Lula reúne aliados para avançar na definição de nomes para a Esplanada
Fonte: valor.globo.com | Data: 03/11/2026 05:30:41
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Pouco mais de uma semana após a vitória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a se reunir com o núcleo mais próximo da campanha, nesta terça-feira (3), para dar continuidade à formação do novo governo. Nos últimos dias, evoluíram as conversas com a cúpula do Congresso, a fim de garantir a governabilidade do Lula 4, bem como a confirmação de alguns nomes e de alguns espaços do PT e do PSB.
Ainda nesta terça-feira, Lula deve gravar o pronunciamento sobre a vitória, a ser transmitido em rede nacional de rádio e TV, que ele anunciou em um áudio enviado na semana passada no canal “Exército do Lula”, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Ele agradecerá os mais de 64 milhões de votos, e reafirmará o compromisso com as promessas de campanha.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o líder do PT no Senado e ex-ministro Camilo Santana (CE) e o senador eleito e ex-ministro Rui Costa (PT) retornam de seus Estados, onde passaram os últimos dias, para se encontrar com Lula. Fonteles e Camilo são cotados para o Ministério da Fazenda e para a Casa Civil, respectivamente. Também devem se somar à agenda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), o ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva.
Esse grupo se reuniu pela última vez com Lula na manhã de quarta-feira (28), após a comemoração do aniversário do presidente na véspera, quando analisaram as consequências da fuga do candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), para os Estados Unidos, e a conjuntura nacional, em meio à movimentação dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para se reelegerem para o comando das Casas.
No dia seguinte ao segundo turno, Lula havia se reunido com Motta e Alcolumbre, quando alinharam o apoio do Palácio do Planalto à reeleição de ambos, a fim de assegurar a governabilidade durante o novo mandato, em uma aliança da esquerda com a parcela majoritária do Centrão. Lula sinalizou a Motta que pode manter o aliado dele, Gustavo Feliciano, no Ministério do Turismo. Sem partido, Feliciano é conterrâneo de Motta e foi indicado para a pasta, que está na cota do União Brasil, em um consórcio do presidente da Câmara com Alcolumbre.
Em paralelo, Lula avalia se aceita, ou não, a recomendação para indicar um quadro do Centrão para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela interlocução com o Congresso, para montar um Planalto “plural” e arejar o diálogo com os parlamentares. O presidente foi criticado porque, no mandato atual, todos os ministros palacianos são petistas ou de esquerda, como Boulos.
O perfil ideal para a SRI, segundo fontes a par do assunto, seria o de um deputado, com mandato, fora do PT ou da esquerda. Nesse contexto, um nome ventilado é o do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE). Ele é próximo de Motta, e foi ministro da Secretaria de Portos e Aeroportos no terceiro mandato, com desempenho elogiado por Lula. Alas do Republicanos, entretanto, defendem que ele retorne à pasta.
Simultaneamente, como já mostrou o Valor, Lula alinhavou com Alcolumbre a indicação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Rodrigo Pacheco, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril, Alcolumbre foi um dos responsáveis pela articulação para que os senadores rejeitassem o nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o STF, justamente porque queria Pacheco na vaga. Agora, em retribuição a Alcolumbre, que pautou a votação do fim da escala 6×1, e deverá concluir a análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública nesta semana, Lula encaminhará a indicação de Pacheco ao Supremo. A vaga do ex-senador de Minas Gerais no TCU caberá à bancada do MDB no Senado.
Lula também se comprometeu com Alcolumbre a manter um de seus principais aliados, o ex-governador do Amapá Waldez Góes, à frente do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.
Em relação ao PT, Fonteles e Santana continuam liderando o time de “homens fortes” do novo governo. Apesar da manobra intrincada que envolve a renúncia ao segundo mandato de governador, Fonteles segue cotado para a Fazenda. Na segunda-feira (2), ele escreveu em uma postagem a mensagem “Viva o Equilíbrio Fiscal!!!” ao anunciar a permanência de no cargo de seu secretário de Fazenda, Emílio Joaquim de Oliveira Júnior.
Ele ainda pode emplacar seu aliado, o secretário Nacional de Segurança Pública, Francisco Lopes, na nova pasta da Segurança, que Lula deve criar assim que a PEC sobre o tema for aprovada no Congresso. O Piauí tem os melhores índices de combate à violência do Nordeste.
Camilo, por sua vez, é citado para a Casa Civil, enquanto Alexandre Padilha deve permanecer no Ministério da Saúde. A ex-ministra Gleisi Hoffmann, que não se elegeu senadora no Paraná, deverá assumir uma pasta. E o titular da SRI, José Guimarães, se não permanecer no cargo – na hipótese de Lula rejeitar a escolha de um nome do Centrão -, poderá ocupar outro espaço.
Os futuros papéis do senador eleito da Bahia Rui Costa e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, derrotado na corrida pelo governo de São Paulo, estão indefinidos.
Quanto ao PSB, Alckmin é citado para a Fazenda ou para retornar à pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). O presidente da sigla, João Campos, derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, deve ser ministro – provavelmente, da Ciência e Tecnologia. E o candidato derrotado a vice-governador de Minas Gerais na chapa de Patrus Ananias (PT), Jarbas Soares Júnior, aliado de Alckmin, deve ganhar um espaço no governo.