar as condições meteorológicas durante o feriado.
“Na segunda-feira, a condição permanece bastante semelhante. Também com temporais isolados entre a tarde e noite, condição bem típica dessa época do ano e calor durante a tarde”, destaca.
Na segunda-feira (2), as máximas variam entre 25 °C e 30 °C em todo o estado. Apesar do predomínio de sol durante parte do dia, os temporais podem provocar alagamentos pontuais.
Por isso, Nicolle reforça a importância de acompanhar os alertas oficiais. Os moradores também podem receber avisos no celular enviando uma mensagem de texto com o CEP para 4199.
El Niño deve manter chuva acima da média nos próximos meses
Além da previsão para o feriado, a Defesa Civil alerta para a continuidade das chuvas entre novembro e janeiro. Segundo o meteorologista Caio Guerra, o El Niño está ativo desde junho e já influencia as condições meteorológicas em Santa Catarina.
Em entrevista, ele explicou que o fenômeno provocou chuva acima da média em diferentes períodos, além de tempestades de granizo em regiões pouco habituadas a esse tipo de ocorrência. Entretanto, os efeitos não atingem todos os municípios da mesma maneira.
“O El Niño tem trazido efeito e a população tem sentido em algumas formas. Mas falando de outubro especificamente, apesar de ter sido um mês com frequência de chuva, o tempo bastante nublado, as temperaturas ficaram mais baixas por conta disso”
Por Caio Guerra
Meteorologista da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil
O meteorologista destaca que outubro apresentou diferenças importantes entre as regiões catarinenses. Enquanto algumas áreas tiveram chuva abaixo do normal, outras enfrentaram volumes elevados.
No Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte e Litoral Norte, os acumulados chegaram a superar duas ou três vezes a média mensal em determinados locais.
“O que aconteceu foi que foi uma chuva recorrente, espaçada, mas ainda assim teve efeitos nessas regiões. Então, foram reportados danos associados a alagamentos, algumas enxurradas pontuais em rios menores e também muitos danos associados a ventos intensos por conta dessas tempestades”, relata.
Segundo Guerra, essa diferença regional também apareceu em outros estados do Sul, especialmente no Paraná.
Novembro terá mais chuva na segunda quinzena, aponta Defesa Civil
O El Niño deve continuar influenciando o tempo durante os próximos meses. Por isso, Caio Guerra orienta atenção às mudanças no padrão das chuvas. Segundo ele, novembro ainda apresentará características típicas da primavera, com atuação de frentes frias e ciclones.

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A primeira quinzena deve registrar menos episódios de chuva. Contudo, a tendência indica aumento da frequência e dos volumes na segunda metade do mês.
“Ao longo do mês de novembro, a gente espera chuva, sim, acima da média, principalmente na segunda quinzena. Essa primeira quinzena de novembro a gente vê menos episódios de chuva, não ausência de chuva, mas menos episódios de chuva”, explica.
Além disso, os dias mais nublados tendem a manter as temperaturas amenas até o fim da primavera, em 21 de dezembro. Entretanto, o cenário começa a mudar com a chegada do verão.
“Ao longo da primavera, agora no mês de novembro, as chuvas ocorrem por conta das frentes frias, dos ciclones. Então você tem esses dias mais nublados, tem essa chuva que ocorre a qualquer hora do dia”, explica Guerra.
Calor e temporais de verão elevam risco de alagamentos e enxurradas
Entre dezembro e janeiro, as temperaturas devem subir de maneira mais significativa. Além disso, o calor favorece temporais concentrados entre a tarde e o início da noite. Segundo Caio Guerra, essa mudança altera as características das chuvas e exige atenção aos impactos locais.
“Já no verão, mais para o final do ano e início de 2027, o padrão são dessas pancadas de verão, esses temporais que ocorrem entre a tarde e o início da noite”, explica.
O meteorologista acrescenta que o aquecimento pode provocar mudanças rápidas nas condições do tempo.
“São dias quentes, com sol, e rapidamente tem aquela mudança no final da tarde, que traz um risco alto para alagamentos e enxurradas”, alerta.
Historicamente, dezembro e janeiro concentram um número elevado de ocorrências relacionadas às condições meteorológicas. Por isso, mesmo quando as tempestades atingem áreas menores, a população deve acompanhar os avisos da Defesa Civil.

