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Flávio Bolsonaro entra para lista de políticos ‘conservadores’ abrigados em Miami

Fonte: brasil247.com | Data: 31/10/2026 12:04:15

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247 – A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o sul da Flórida, nos Estados Unidos, após a derrota eleitoral e o descumprimento de decisões judiciais no Brasil reforça uma tradição política de longas décadas. Ao desembarcar em solo norte-americano, o parlamentar investigado por lavagem de dinheiro e corrupção passa a integrar a lista de autocratas e lideranças da direita latino-americana que escolheram a região como refúgio, informa a DW.

A movimentação do parlamentar começou quando ele descumpriu a ordem judicial de entrega de seu passaporte e realizou uma travessia pela fronteira terrestre rumo à Argentina. De lá, embarcou em um avião fretado que fez escala no Equador antes de pousar na Flórida. Já em solo norte-americano, Flávio divulgou nota autodeclarando-se “presidente eleito” — emulando a atitude de Juan Guaidó em 2019 —, embora tenha recuado posteriormente para adotar o termo “líder do Brasil”. Curiosamente, Guaidó assinou declaração ao lado do ex-presidente argentino Mauricio Macri reconhecendo a vitória do presidente Lula (PT).

A trajetória de Miami como refúgio para políticos conservadores da região começou em 1937, com a chegada do cubano Gerardo Machado, apelidado de “Mussolini dos Trópicos”. Nas décadas seguintes, instalaram-se no local o também cubano Fulgêncio Batista, o general venezuelano Marcos Pérez Jiménez, o ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli e o próprio Guaidó, reconhecido pelos Estados Unidos após se autoproclamar presidente.

O clã Bolsonaro possui histórico recente na cidade. Jair Bolsonaro (PL) viajou para a Flórida no final de 2022, logo após perder as eleições para Lula, retornando três meses depois. Atualmente, cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Além deles, vive no estado o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito sobre lavagem de dinheiro em plataformas de apostas virtuais. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que teve o mandato cassado e possui ordem de prisão por coação à Justiça brasileira, encontra-se foragido no Texas.

A acolhida a políticos conservadores em uma cidade com 70% de população latina contrasta, à primeira vista, com o tom anti-imigração do trumpismo e da ultradireita global. Contudo, a composição local reúne expressivo contingente de cubanos e venezuelanos que adotaram a retórica antimarxista após os processos revolucionários em seus países de origem. Em janeiro deste ano, os registros eleitorais do distrito de Miami-Dade indicavam quase 350 mil hispânicos filiados ao Partido Republicano, frente a 180 mil democratas.

Esse ambiente impulsionou a carreira de Marco Rubio, atual secretário de Estado de Donald Trump. Filho de imigrantes cubanos nascido em Miami, Rubio é apontado como responsável por intensificar a presença norte-americana na região, incluindo a ação militar que levou ao sequestro e prisão de Nicolás Maduro. O republicano foi questionado por deputados democratas sobre uma eventual ajuda na concessão de visto para a fuga do senador brasileiro.

A preferência conservadora reflete-se no comportamento do eleitorado brasileiro em Miami, onde a direita obteve expressivas votações: Aécio Neves registrou 91,8% dos votos em 2014, Jair Bolsonaro alcançou 81,2% em 2022 e Flávio Bolsonaro obteve 76,7% no segundo turno mais recente, embora os candidatos do PT tenham vencido a disputa nacional em todas as ocasiões.

Apesar da hegemonia republicana no estado — o Partido Democrata não vence a disputa pelo governo da Flórida desde 1999 —, as ações de deportação conduzidas pela polícia migratória (ICE) têm gerado insatisfação. Segundo levantamento da Universidade Internacional da Flórida, embora 68% dos cubanos do sul do estado pretendam votar nos republicanos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, 76% reprovam as deportações de compatriotas sem histórico criminal.

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