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Ibovespa hoje cai quase 2% com Petrobras, juros e incerteza fiscal

Fonte: istoedinheiro.com.br | Data: 03/11/2026 13:41:29

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O Ibovespa hoje opera em queda nesta terça-feira (3), primeira sessão de novembro, pressionado pelas ações da Petrobras, pela piora das expectativas para a economia brasileira e pelas incertezas sobre a condução da política fiscal no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por volta do meio-dia, no horário de Brasília, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 1,89%, aos 164.754,80 pontos.

O mercado incorporava o desempenho dos ativos brasileiros no exterior na segunda-feira, quando a B3 permaneceu fechada pelo feriado de Finados. Os recibos de ações da Petrobras negociados nos Estados Unidos registraram perdas expressivas naquela sessão.

Por que o Ibovespa está caindo hoje?

A queda reúne fatores domésticos e externos. No Brasil, o Boletim Focus mostrou deterioração das projeções de inflação e crescimento, acompanhada de expectativas de juros mais altos.

Os investidores aguardam definições sobre a equipe econômica do quarto mandato de Lula. No exterior, as eleições legislativas americanas e as preocupações com os custos das empresas de tecnologia dividem a atenção.

A pressão ocorre depois de uma semana de forte ajuste dos ativos brasileiros. Na última semana de outubro, o Ibovespa caiu mais de 18%, no pior desempenho semanal desde 2020. No acumulado do mês, a perda foi de 9,88%, a maior desde junho de 2022.

Focus aponta Selic mais alta e crescimento menor

A pesquisa do Banco Central mostrou aumento das expectativas de inflação e redução das projeções de crescimento para 2026 e 2027.

A estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. Para o encerramento de 2027, a previsão avançou de 11,75% para 12,50%.

A revisão reforça a perspectiva de custos de financiamento elevados, um dos fatores citados pelos analistas para explicar a cautela com as ações brasileiras.

Especulações sobre equipe econômica pressionam mercado

Entre os assuntos acompanhados pelos investidores está a informação de que Lula poderia se reunir com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Integrantes do governo negaram a reunião.

Lara Resende defendeu mudanças no regime monetário que incluiriam uma limitação dos juros básicos. A Fazenda negou que o governo estude tabelar a Selic.

Para Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, o mercado permanece sob o efeito da reprecificação posterior à eleição, agravada por notícias sobre possíveis diretrizes econômicas e pelo debate sobre nomes mais heterodoxos para a equipe do próximo mandato.

“Em momentos de incerteza, de volatilidade, os investidores ficam mais vendedores do que compradores.”

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que o apoio público de pessoas próximas ao presidente às propostas de Lara Resende já é suficiente para pressionar o câmbio e os juros de longo prazo, mesmo diante das negativas da Fazenda.

Durigan promete rigor técnico nas indicações ao Banco Central

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que ainda não conversou com Lula sobre novas indicações para a diretoria do Banco Central.

As nomeações, declarou, seguirão critérios de “rigor técnico”, com “diferentes perfis”. O ministro afirmou que não há agenda marcada e defendeu um ajuste gradual das contas públicas.

Para os analistas Victor Penna e Wesley Bernabé, do BB Investimentos, o cenário de novembro ainda exige cautela. Eles apontam juros longos elevados, maior custo de capital e um ambiente externo menos favorável como condicionantes para a Bolsa e para as projeções de lucro das empresas.

Na avaliação da instituição, o desconto das ações brasileiras em relação aos mercados emergentes não garante uma recuperação sustentada. A acomodação dependerá de como as novas perspectivas macroeconômicas serão incorporadas às estimativas das companhias.

Petrobras cai cerca de 6% após queda do petróleo

As ações da Petrobras estavam entre os principais destaques negativos. Os papéis preferenciais PETR4 caíam 6,15%, enquanto os ordinários PETR3 recuavam 5,95%.

O movimento refletia a queda do petróleo no exterior. Na segunda-feira, o Brent perdeu 7,6%. Nesta terça, o barril recuava mais 1,94%, a US$ 102,74.

Durante o feriado brasileiro, os ADRs da companhia em Wall Street caíram 3,45% nos recibos das preferenciais e 4,04% nos das ordinárias.

Embraer sobe com contrato de aeronaves para a Grécia

A Embraer (EMBJ3) avançava 3,87%, após anunciar um contrato para a venda de três aeronaves KC-390 Millennium à Grécia, com opções para outras três unidades.

O acordo foi firmado pelo Ministério da Defesa Nacional grego por meio de uma negociação governamental entre Grécia e Portugal.

Bancos têm desempenho misto antes do balanço do Itaú

O Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 0,30%, antes da divulgação dos resultados, prevista para depois do fechamento.

Estrategistas do BTG Pactual retiraram o banco da carteira recomendada 10SIM de novembro, citando deterioração das condições de crédito.

Entre os demais bancos, o desempenho era misto:

Ação Variação
Bradesco (BBDC4) -1,23%
BTG Pactual (BPAC11) -1,82%
Banco do Brasil (BBAS3) -0,36%
Santander Brasil (SANB11) +3,22%

Cogna tomba após rebaixamento do Citi

A Cogna (COGN3) caía 10,13%, após o Citi reduzir a recomendação para venda e cortar o preço-alvo de R$ 2,50 para R$ 1,20, citando deterioração dos resultados.

No mesmo relatório, o banco manteve recomendação de compra para Yduqs (YDUQ3), reduziu Ser Educacional (SEER3) para neutra e reiterou venda para Ânima (ANIM3).

Os papéis recuavam 0,79%, 3,55% e 0,44%, respectivamente. Ser Educacional e Ânima não integram o Ibovespa.

Vale, Tenda e Vamos estão entre os destaques

A Vale (VALE3) subia 0,15%, apesar da fraqueza do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian encerrou o pregão diurno em queda de 0,74%, a 671 iuanes por tonelada, equivalentes a US$ 100,57.

A Tenda (TEND3) perdia 5,05%, na quarta queda consecutiva. Os papéis eram pressionados pela alta dos juros futuros e pelas preocupações com custos de construção e financiamento imobiliário. O índice imobiliário da B3 recuava 1,58%.

A Vamos (VAMO3) caía 2,52%, depois de o JPMorgan reduzir a recomendação para neutra e retirar o preço-alvo. O banco atribuiu a postura mais conservadora à expectativa de juros elevados por mais tempo.

Copom, balanços e eleições nos EUA ficam no radar

A reunião do Copom está entre os principais eventos da semana. A maioria das expectativas em pesquisa da Reuters aponta para a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, com atenção ao comunicado sobre os próximos passos da política monetária.

Na temporada de resultados, Itaú Unibanco, BB Seguridade, Isa Energia, Marcopolo e RD Saúde estão entre as empresas que divulgam balanços após o fechamento desta terça-feira.

Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato podem alterar o controle do Congresso, atualmente republicano. O resultado tem possíveis implicações para data centers de inteligência artificial, política fiscal e gastos com defesa, além da regulamentação de setores como saúde, bancos e criptomoedas.

O balanço da Apple acrescentava pressão ao setor de tecnologia. A companhia alertou que o aumento dos custos de memória prejudicaria suas margens brutas, reforçando as preocupações com a cadeia de suprimentos e as despesas com inteligência artificial.

Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo.

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