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Nos EUA, Eleitores Votam sobre a Proibição de Data Centers — Veja a Lista Completa

Fonte: forbes.com.br | Data: 03/11/2026 05:35:25

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Ohio: O Estado concentra o maior número de iniciativas eleitorais relacionadas a data centers: 21. Ohio já é um dos principais mercados para desenvolvedores desse tipo de empreendimento. Atualmente, 154 data centers estão em operação, outros 27 estão em construção e 57 estão em fase de planejamento.

  • Treze municípios terão propostas de proibição de data centers nas urnas: Conneaut, Defiance, Granville, Grove City, Hubbard, Monroeville, Oregon, Pataskala, Piqua, Sunbury, Trenton, Upper Sandusky e Urbana. Algumas dessas iniciativas, porém, restringem apenas instalações classificadas como de “alto impacto” ou empreendimentos que consumam mais de 25 megawatts de energia.
  • Os distritos rurais de Monroe e Sprigg votarão sobre a adoção de novas regras de zoneamento destinadas a preservar o “caráter rural e agrícola” dessas regiões. Na prática, as medidas impediriam a construção de data centers. As duas pequenas comunidades do sul de Ohio estão entre as possíveis localidades para grandes empreendimentos, incluindo um terreno de aproximadamente 4,05 milhões de metros quadrados que está sendo avaliado para receber um data center da Amazon Web Services.
  • A cidade de Wilmington votará quatro propostas relacionadas ao zoneamento de quatro terrenos específicos, que permitiriam o avanço de um projeto de data center. A votação ocorre depois que a Suprema Corte de Ohio manteve a decisão do conselho eleitoral do condado de bloquear um referendo que estabeleceria restrições mais abrangentes.
  • Além disso, os eleitores de Ashville decidirão se querem impedir a construção de um data center cujas obras já começaram. Já os moradores do vilarejo de Perry votarão uma resolução que exigiria que os desenvolvedores oferecessem garantias financeiras ao município e respeitassem limites de ruído nas instalações para ter acesso a incentivos fiscais.
  • Illinois: Seis municípios do Estado votarão propostas destinadas a orientar seus governos locais sobre a aprovação ou construção de novos data centers: Chouteau, Granite City, Joliet, Morgan, Nameoki e Venice.
  • Enquanto isso, os eleitores de Bloomington decidirão se aprovam uma moratória integral sobre futuros empreendimentos desse tipo. No início deste ano, a cidade e o município vizinho de Normal estabeleceram uma suspensão de seis meses para instalações com consumo superior a 5 megawatts de energia.
  • Wisconsin: Os eleitores de Janesville decidirão se futuros projetos com investimentos superiores a US$ 450 milhões (aproximadamente R$ 2,3 bilhões) em uma antiga fábrica de autopeças deverão receber aprovação da maioria da população. Na prática, a votação determinará se o terreno poderá ser utilizado para a construção de um data center.
  • A proposta se refere especificamente à área de uma antiga fábrica da General Motors, que encerrou suas atividades em 2008, durante a crise da indústria automobilística, deixando um terreno contaminado após o fechamento.
  • Janesville enfrenta dificuldades para dar uma nova destinação à propriedade desde então. Recentemente, a cidade passou a avaliar a possibilidade de construir um data center no local, proposta que provocou forte reação contrária da população.
  • Governos locais de outras cidades de Wisconsin também estabeleceram moratórias temporárias para data centers ao longo do ano, incluindo Madison, em janeiro, e Milwaukee, em outubro.
  • Kansas: As cidades de El Dorado e Emporia votarão sobre a proibição de data centers classificados como de “alto impacto”. Já Ottawa decidirá sobre uma restrição a instalações de “alto consumo de serviços públicos”, definição que abrange empreendimentos com demanda superior a 25 megawatts de energia.
  • Maine: Quatro municípios do Estado votarão propostas de moratória à construção de data centers, embora a maioria tenha prazo determinado. Peru e Wells decidirão sobre suspensões de 180 dias, enquanto Wiscasset votará uma proibição de seis meses para novos empreendimentos e projetos de expansão de instalações existentes.
  • A cidade de North Berwick, por sua vez, votará uma proposta própria para proibir data centers com área superior a 2.323 metros quadrados.
  • Cidades maiores do Maine, incluindo Bangor, já adotaram moratórias locais. Além disso, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou uma suspensão válida para todo o território estadual no início deste ano. A medida, porém, foi vetada pela governadora Janet Mills em abril.

Esta lista foi elaborada com base em dados de organizações sem fins lucrativos que monitoram iniciativas eleitorais, incluindo o levantamento da Ballotpedia sobre propostas relacionadas a data centers, além de estatísticas sobre consumo de energia e projetos planejados do U.S. Data Center Map.

Em quais outros lugares haverá votação sobre data centers?

Na Califórnia, a cidade de Alhambra, no condado de Los Angeles, votará uma proposta para proibir data centers. Se aprovada, será a segunda cidade do Estado a adotar esse tipo de restrição por meio de votação popular. Em junho, os eleitores de Monterey Park aprovaram uma moratória.

