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China coloca em operação maior sistema de armazenamento de energia em ar líquido do mundo

Fonte: brasil247.com | Data: 31/10/2026 07:03:13

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247 – A China deu mais um passo na expansão de sua infraestrutura de energia limpa com a entrada em operação do maior projeto de armazenamento de energia em ar líquido do mundo. Localizada em Golmud, na província de Qinghai, no noroeste do país, a instalação tem capacidade de 60 megawatts (MW) e foi conectada à rede elétrica na sexta-feira (30), iniciando a geração de eletricidade.

Segundo informações do Global Times, com base em reportagem da emissora estatal CCTV News e em dados do China Green Development Investment Group (CGDG), responsável pelo investimento e pela construção, o empreendimento representa um avanço na aplicação comercial de tecnologias capazes de armazenar eletricidade por longos períodos. O sistema também se destaca por utilizar exclusivamente equipamentos fabricados na China, resultado do desenvolvimento de uma cadeia tecnológica nacional.

A instalação foi projetada para absorver aproximadamente 600 mil quilowatts-hora (kWh) de eletricidade limpa diariamente. A expectativa é que sua produção anual alcance 180 milhões de kWh, volume equivalente ao consumo de cerca de 30 mil residências durante um ano.

O empreendimento amplia a capacidade chinesa de aproveitar a eletricidade produzida por fontes renováveis, especialmente em períodos nos quais a geração supera a demanda. Ao armazenar essa energia para utilização posterior, o sistema contribui para reduzir desperdícios e aumentar a estabilidade do abastecimento.

Tecnologia transforma ar em líquido a quase 200 graus negativos

O funcionamento da instalação utiliza um processo de resfriamento extremo, no qual o ar é comprimido e submetido a temperaturas de até 194 graus Celsius negativos, transformando-se em líquido.

Durante os períodos de menor consumo de eletricidade, a energia disponível é empregada na compressão e liquefação do ar, que permanece armazenado em condições apropriadas. Quando a demanda aumenta, o líquido é aquecido, retorna ao estado gasoso e se expande, movimentando turbinas responsáveis pela geração de eletricidade.

Esse mecanismo permite deslocar o uso da energia no tempo, armazenando parte da produção em momentos de maior disponibilidade para liberá-la quando o sistema elétrico necessita de reforço.

Uma das vantagens da tecnologia é sua menor dependência de condições geográficas específicas. Diferentemente das usinas hidrelétricas reversíveis, que utilizam reservatórios em diferentes altitudes para armazenar energia por bombeamento, o armazenamento em ar líquido pode ser implantado em locais que não apresentam essas características naturais.

A tecnologia também oferece possibilidades de armazenamento em grande escala e por períodos prolongados, características importantes para sistemas elétricos com participação crescente de fontes renováveis.

China desenvolve 100% dos equipamentos utilizados

Outro aspecto destacado pela CGDG é a autonomia tecnológica alcançada na construção do empreendimento. De acordo com a companhia, todos os componentes empregados no projeto foram produzidos na China, incluindo equipamentos industriais de grande porte.

A empresa informou ainda que a instalação incorpora tecnologias desenvolvidas nacionalmente, sobre as quais possui direitos independentes de propriedade intelectual.

Segundo a CGDG, Golmud ocupa a primeira posição mundial entre os empreendimentos de armazenamento de energia em ar líquido tanto em potência instalada quanto em capacidade de armazenamento.

O engenheiro-chefe da companhia, Ji Wei, explicou que o projeto conseguiu completar todas as etapas necessárias ao funcionamento integrado do sistema, desde o processamento inicial do ar até a geração de eletricidade.

De acordo com informações divulgadas pela CCTV News, Ji destacou a conclusão do processo de “compressão, liquefação, armazenamento e geração de energia”, além da integração operacional dos fluxos de frio, calor, eletricidade e gás.

Durante a construção, os engenheiros chineses também desenvolveram equipamentos industriais de grandes dimensões. Entre eles estão, segundo Ji, o maior compressor centrífugo horizontal de carcaça bipartida do mundo e um expansor de líquido com a maior vazão por unidade.

O desenvolvimento desses componentes é considerado importante para a ampliação da escala industrial da tecnologia, uma vez que equipamentos de alta capacidade são necessários para tornar viáveis projetos de armazenamento de longa duração.

Instalação fortalece integração das energias renováveis

A entrada em operação do sistema de Golmud também deverá contribuir para a modernização da infraestrutura elétrica chinesa, em um cenário de expansão acelerada da geração renovável.

Segundo a CGDG, o empreendimento poderá desempenhar funções como absorver excedentes de eletricidade de fontes renováveis, auxiliar no gerenciamento dos picos de demanda de usinas termelétricas e aproveitar o gás natural liquefeito como fonte de energia fria em processos industriais.

A possibilidade de integrar diferentes fluxos energéticos constitui uma das características do projeto. Além de armazenar eletricidade, a instalação permite coordenar processos térmicos e industriais, ampliando as possibilidades de utilização da tecnologia.

O armazenamento de longa duração é particularmente relevante para fontes como a solar e a eólica, cuja produção varia conforme as condições meteorológicas e os horários do dia. Sistemas capazes de conservar grandes quantidades de energia permitem compensar parte dessas oscilações e melhorar o equilíbrio entre geração e consumo.

Nesse contexto, a experiência de Golmud poderá servir como referência para outros empreendimentos, especialmente em regiões com grande capacidade de produção renovável e necessidade de infraestrutura adicional de armazenamento.

Capacidade chinesa de armazenamento cresce 40 vezes em cinco anos

A inauguração ocorre em meio à rápida expansão do setor de armazenamento energético da China. Dados divulgados pela Administração Nacional de Energia indicam que a capacidade instalada de novos sistemas de armazenamento no país chegou a 136 gigawatts (GW) ao final de 2025.

O resultado representa um crescimento de 84% em relação ao ano anterior. Na comparação com o encerramento de 2020, a capacidade instalada aumentou aproximadamente 40 vezes, demonstrando a velocidade dos investimentos chineses nesse segmento.

A ampliação da infraestrutura acompanha o esforço do país para construir um sistema elétrico capaz de incorporar parcelas cada vez maiores de energia renovável, sem comprometer a segurança e a continuidade do fornecimento.

O projeto de Qinghai representa, nesse cenário, uma experiência de aplicação industrial em grande escala de uma tecnologia ainda emergente. Sua operação permitirá avaliar o desempenho de equipamentos nacionais e a viabilidade de replicação do modelo em outras regiões.

Além de contribuir para o aproveitamento da geração limpa, o empreendimento poderá impulsionar uma cadeia industrial especializada em compressores, sistemas criogênicos, equipamentos de armazenamento e turbinas.

Com a instalação de Golmud conectada à rede elétrica, a China amplia seu domínio sobre uma tecnologia estratégica para a transição energética e avança na busca de soluções industriais para sustentar a expansão das fontes renováveis e cumprir suas metas de redução das emissões de carbono.