El Niño muito forte pode continuar ativo até o outono de 2027
O 247º Fórum Climático Catarinense também analisou a intensidade do El Niño e seus possíveis efeitos no Sul do país. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 96% de probabilidade de o fenômeno permanecer na categoria muito forte até fevereiro de 2027.
Além disso, a tendência indica perda gradual de intensidade entre fevereiro e abril. Mesmo assim, o El Niño poderá continuar ativo até o início do outono.
A categoria muito forte ocorreu após as anomalias de temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ultrapassarem 2 °C. Segundo a NOAA, o índice chegou a 2,5 °C na média semanal mais recente informada. Caio Guerra reforça que a influência do fenômeno exige atenção durante todo o período.
“O El Niño deve continuar ativo pelo menos até o outono do ano que vem, 2027. Então, todos os próximos meses são meses de bastante atenção”
Por Caio Guerra
Meteorologista da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil

Outubro registrou chuva intensa e ocorrências em 84 municípios
Santa Catarina já registrou impactos associados às chuvas durante outubro. Segundo a Defesa Civil, 84 municípios contabilizaram ocorrências relacionadas a vendavais, chuva intensa, granizo, alagamentos e enxurradas.
Entre os municípios com maiores volumes estão Anchieta, com 430 milímetros, e Maravilha, com 379 milímetros. No Litoral Norte, Garuva acumulou 395 milímetros, enquanto Joinville registrou 365 milímetros.
Entretanto, o excesso de chuva não atingiu todas as regiões. Áreas do Litoral Sul, Planalto Sul, Grande Florianópolis e Baixo Vale do Itajaí tiveram acumulados abaixo da média. Para Caio Guerra, essa distribuição mostra a importância de analisar o fenômeno de forma regionalizada.
“O El Niño está, sim, fazendo efeito. Ele só não atinge todos os municípios, todas as regiões do Sul do Brasil da mesma forma”, ressalta.
Dessa maneira, a previsão de volumes acima da média não significa que todos os municípios enfrentarão os mesmos riscos.
Defesa Civil orienta população a acompanhar riscos de cada região
Diante da previsão de chuva frequente e temporais, a Defesa Civil recomenda acompanhar diariamente os avisos meteorológicos. Segundo Caio Guerra, as condições podem mudar conforme a atuação de frentes frias, ciclones e tempestades.
“O primeiro é acompanhar o cenário previsto semana a semana, que a gente vai entendendo quais os riscos esperados. Quando a gente olha de mais longe, você só tem uma ideia geral”, explica.
Além disso, o meteorologista destaca que cada tempestade apresenta características diferentes.
“Nem toda chuva traz os mesmos riscos: às vezes é uma tempestade com vento forte, às vezes é uma tempestade com muita água, com risco de alagamento”, afirma.
Por isso, o morador deve conhecer as características da região onde vive. Áreas próximas a rios exigem atenção a alagamentos e inundações. Já as regiões de encosta apresentam maior risco de deslizamentos.
Em caso de chuva intensa, a Defesa Civil orienta a população a não atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos. Também recomenda atenção a rachaduras em paredes, movimentações de terra e inclinação de árvores e postes.
Durante temporais com raios, vento forte e granizo, os moradores devem buscar abrigo longe de árvores, placas e objetos que possam ser arremessados.
Por fim, Guerra reforça a importância de acompanhar as informações oficiais e identificar os riscos específicos de cada localidade.
“É muito importante a população entender qual é o risco da sua região, procurar essas informações com o município e aí se antecipar para cada um dos avisos meteorológicos que a Defesa Civil emitir”, conclui.
*Com informações Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina – SDC/SC