Em Edgewater, na Flórida, a Câmara Municipal já aprovou uma moratória para data centers em setembro. Agora, a medida será submetida aos eleitores para inclusão na carta municipal, documento que estabelece as regras de funcionamento do governo local.

Em Nevada, os eleitores de Boulder City decidirão se novos data centers poderão ser construídos em uma área específica que já abriga projetos de geração de energia solar.

Em Nova Jersey, os moradores de Downe Township votarão para indicar se apoiam a construção de data centers na pequena comunidade localizada no sul do Estado. A proposta, no entanto, não prevê uma votação sobre a proibição desses empreendimentos.

Já os eleitores de Harwood, em Dakota do Norte, decidirão se empreendimentos industriais, incluindo data centers, deverão passar por uma análise adicional e, pelo menos, uma audiência pública antes de serem aprovados.

Contexto

Os data centers se tornaram uma questão política de grande relevância neste ano, à medida que as chamadas empresas de IA de hiperescala aceleram a construção da infraestrutura necessária para sustentar essa tecnologia.

As preocupações com o consumo de energia, os possíveis impactos nas contas de eletricidade da população, a poluição sonora e os processos burocráticos pouco transparentes para a aprovação de alguns desses projetos provocaram mobilizações populares em conselhos comunitários, câmaras municipais e outras instâncias dos governos locais.

Os empreendimentos agora enfrentam resistência de eleitores de diferentes espectros políticos. Uma pesquisa da NBC realizada em setembro mostrou que 69% dos entrevistados seriam contrários à instalação de um novo data center em suas comunidades. Já um levantamento da Politico, divulgado em outubro, apontou que 65% dos eleitores democratas e 36% dos republicanos se opunham a esses projetos às vésperas das eleições de meio de mandato.

Alguns parlamentares defendem moratórias

À medida que as preocupações com a segurança e os riscos da inteligência artificial aumentaram ao longo do ano, parlamentares começaram a defender regras mais rígidas para a tecnologia, incluindo restrições à construção de data centers.

O senador Bernie Sanders, independente de Vermont, e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova York, defenderam uma moratória nacional abrangente para esses empreendimentos em março. Na ocasião, apresentaram um projeto de lei que proibiria novas construções “até que uma legislação seja aprovada para proteger a população dos perigos da inteligência artificial”.

Em julho, Nova York se tornou o primeiro Estado americano a estabelecer uma moratória para data centers, depois que a governadora Kathy Hochul assinou uma ordem executiva determinando uma suspensão temporária de novos projetos.

O presidente Donald Trump, porém, tem se posicionado fortemente contra as iniciativas para interromper a construção dessas instalações. Ele classificou a moratória de Hochul como uma “decisão terrível” e argumentou que os data centers geram arrecadação de impostos e empregos.

Trump também descreveu a reação contrária aos empreendimentos como uma “conspiração DOENTIA”, supostamente promovida pela China, e uma “farsa”. Além disso, afirmou que as comunidades que rejeitarem esses projetos enfrentarão “pobreza, criminalidade e miséria”.

O presidente também sugeriu que as empresas deveriam pagar dividendos aos moradores das regiões próximas aos data centers como compensação por viverem nas imediações dessas instalações. Em outubro, afirmou que exigiria que novos grandes empreendimentos do tipo produzissem a própria eletricidade, embora ainda não esteja claro como essa determinação seria fiscalizada.

Em alguns Estados, a reação contrária aos empreendimentos ganhou tanta força que políticos que anteriormente apoiavam a construção de data centers passaram a reconsiderar esses projetos.

Em setembro, o governador do Texas, Greg Abbott, suspendeu a concessão de licenças para novos data centers em meio ao aumento da resistência no Estado.

O Texas é um dos principais mercados americanos para esse tipo de instalação. Segundo dados do U.S. Data Center Map, o Estado abriga 314 unidades em operação, com consumo combinado de 10,5 gigawatts de energia.

Além disso, há outros 73 projetos em construção e 174 em planejamento. Quando concluídos, esses empreendimentos poderão demandar até 103,7 gigawatts de energia, de acordo com o U.S. Data Center Map.

As restrições no Texas são temporárias e permanecerão em vigor até que o Estado conclua uma auditoria sobre o consumo de eletricidade.

Parlamentares da Pensilvânia também avaliam medidas para restringir novos projetos. O governador Josh Shapiro, democrata que concorrerá à reeleição, anteriormente defendia empreendimentos de data centers voltados à inteligência artificial, mas mudou de posição neste ano e estabeleceu novas restrições às construções por meio de uma ordem executiva.

A Pensilvânia deve se consolidar como um polo de data centers. Quando todos os projetos planejados forem concluídos, as instalações do Estado deverão consumir, juntas, 23,4 gigawatts de energia, segundo estimativas do U.S. Data Center Map.

Matéria publicada originalmente em Forbes.com

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