Suspensão de novos créditos do Passe Livre expõe impasse entre Governo do AM e Sinetram
Fonte: ochefaodanoticia.com.br | Data: 03/11/2026 10:06:52
Sindicato mantém válidos os saldos já disponíveis nos cartões, enquanto Roberto Cidade afirma que o Estado está em dia com os repasses e já pagou R$ 27 milhões em 2026.

A suspensão da liberação de novos créditos do Passe Livre Estudantil colocou o Governo do Amazonas e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) em lados opostos de uma disputa financeira que envolve o atendimento aos estudantes da rede estadual. O sindicato interrompeu a disponibilização de novos valores, enquanto o Executivo afirma que mantém os pagamentos do benefício em dia.
A medida não impede, por enquanto, a utilização dos créditos que já estão disponíveis nos cartões. Segundo o Sinetram, os estudantes que possuem saldo poderão continuar utilizando normalmente o benefício. A suspensão atinge os novos créditos, calculados mensalmente de acordo com o calendário escolar.
Em resposta ao impasse, o governador Roberto Cidade afirmou que o Governo do Amazonas já destinou R$ 27 milhões ao custeio do Passe Livre em 2026. Segundo ele, o repasse mais recente ocorreu em 23 de outubro, quando foram transferidos R$ 3 milhões ao sistema de transporte público.
“No dia 23 de outubro, nós pagamos mais uma parcela ao Sinetram no valor de 3 milhões de reais. Desde que assumiu o governo, a gente vem mantendo o pagamento rigorosamente em dia. Só este ano de 2026, já foram pagos 27 milhões de reais”, afirmou.
Cobranças de 2025 estão na Justiça
A divergência entre as partes envolve principalmente valores cobrados pelo serviço durante o segundo semestre de 2025. O Governo do Amazonas contesta judicialmente os montantes apresentados pelas empresas e questiona a falta de informações detalhadas sobre a quantidade de passagens efetivamente utilizadas pelos estudantes.
De acordo com o Executivo, a demanda mensal varia entre 4 mil e 24 mil utilizações, enquanto o sindicato apresenta cobranças equivalentes a 130 mil alunos. O Estado considera que os valores exigidos precisam ser esclarecidos antes de qualquer reconhecimento da dívida.
Roberto Cidade criticou a decisão do Sinetram de relacionar as cobranças anteriores à suspensão dos novos créditos e afirmou que a divergência não deveria prejudicar os estudantes.
“E agora, o Sinetram, mais uma vez, com a irresponsabilidade, querendo trazer um tema que é do ano de 2025. Um débito que está sendo questionado na Justiça e fazer com que os nossos alunos não possam utilizar o que é de direito”, declarou.
O governador também contestou os valores previstos em contratos anteriores e defendeu os atuais repasses mensais de R$ 3 milhões como adequados ao custeio do benefício.
“Um contrato que foi feito lá atrás, com valores altíssimos, não é o correto. O correto é o que nós estamos pagando por cada aluno e o valor que nós estamos depositando todos os meses é o valor de 3 milhões de reais”, afirmou.
Cidade acrescentou que pretende continuar questionando os valores judicialmente e buscar diálogo para resolver a situação.
“Irei conversar com quem quer que seja e também irei questionar na Justiça o porquê o Sinetram, mais uma vez, de forma politiqueira, quer atrapalhar os alunos do nosso Estado”, declarou.
Vídeo: