O BTG Pactual alterou três posições em sua carteira recomendada 10SIM para novembro de 2026, segundo o Monitor do Mercado. O banco retirou Itaú (ITUB4), Cury (CURY3) e Axia (AXIA3) e incluiu Caixa Seguridade (CXSE3), Ultrapar (UGPA3) e TIM (TIMS3), respectivamente. A decisão ocorre após o Ibovespa cair quase 10% em outubro, em um ambiente de incertezas sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com as trocas, o BTG reduziu o risco da carteira, priorizando companhias com baixo endividamento, negócios mais defensivos e distribuição consistente de dividendos. A seleção de ações para novembro reúne Petrobras (PETR4), com 15%; Sabesp (SBSP3), com 10%; Embraer (EMBJ3), com 10%; Rede D’Or (RDOR3), com 10%; Caixa Seguridade (CXSE3), com 10%; Eneva (ENEV3), com 10%; Gerdau (GGBR4), com 10%; TIM (TIMS3), com 5%; Ultrapar (UGPA3), com 10%; e Motiva (MOTV3), com 10%.

As três trocas na carteira 10SIM

A principal mudança foi a saída do Itaú, diante da deterioração das condições de crédito no Brasil. Em seu lugar, o BTG incluiu a Caixa Seguridade, que combina crescimento previsível dos lucros e pagamento de dividendos. Para a seguradora, os analistas projetam crescimento de 10% no lucro em 2027 e dividend yield de 7%, indicador que representa o rendimento dos dividendos em relação ao preço da ação.

A Cury também deixou o portfólio. Apesar de a construtora negociar a um múltiplo considerado atrativo, de seis vezes o lucro projetado, e oferecer dividend yield de 12%, o banco avalia que a inflação de custos poderá pressionar suas margens nos próximos trimestres. A substituta é a Ultrapar, que negocia a 8,8 vezes o lucro estimado para 2027. O BTG destaca a geração de caixa da companhia e a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários, que poderiam acrescentar cerca de 6% de retorno aos acionistas, além dos dividendos ordinários esperados.

A terceira alteração foi a substituição da Axia pela TIM, que passa a representar 5% da carteira. Segundo o banco, as ações da operadora acumulam queda de aproximadamente 30% em relação ao pico registrado no início do ano, refletindo preocupações com o aumento da concorrência e a desaceleração do crescimento. Apesar desses riscos, os analistas consideram que os preços atuais já incorporam boa parte das preocupações do mercado. O banco estima que a companhia poderá distribuir aos acionistas, por meio de dividendos, o equivalente a 9% de seu valor de mercado até abril de 2027, em menos de seis meses.

Exposição ao dólar permanece em 35%

Mesmo com o aumento das incertezas fiscais, o BTG decidiu não ampliar a participação de empresas expostas ao dólar. Essa parcela permanece em 35% da Carteira Recomendada, distribuída entre Petrobras (15%), Embraer (10%) e Gerdau (10%). Segundo os analistas, a estratégia busca oferecer proteção em caso de desvalorização do real, sem aumentar excessivamente a exposição cambial.

O banco também manteve posições em empresas como Sabesp, Eneva e Motiva, além da Rede D’Or, que foram selecionadas pela previsibilidade de receitas, perspectivas de geração de caixa e características consideradas defensivas pelo BTG.

Ibovespa cai 10% em outubro e juros longos avançam

Em outubro, o Ibovespa recuou aproximadamente 10% em reais e 14,3% em dólares, pressionado pelo resultado das eleições presidenciais e pelas preocupações com a política fiscal. No mesmo período, os juros de longo prazo subiram 1,36 ponto percentual, atingindo 15,3% ao ano. Já os juros reais de longo prazo, que descontam a inflação esperada, chegaram a 7,8%.

Após a queda, o principal índice da Bolsa brasileira passou a negociar a 7,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo de sua média histórica. Apesar dos preços mais baixos, o BTG alerta que as estimativas de lucro poderão ser revisadas para baixo diante da desaceleração econômica e da perspectiva de juros elevados por mais tempo.

O relatório também aponta uma reversão no fluxo de investidores estrangeiros. Após entradas expressivas no início de outubro, os investidores internacionais retiraram R$ 12,5 bilhões líquidos da Bolsa brasileira desde 19 de outubro. Mesmo assim, o saldo do mês permaneceu positivo em R$ 8,6 bilhões.

BTG projeta Selic em 13,75% até o fim de 2027

O cenário macroeconômico também passou por revisões. Diante da perspectiva de inflação mais alta e condições financeiras mais restritivas, o BTG deixou de projetar cortes na Selic em 2027. Agora, o banco espera que a taxa básica de juros permaneça em 13,75% ao ano até o fim do próximo ano. Anteriormente, a estimativa era de redução para 12,5%.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 também foi reduzida de 1,1% para 0,6%, enquanto a expectativa de inflação subiu de 4,8% para 5,9%. Para o dólar, o banco mantém a projeção de R$ 5,40 no encerramento de 2026 e R$ 5,50 no fim de 2027.

Segundo os analistas, a definição da nova equipe econômica e eventuais medidas para desacelerar o crescimento das despesas públicas serão determinantes para as perspectivas do mercado.

Desempenho da 10SIM supera Ibovespa em outubro

Em outubro, a Carteira Recomendada 10SIM registrou queda de 6,5%, desempenho superior ao do Ibovespa (-9,9%) e do IBrX-50 (-9,3%). No ano, o portfólio apresenta valorização de 8,6%, enquanto o Ibovespa sobe 4,2% e o IBrX-50 avança 6,1%. No mesmo período, o CDI acumula alta de 11,7%.

Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão da Carteira Recomendada, a 10SIM registra valorização acumulada de 620,3%, ante 173% do Ibovespa e 230% do IBrX-50.