Mundo Brasileira de 20 anos era copilota de avião que caiu na Flórida e matou nove pessoas
Fonte: tribunadosertao.com.br | Data: 02/11/2026 16:34:48
Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, estava entre as nove vítimas do acidente aéreo ocorrido no domingo (1º), no condado de Palm Beach, na Flórida, Estados Unidos. A jovem atuava como copilota do Learjet 60, aeronave particular que caiu em uma área residencial e explodiu após atingir o solo. A informação sobre sua presença na tripulação foi confirmada por familiares ao portal g1.
O avião havia partido de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. Segundo o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, todas as nove pessoas que estavam a bordo morreram.
A trajetória de Nathalia na aviação chamou a atenção da imprensa americana ainda em 2023, quando ela conquistou sua licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de obter a carteira de motorista. Naquele período, a jovem cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e concedeu entrevista à emissora CBS12 News, na qual falou sobre sua paixão por aeronaves e os planos para o futuro.
Enquanto muitos adolescentes dedicavam o tempo livre aos esportes e aos encontros com amigos, Nathalia já concentrava seus esforços na formação como piloto. Em tom descontraído, ela chegou a brincar com o fato de saber comandar uma aeronave, mas ainda não dirigir um automóvel.
“Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’”, afirmou na entrevista.
Paixão pela aviação começou cedo
O interesse pelo universo da aviação surgiu ainda na adolescência. Em 2020, quando estava prestes a iniciar o segundo ano do ensino médio, Nathalia começou a estudar os fundamentos teóricos da pilotagem. A influência do pai também foi importante nesse processo, já que ele havia começado a pilotar por hobby em 2018 e compartilhava os conhecimentos com a filha.
Sua preparação envolveu aulas teóricas, treinamento em simuladores, atividades práticas e avaliações técnicas. Em setembro de 2023, aos 17 anos, ela obteve a licença de piloto particular.
Na época da entrevista à CBS12 News, a jovem já contabilizava 88 horas de voo e estava autorizada a pilotar aeronaves particulares sozinha ou transportar passageiros, desde que não cobrasse pelo serviço.
Os custos da formação foram financiados pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de uma academia de aviação que disponibilizava treinamento especializado para estudantes do ensino médio.
Na conversa com a emissora, Nathalia também revelou que pretendia tirar a carteira de motorista, mas considerava a experiência de pilotar aviões muito mais interessante do que dirigir carros.
Sonho era trabalhar na aviação profissional
O objetivo de Nathalia era transformar a paixão pela aviação em profissão. Entre seus planos estavam trabalhar como piloto de uma companhia aérea comercial ou comandar jatos particulares na aviação executiva.
Nas redes sociais, ela costumava compartilhar registros de sua rotina profissional e comemorar as conquistas alcançadas na carreira. Em março de 2026, publicou uma fotografia na cabine de comando de uma aeronave, acompanhada de uma mensagem que indicava sua atuação no Learjet 60.
“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu.
Nos Estados Unidos, a licença de piloto particular pode ser concedida a partir dos 17 anos, desde que o candidato cumpra as exigências da Administração Federal de Aviação (FAA), incluindo treinamento, horas mínimas de voo e aprovação nos exames teóricos e práticos. Já a licença comercial exige idade mínima de 18 anos e, em regra, pelo menos 250 horas de voo.
Para atuar como copiloto de jatos executivos, também são necessárias qualificações e habilitações específicas, de acordo com o modelo da aeronave e as características da operação.
Áudio registra momentos de desespero antes da queda
A comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo revelou momentos dramáticos nos instantes que antecederam o acidente. Em uma gravação, uma voz feminina relata dificuldades relacionadas à formação de gelo e à turbulência durante o voo.
Pouco depois, a tripulante declara emergência e informa que o avião estava perdendo altitude rapidamente.
“Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto”, diz a voz registrada na comunicação.
O termo Mayday é utilizado internacionalmente por pilotos e tripulações para indicar uma situação de perigo grave que exige assistência imediata.
Em outro trecho, a mulher relata que a aeronave apresentava velocidade excessiva e que a perda de altitude havia aumentado para 20 mil pés por minuto, aproximadamente seis quilômetros.
A gravação também registra frases de desespero, como “Vamos bater no chão” e “Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo”.
Até o momento, não foi confirmado se a mulher que aparece falando na gravação é Nathalia.
Investigação busca esclarecer as causas
O Learjet 60 decolou de Austin às 9h36, no horário local (12h36 em Brasília), com destino às Bahamas. A queda aconteceu às 12h50 (16h50 em Brasília), em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach.
A colisão com o solo provocou uma explosão, abriu uma cratera no asfalto e espalhou destroços pela região.
As circunstâncias do acidente estão sendo investigadas pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA).
O NTSB anunciou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira (2), às 15h, no horário de Brasília, para apresentar informações sobre os procedimentos adotados e as próximas etapas dos trabalhos no local.
A possibilidade de que a formação de gelo e a turbulência tenham contribuído para a queda está entre os aspectos que despertam a atenção dos especialistas. No entanto, ainda não existe uma conclusão oficial sobre os fatores que provocaram o acidente.