Santa Catarina acumula projetos ferroviários, mas novas obras ainda não têm previsão
Fonte: peperi.com.br | Data: 31/10/2026 09:32:01

Santa Catarina está há quase seis décadas sem inaugurar uma nova ferrovia. A última linha construída no Estado foi o ramal entre Lages e Vacaria, no Rio Grande do Sul, com 110 quilômetros de extensão, inaugurado em março de 1969. Desde então, diferentes projetos foram planejados, principalmente para ligar o Oeste ao Litoral, mas nenhum saiu do papel.
Atualmente, o Estado conta com duas ferrovias em operação para o transporte de cargas. Não há circulação regular de trens de passageiros, modalidade que ocorre apenas em serviços turísticos.
Entre os projetos em andamento está a ligação ferroviária entre Chapecó e Correia Pinto, com 319 quilômetros de extensão. A obra tem custo estimado em R$ 15 bilhões, principalmente pela necessidade de construção de túneis e pontes. Também está em desenvolvimento o projeto da Ferrovia dos Portos, que prevê uma ligação de 62 quilômetros entre Araquari e Navegantes, com investimento estimado em pelo menos R$ 1,5 bilhão.
Os dois estudos foram iniciados em 2022 e já estão concluídos, mas passam por revisão. Juntos, custaram R$ 36,7 milhões aos cofres do Governo de Santa Catarina.
Um dos principais desafios para a implantação das ferrovias é o custo elevado. A estimativa nacional é de aproximadamente R$ 30 milhões por quilômetro. Por isso, os investimentos dependem da participação da iniciativa privada e de recursos dos governos estadual e federal.
Outro ponto considerado fundamental pelo Governo do Estado é a recuperação do Tronco Principal Sul, trecho ferroviário entre Mafra e Lages que está fora de operação. A estrutura faz parte da malha ferroviária nacional e sua requalificação permitiria conectar futuros projetos catarinenses ao restante do país.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, destaca que a recuperação da linha é essencial tanto para retomar sua utilização quanto para viabilizar novas conexões ferroviárias em Santa Catarina.
Além da ligação entre Chapecó e Correia Pinto, existem planos para estender a ferrovia até o complexo portuário de Itajaí e Navegantes. Também há interesse na implantação de uma conexão ferroviária para atender à região portuária de Itapoá. Uma das diretrizes do Governo Jorginho Mello é garantir acesso ferroviário a todos os portos catarinenses. Atualmente, apenas São Francisco do Sul conta com essa ligação.
O Estado aguarda a conclusão de um estudo contratado pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), em parceria com o BRDE, sobre o futuro da malha ferroviária dos estados do Sul. O levantamento deverá servir de base para novas negociações com o Governo Federal.
Santa Catarina também manifesta discordância em relação ao modelo proposto pelo Ministério dos Transportes para dividir a Malha Sul em lotes. O Estado chegou a adotar medidas judiciais para tentar suspender audiências públicas e apresentou representação ao Tribunal de Contas da União.
A previsão do Ministério dos Transportes é realizar a licitação da nova concessão da Malha Sul em 2028. Inicialmente, o leilão estava previsto para 2026, mas o cronograma foi adiado, com possibilidade de prorrogação da atual concessão por mais dois anos.
Para o secretário Ivan Amaral, caso o modelo de divisão da malha ferroviária não seja revisto, existe o risco de alguns lotes não atraírem investidores. Isso poderia dificultar ainda mais a expansão ferroviária em Santa Catarina, já que a conexão dos futuros projetos com a malha nacional depende da recuperação da estrutura existente.
Fonte: NSC Total




