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Fonte: odia.ig.com.br | Data: 30/10/2026 21:28:09

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A professora Ana Claudia Pinto, 40, e sua filha, Maria Eduarda, de 13 anosFotos de Reginaldo Pimenta

Eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemoraram a reeleição do mandatário ao cargo e atribuíram o resultado da votação, realizada neste domingo (25), à união e articulação do povo nas ruas do Brasil. Eles afirmaram a O DIA, no Largo da Carioca, Centro do Rio, na manhã desta segunda-feira (26), que o pleito foi uma resposta da população a propostas do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

A professora Ana Claudia Pinto, de 40 anos, destacou que “não foi uma eleição fácil”. “Foi muito difícil, tensa, mas que a gente pôde mostrar a força do povo. Acho que a democracia venceu. O mais importante é isso. Direitos que já conquistamos com muita luta e decidimos mantê-los”, disse.

Na avaliação de Ana Claudia, uma vitória de Flávio representaria um “retrocesso”. “Eu, enquanto mulher preta, mãe de uma menina preta, professora de muitas crianças pretas, perderia muito com esse avanço do que representa o outro candidato. Perda de direitos, respeito. Isso ele demonstrou durante toda a campanha dele”, explicou, acompanhada de sua filha, Maria Eduarda, de 13 anos.

A professora classificou a união como o principal fator que causou a virada do primeiro para o segundo turno. Quem concorda com esse pensamento é a pesquisadora Bárbara Pinheiro, 31, que também avaliou como a estratégia do PT no segundo turno mudou.

“Acho que teve dois pontos. Um deles foi a articulação do povo na rua. As pessoas se uniram, um movimento muito espontâneo. Ainda que tenha tido a participação do PT nesse segundo ato em Copacabana, acho que teve uma conscientização da população como um todo. E também, uma mudança de estratégia política do primeiro para o segundo turno. Houve uma movimentação nas redes, que estava muito fraca.”

Lula conseguiu uma virada inédita na democracia brasileira. Após perder no primeiro turno para Flávio por 47,03% a 45,16%, o presidente reverteu o resultado no pleito decisivo para 51,79% a 48,21%, com 64.256.232 votos – um aumento de mais de 10 milhões de votos em comparação ao primeiro turno – contra 59.826.041 votos do seu adversário.

Bárbara disse estar “muito contente” com o resultado. “Acho que foi a vitória da democracia, da continuidade da garantia dos nossos direitos: saúde pública, educação, todos os direitos que foram conquistados nos últimos anos.”

‘Mais do que justo’

Na opinião do motorista Wellington Branco, 52, o povo mostrou nas urnas que “a democracia sempre vai prevalecer”. Ele também destacou a importância da fala de Lula no debate da TV Globo, na última sexta-feira (23), quando Flávio o chamou de “nove dedos” e o presidente rebateu.

“O povo passou a enxergar com outros olhos no segundo turno. O debate final foi muito importante. O presidente Lula demonstrou que com nove dedos, se pode trabalhar, ele provou que o povo pode trabalhar com nove dedos”, disse.

A vendedora Priscila Carneiro, 49, avaliou que o resultado das eleições foi “mais do que justo”. “Eu estava muito ansiosa. Ontem foi bem difícil durante o resultado da votação, mas graças a Deus ele ganhou”, afirmou.

Priscila também concorda que o povo ajudou na virada. “Todo mundo ter acordado, ter entrado em todas essas manifestações, todo mundo ter entrado e começado a correr atrás, ajudando todo mundo a ter consciência.”

O projetista Jorge Assis, 64, disse que Lula “mereceu ganhar”. “O que todo mundo esperava era isso, a maioria das pessoas. Estou muito feliz com isso. Acho que foi a movimentação do povo na rua. Isso contribuiu muito”, destacou. Já Nilson Batista, 59, que trabalha na área contábil, classificou o resultado como “maravilhoso” e “justo”.

‘Eleição fluiu normalmente’

A eleição também ficou marcada pela prorrogação da votação em duas horas, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin. A medida foi tomada após o PT denunciar problemas no transporte de eleitores em diversos estados do país. O PL também solicitou o aumento do horário de votação, alegando questões relacionados às condições climáticas em ao menos cinco estados.

Hudson Fernandes, 55, que trabalha no setor de RH de uma empresa, opina que a medida não interferiu no resultado final da eleição.

“Se as urnas que estavam abertas receberam alguém, ou a pessoa foi só para justificar o voto, teve essas duas horas. Eu acredito profundamente que pela contagem das urnas já lacradas às 17h, não alterou os votos. Não são 4 milhões de votos que surgiram em duas horas, depois que as urnas já estavam lacradas. Acho que a eleição foi legítima, ela fluiu normalmente conforme o Tribunal nos orientou e foi mediador de toda essa eleição.”

Hudson também afirmou que o resultado foi justo e afirmou que os cidadãos devem seguir ativos na fiscalização e cobrança de Lula nos próximos quatro anos.

“Se ele foi eleito com um certo programa, tem que ficar de olho e ir atrás. Já tivemos impeachment lá atrás, pode ser que tenhamos um novo impeachment se isso não for cumprido. Mas gostaria muito de ver essa massa da população fiscalizando conforme ela participou das campanhas. Não adianta ir para uma campanha, participar como se fosse um jogo de futebol e quando acabou, todo mundo some. O povo tem que acompanhar e cobrar para que isso se torne realidade.”

* Colaborou Reginaldo Pimenta