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ONG denuncia bombardeios contra civis no Haiti por tropas de El Salvador

Fonte: operamundi.uol.com.br | Data: 01/11/2026 18:00:19

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Uma organização da sociedade civil haitiana denunciou às Nações Unidas bombardeios e ataques com armamentos pesados contra bairros civis por tropas de El Salvador enviadas ao Haiti pelo presidente Nayib Bukele. A denúncia foi encaminhada ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na sexta-feira (30/10), e envolve operações realizadas em áreas densamente povoadas nos arredores de Porto Príncipe.

A Associação das Nações Unidas-Haiti (UNA-Haiti) pediu a abertura de uma investigação sobre possíveis mortes de civis, incluindo crianças, em operações nas localidades de Croix-des-Bouquets, Canaan e Plaine du Cul-de-Sac. A entidade afirma que os ataques teriam começado em 22 de outubro e envolveriam bombardeios aéreos, helicópteros armados e armas pesadas.

A organização não integra formalmente o sistema das Nações Unidas. Trata-se de uma entidade da sociedade civil haitiana, ligada à diáspora, que encaminhou a denúncia diretamente ao secretário-geral da organização internacional.

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, rejeitou as acusações. Em publicação na rede social X, no sábado (31/10), afirmou que as tropas de seu país não dispõem de bombas e que os helicópteros de ataque chegaram ao Haiti somente na quinta-feira (29/10), depois do período indicado na denúncia. Segundo ele, as aeronaves ainda não haviam realizado operações de voo.

Em pronunciamento ao Conselho de Segurança, em 19 de outubro, a subsecretária-geral da ONU, Daniela Kroslak, destacou a necessidade de que a ampliação das operações no Haiti seja acompanhada por mecanismos de proteção dos direitos humanos, avaliação de riscos e responsabilização por eventuais violações.

Mais de 2 mil militares salvadorenhos

A mobilização militar de El Salvador começou depois que quatro técnicos de aviação salvadorenhos, integrantes da Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), desapareceram em 18 de outubro, após uma emboscada de grupos armados contra um veículo blindado nas proximidades de Porto Príncipe.

Os quatro militares retornavam a uma base quando foram atacados com armas de fogo e explosivos, segundo comunicado das Forças Armadas salvadorenhas. O veículo foi incendiado e os técnicos conseguiram sair, mas não foram mais localizados. As autoridades haitianas confirmaram o desaparecimento.

Em resposta, Bukele anunciou uma operação militar para localizar e resgatar os compatriotas. O governo salvadorenho enviou inicialmente integrantes de forças especiais e, nos dias seguintes, ampliou o contingente. Segundo a agência Reuters, cerca de 2 mil militares já haviam sido deslocados ao Haiti até 29 de outubro, com previsão de que o total chegasse a 2,5 mil.

O presidente salvadorenho declarou que seu país arca com aproximadamente 90% dos custos da operação. A dimensão do contingente, a duração da missão e as regras de engajamento, entretanto, não foram detalhadas publicamente.

A GSF é uma força internacional respaldada pelas Nações Unidas, criada para apoiar as autoridades haitianas no combate aos grupos armados. A chegada de tropas salvadorenhas em número tão expressivo levantou questionamentos sobre a cadeia de comando e sobre a integração dos militares à estrutura internacional já existente.

Trump manifesta apoio à iniciativa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio político à decisão de Bukele de ampliar a presença militar salvadorenha no Haiti. Segundo reportagem publicada pelo portal norte-americano Axios na sexta-feira (30/10), Bukele telefonou a Trump antes de avançar com a mobilização e perguntou se o governo norte-americano se oporia à operação.

De acordo com fontes ouvidas pelo veículo, Trump respondeu: “faça o que tiver de fazer”.

A reportagem informou ainda que Bukele havia proposto que El Salvador atuasse como uma espécie de força substituta dos Estados Unidos no Haiti, permitindo a Washington evitar o envio de seus próprios militares. A proposta, segundo fontes citadas pelo Axios, não teria recebido apoio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que preferia manter os Estados Unidos afastados de uma operação direta no país caribenho.

Neste domingo (01/11)), Trump voltou a falar sobre a situação dos militares desaparecidos. Em declaração reproduzida pela agência Anadolu, afirmou que conversou com Bukele e que o presidente salvadorenho relatou a gravidade da situação no Haiti.

“Eu falei com ele. Ele disse que tem um grande problema com o Haiti. Eu disse: olhe, você está governando seu país, faça o que tiver de fazer”, afirmou Trump.

Crise de segurança e risco para a população

O Haiti enfrenta uma crise prolongada de segurança, com grupos armados controlando extensas áreas da capital e de outras regiões do país. A violência tem provocado deslocamentos em massa, assassinatos, sequestros e restrições ao acesso da população a serviços essenciais.

Segundo dados apresentados pelas Nações Unidas ao Conselho de Segurança em outubro, mais de 5,7 mil pessoas foram mortas ou feridas no país entre janeiro e meados de setembro de 2026. O número inclui vítimas da violência de grupos armados e de operações de segurança.

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