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Itamaraty convoca representante argentina para esclarecer viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Fonte: imparcialnews.com.br | Data: 31/10/2026 00:44:47

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A encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, foi chamada pelo Ministério das Relações Exteriores para explicar as circunstâncias da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. A reunião ocorreu na tarde de quinta-feira (29), em Brasília.

Cortés conversou com João Marcelo Galvão de Queiroz, chefe do Departamento do Mercosul do Itamaraty. O governo argentino confirmou que o senador e os familiares embarcaram em um avião particular que saiu da Argentina na noite de terça-feira (27).

Diplomatas que acompanharam o encontro disseram que a representante argentina ficou de levar ao governo de Javier Milei as informações discutidas. Segundo eles, a convocação faz parte do procedimento habitual em situações semelhantes e não há medidas imediatas previstas. Novos encaminhamentos dependerão do andamento das apurações.

A orientação interna do governo brasileiro é encerrar a discussão sobre a saída do senador e evitar novos embates públicos com a Argentina por causa do episódio.

De acordo com o blog de Valdo Cruz, do g1, interlocutores recomendaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que deixe de comentar o caso, concentre-se na busca pelo quarto mandato e reforce que a situação de Flávio Bolsonaro deve ser tratada pelo Judiciário.

Trajeto até os Estados Unidos

Flávio desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas. O grupo utilizou um jato privado que saiu da Argentina e fez uma parada no Equador.

A viagem começou quando a família entrou na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, ligação entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na província de Misiones. A travessia ocorreu na noite de terça-feira (27).

A Direção Nacional de Migrações argentina informou que os quatro passaram pela fronteira às 22h50, no horário de Brasília. O órgão afirmou que todos apresentaram documentos válidos e não tinham restrições legais para ingressar no país.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, o senador e a família embarcaram em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. A aeronave pertence à Baires Fly, empresa argentina de voos particulares.

O jato decolou de Puerto Iguazú às 0h22 de quarta-feira e seguiu por uma rota que passou sobre Paraguai, Bolívia e Peru, sem cruzar o espaço aéreo brasileiro. Às 5h46, também pelo horário de Brasília, pousou em Guayaquil, no Equador.

A permanência em solo equatoriano durou menos de uma hora. O avião partiu novamente às 6h22 com destino aos Estados Unidos e chegou às 10h24 ao Aeroporto Executivo de Fort Lauderdale, na Flórida, na região de Miami.

Saída do Brasil

Flávio deixou o país depois que o Supremo Tribunal Federal determinou a entrega dos passaportes à Polícia Federal. A ordem foi proferida em uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em um suposto esquema relacionado a empresas de Tomaz e a bets.

Flávio e Tomaz reconhecem que são amigos, mas negam ter uma sociedade ou cometido irregularidades.

Na terça-feira (27), um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que Flávio e os familiares receberiam vistos e poderiam entrar no país.

Dados consultados no sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, conhecido pela sigla CBP, indicam que o senador foi autorizado a permanecer por um ano. O registro classifica a entrada com o código DT.

A classificação é utilizada para autorizações temporárias, geralmente relacionadas a questões humanitárias.

O g1 procurou a agência americana para esclarecer a situação migratória do senador, mas não recebeu resposta até a atualização do material.

A mesma consulta apontou que Flávio entrou nos Estados Unidos usando um passaporte diplomático que já havia sido cancelado.

Polícia Federal apontou risco de fuga

Antes da viagem, a Polícia Federal havia informado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que existiam riscos concretos e atuais de Flávio deixar o Brasil. A corporação pediu a apreensão do passaporte e a proibição de saída do território nacional.

Na avaliação apresentada pela PF, três fatores sustentavam a possibilidade de o senador deixar o país alegando perseguição política:

  • uma declaração pública de Eduardo Bolsonaro, deputado cassado, na qual recomendava que o irmão saísse do Brasil;
  • o poder econômico considerado expressivo;
  • a existência de estruturas no exterior capazes de permitir uma permanência prolongada.

O pedido da Polícia Federal também mencionou uma fala de Eduardo Bolsonaro em defesa da saída do irmão caso ele perdesse a disputa pelo Palácio do Planalto. O documento lembrou ainda que o deputado cassado havia sido condenado por coação no curso do processo. No texto, os investigadores escreveram:

“Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”