Acidente com avião da TAM que deixou 99 mortos completa 30 anos
Fonte: cnnbrasil.com.br | Data: 31/10/2026 03:39:11
O acidente com o voo 402 da TAM, que matou 99 pessoas em São Paulo, completa 30 anos neste sábado (31). Em 31 de outubro de 1996, um Fokker 100 caiu segundos depois de decolar do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
As 95 pessoas que estavam a bordo, sendo 89 passageiros e seis tripulantes, morreram. Outras quatro pessoas que estavam em solo também foram vítimas do acidente, que, no total, deixou 99 mortos.
Segundo um relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), durante a decolagem e logo após sair do solo, a tripulação teria sido surpreendida por uma “circunstância anormal”, interpretada como uma indicação de “falha do sistema”.
O relatório final de investigação ainda aponta que testemunhas chegaram a relatar “movimentações anormais no reversor de empuxo do motor direito”, sistema usado para auxiliar na desaceleração do avião durante o pouso.
Assim, teria sido como acionar o freio no momento em que a aeronave precisava acelerar para ganhar mais sustentação.
“No caso desse acidente, deve-se acrescentar a deterioração de desempenho resultante da redução do motor esquerdo por quatro segundos e a demora, por mais outros quatro, em retomar a potência de decolagem. O rolamento resultante nos últimos segundos do vôo é consistente com as condições de estol [quando a aeronave perde sustentação]”, destacou o documento.
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A aeronave permaneceu no ar por cerca de 24 segundos antes de atingir três prédios e cair em cima de diversas casas na Rua Luís Orsini de Castro, no bairro do Jabaquara. Após a queda, a aeronave pegou fogo.
O relatório também apontou condições meteorológicas favoráveis, pista adequada à operação e aeronave dentro dos limites de peso e balanceamento, aspectos que não foram destacados como causas do acidente.
Dinâmica do acidente
Segundo a análise do Cenipa, a tripulação iniciou a decolagem sem identificar anormalidades. No entanto, durante a decolagem ainda na pista, o sistema de aceleração automática (autothrottle) apresentou falhas e foi desativado.
Nesse momento, o comandante da aeronave comentou repetidas vezes que o equipamento estava fora de operação. De acordo com o relatório, a falha não exigia a interrupção da decolagem, já que os pilotos poderiam controlar manualmente a potência dos motores.
Pouco depois, o copiloto confirmou que a potência necessária para a decolagem havia sido ajustada. Nos primeiros instantes após a aeronave deixar o solo, o profissional afirmou que uma das alavancas usadas para controlar a potência dos motores do avião havia travado.
Para o Cenipa, a fala foi uma possível referência à dificuldade de manusear o equipamento de potência, momento que teria antecedido a perda de desempenho da aeronave. Confira a transcrição do diálogo entre o piloto e o copiloto:
08:26:04 – [soa sinal sonoro simples na cabine] Comandante comenta que um dos sistemas [autothrottle] estava desligado.
08:26:04 – Copiloto: “Manual”.
08:26:10 – soa segundo alerta sonoro.
08:26:15 – Comandante volta a avisar que o autothrottle estava desligado.
08:26:40 – Copiloto: “Travou”. Para o Cenipa, é provável que o profissional estivesse se referindo à dificuldade de movimentar para a frente uma das alavancas de controle.
Momentos depois, em uma das tentativas de avançar a alavanca do motor direito, houve uma desconexão de um cabo do sistema de controle. Com isso, a manete avançou, e o motor acelerou, mas o reversor continuou aberto.
08:26:55 – alerta de estol [stick shaker] foi acionado.
08:26:56 – Comandante: “Ai meu Deus”.
No segundo seguinte, o sistema de alerta de proximidade com o solo emitiu o aviso “Don’t Sink” [“não afunde”].
08:27:01 – a gravação da cabine termina.
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“Há 30 anos, perdi o homem com quem sonhava envelhecer”
Sandra Assali, presidente na Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vitimas de Acidentes Aéreos), perdeu o marido José Rahal Abu Assali, de 45 anos, no acidente aéreo. Menos de um ano após a queda, Sandra se tornou presidente da associação.
No dia do acidente, José seguia para o Rio de Janeiro, onde participaria de um congresso de cardiologia para ministrar uma palestra. Sandra levou o marido ao aeroporto para que ele embarcasse.
“Há 30 anos, perdi o homem com quem sonhava envelhecer. Encontrei, no caminho mais doloroso da minha vida, uma missão que me ensinou a continuar: transformar a memória em prevenção, a dor em acolhimento e o amor em compromisso com outras vidas”, disse Sandra em uma publicação nas redes sociais.
José deixou dois filhos que, na época do acidente tinham 4 e 7 anos de idade.
“José faz parte da minha história, da história dos nossos filhos e da razão pela qual sigo trabalhando por outras famílias. Sua ausência deixou uma saudade que o tempo não apagou. Mas a vida que construí depois daquela perda também me ensinou que o amor pode continuar presente nas escolhas que fazemos e no compromisso que assumimos com o próximo”, concluiu.