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Quase metade dos moradores de Salvador vive em favelas, aponta levantamento do IBGE

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 03/11/2026 05:12:30

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De acordo com dados do Censo de 2022, a Bahia tinha a quarta maior população residente em favelas do país e a sétima maior proporção

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  • Perla Ribeiro

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 05:00

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Quase metade dos moradores de Salvador vive em favelas, aponta levantamento do IBGE Crédito: Paula Fróes/CORREIO

Quase metade dos moradores de Salvador vivia em favelas e comunidades urbanas em 2022. Naquele ano, 1.033.258 pessoas residiam nesses territórios, o equivalente a 42,7% da população da capital baiana. Os dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a dimensão dessas áreas na cidade e apontam diferenças nas condições de infraestrutura em comparação com as demais localidades.

No conjunto da Bahia, o levantamento identificou 572 favelas, o oitavo maior número entre os estados brasileiros. As áreas reuniam 1.370.202 moradores, correspondentes a 9,7% da população baiana — aproximadamente uma em cada dez pessoas. Com esse contingente, a Bahia tinha a quarta maior população residente em favelas do país e a sétima maior proporção. Salvador concentrava 262 das favelas identificadas no estado, o equivalente a 45,8% do total. A capital tinha o quinto maior número dessas áreas entre os municípios brasileiros. Ao todo, 28 dos 417 municípios baianos registravam favelas em 2022.

Avenida Luís Viana Filho (Paralela) – 84 sinistros por Tiago Caldas/CORREIO

Infraestrutura é um dos desafios

Os dados do IBGE também apontam diferenças no acesso a equipamentos e estruturas urbanas entre moradores de favelas e pessoas que vivem fora desses territórios. Na Bahia, apenas 40,1% dos moradores de favelas viviam em ruas com calçadas ou passeios. Fora dessas áreas, o percentual chegava a 78,8%.

A presença de árvores nas ruas também era menor. Nas favelas baianas, 74,5% da população morava em vias sem árvores, enquanto, nas demais áreas, a proporção era de 51,8%. A diferença aparece ainda na acessibilidade: somente 1,5% dos moradores de favelas no estado viviam em ruas com rampas para cadeirantes. Fora desses territórios, o percentual era de 10,9%. Os indicadores mostram desigualdades na infraestrutura urbana e ajudam a dimensionar desafios enfrentados pela população que vive nesses locais.

Quem vive nas favelas da Bahia

O Censo 2022 também identificou diferenças no perfil da população residente em favelas em relação ao conjunto do estado. As mulheres correspondiam a 53,4% dos moradores desses territórios, totalizando 732.068 pessoas. Na população baiana como um todo, a proporção feminina era de 51,7%.

A participação de pessoas com 60 anos ou mais era menor nas favelas: 12,7%, ou 174.399 moradores, ante 15,3% no estado. Já as pessoas que se declararam pretas representavam 39,2% da população das favelas baianas, quase o dobro da proporção registrada no conjunto estadual, de 22,4%.

O que o IBGE considera favela

No Censo Demográfico 2022, o IBGE voltou a utilizar a nomenclatura “favelas e comunidades urbanas” após consultas a especialistas e movimentos sociais. A classificação considera a predominância de domicílios com insegurança jurídica da posse e a presença de pelo menos uma característica adicional, como oferta precária de serviços públicos, infraestrutura autoproduzida ou localização em áreas onde a ocupação não é permitida por lei. O levantamento oferece um retrato desses territórios em 2022, reunindo informações sobre população, distribuição geográfica e condições urbanas.