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QI Tech expande atuação regulada com seguradora própria e mira R$ 3 bilhões em prêmios

Fonte: brasilinovador.com.br | Data: 04/11/2026 05:26:06

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Em novembro de 2026, a QI Tech, empresa especializada em infraestrutura para serviços financeiros, anunciou a estreia de sua vertical de seguros com operação licenciada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Conforme comunicado emitido pela companhia, a nova unidade de negócios — denominada QI Seguradora — passa a emitir e subscrever apólices próprias e a atuar simultaneamente como um ambiente aberto de conexão para seguradoras parceiras. A entidade projeta intermediar um volume de R$ 3 bilhões em prêmios emitidos no horizonte de três a cinco anos, alavancando a base de clientes corporativos que já utilizam seus módulos transacionais de crédito e pagamentos.

De acordo com os dados apresentados pela empresa, o movimento visa preencher lacunas de distribuição de produtos de proteção financeira no mercado brasileiro por meio do conceito de embedded insurance (seguro embutido). A organização sustenta que a nova estrutura técnica foi desenvolvida em arquitetura proprietária, permitindo que marketplaces, varejistas, bancos e fintechs adicionem coberturas securitárias personalizadas no fluxo de liquidação de compras ou na concessão de financiamentos, eliminando etapas burocráticas tradicionais.

Subpenetração histórica e gargalos de distribuição

O avanço da infraestrutura digital ocorre em um momento em que o mercado segurador nacional busca elevar sua representatividade econômica. Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) citados pela QI Tech, embora o Brasil figure como a nona maior economia do planeta, o país ocupa a 42ª colocação entre 54 nações analisadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no indicador que afere a relação entre prêmios de seguros e o Produto Interno Bruto (PIB).

A avaliação compartilhada pela liderança da fintech indica que essa baixa adesão decorre de entraves estruturais e da desconexão entre canais transacionais e companhias seguradoras. Historicamente, a comercialização de apólices no território nacional tem se concentrado em processos reativos, dependentes de formulários extensos, portais apartados e jornadas desconectadas da decisão primária de consumo financeiro do tomador final.

Essa fragmentação tecnológica, segundo a instituição, onera a cadeia de distribuição com despesas elevadas de aquisição de clientes (CAC) e derruba as taxas de conversão de produtos essenciais, como coberturas prestamistas e patrimoniais. Como resultado, o setor registra uma subutilização crônica de dados comportamentais e financeiros que poderiam calibrar riscos em tempo real.

Arquitetura de integração e convergência regulatória

A operação da QI Seguradora apoia-se em um modelo híbrido que combina capacidade própria de subscrição de riscos com um ecossistema integrador de corretagem e distribuição. De acordo com as diretrizes operacionais estabelecidas pela Susep, o cliente final passa a visualizar as condições contratuais, prazos de vigência e regras de arrependimento diretamente na interface digital do canal parceiro, com mecanismo de adesão em clique único (opt-in).

Conforme detalhado pelo diretor-presidente da QI Tech, Pedro Mac Dowell, a viabilização técnica elimina a necessidade de redirecionar o usuário para canais externos. Ao formalizar a compra de um bem ou a contratação de uma linha de crédito, o prêmio securitário é calculado de forma automatizada e embutido no saldo ou no carnê de pagamento existente, reunindo diferentes modalidades de proteção sob uma mesma camada de cobrança.

Componente Operacional Modelo Tradicional Desconectado Modelo Integrado QI Seguradora
Canal de Contratação Plataforma externa ou formulário avulso Interface nativa do parceiro (checkout em 1 clique)
Origem do Risco Exclusivamente seguradora emissora única Apólices próprias ou hub aberto a parceiras
Integração de Pagamento Cobrança apartada e processamento isolado Incorporação na fatura ou parcela de crédito
Experiência do Usuário Múltiplas etapas cadastrais e atrito Dados pré-validados por infraestrutura integrada

A entidade destaca que a arquitetura aberta permite congregar diversas seguradoras dentro do mesmo fluxo transacional. Isso faculta ao canal distribuidor escolher as coberturas mais competitivas para sua carteira, contemplando garantias para aparelhos eletrônicos, seguro de vida, proteção financeira atrelada ao desemprego involuntário e apólices automotivas sem fragmentar a esteira de liquidação do lojista ou credor.

Sinergia de ativos e diversificação em infraestrutura

A inserção no mercado segurador representa uma extensão direta dos negócios desenvolvidos pela QI Tech desde sua criação em 2018 pelos executivos Pedro Mac Dowell, Marcelo Buosi e Emilio Moreira. A companhia detém autorizações operacionais do Banco Central para atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) e opera como Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM), além de figurar como a principal administradora e custodiante de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no mercado doméstico, segundo apontamentos da Anbima reportados em 2025.

Com o suporte financeiro de fundos globais como General Atlantic, GIC e Across Capital, a organização busca capitalizar sua base existente de dezenas de parceiros institucionais. A tese declarada pela companhia é a de que bancos digitais, varejistas e plataformas de intermediação já clientes dos módulos de Banking as a Service (BaaS) e Lending as a Service (LaaS) possam adotar o Insurance as a Service (IaaS) sem investimentos adicionais em engenharia de sistemas legados.

Entre as vantagens competitivas alegadas pela instituição para alcançar a marca de R$ 3 bilhões em três a cinco anos, constam:

  • Redução de atrito cadastral: reaproveitamento das camadas proprietárias de onboarding e validação antifraude já utilizadas para operações de crédito;
  • Flexibilidade de produtos: capacidade de combinar apólices subscritas pela seguradora própria com coberturas especializadas de parceiras externas;
  • Alinhamento a marcos regulatórios: conformidade com as determinações da Susep sobre direito de cancelamento facilitado e clareza tarifária;
  • Otimização de liquidação: gestão unificada de fluxo financeiro, reduzindo o custo operacional de repasse entre distribuidor, segurador e ressegurador.

A companhia salienta que seu posicionamento estratégico não tem como objetivo disputar diretamente a carteira de seguradoras consolidadas no país. A proposta central consiste em atuar como uma via de conexão tecnológica para que tais entidades alcancem públicos digitais e canais de comércio eletrônico aos quais historicamente encontravam barreiras técnicas e comerciais para se plugar.

Desafios operacionais e conformidade no ambiente digital

A oferta em larga escala de apólices embutidas impõe exigências rigorosas quanto à transparência da informação prestada ao contratante final. A entidade ressalta que as jornadas foram desenhadas com mecanismos de consentimento explícito, garantindo que a opção por seguros não seja configurada como venda casada, prática expressamente vedada pela legislação de proteção ao consumidor e pelas resoluções setoriais da Susep.

A parametrização das coberturas nos canais de parceiros exige ainda monitoramento contínuo sobre índices de sinistralidade e velocidade de regulação de eventos cobertos. Para preservar a assertividade da subscrição em grande escala, a tecnologia implementada utiliza dados agregados de comportamento financeiro para parametrizar preços e limites de indenização adequados ao perfil socioeconômico de cada base atendida.

A fintech pontua que a simplificação do processo de pós-venda constitui outro eixo central da iniciativa. Usuários finais poderão registrar avisos de sinistro, acompanhar a análise de relatórios periciais e solicitar o encerramento de contratos a partir dos mesmos aplicativos em que contrataram a proteção, eliminando os tradicionais gargalos de centrais de atendimento telefônico.

Cronograma de expansão e perspectivas operacionais

Para o ciclo entre 2026 e 2031, a instituição planeja conectar gradualmente sua carteira de parceiros comerciais à nova vertical. A prioridade imediata recai sobre operações de crédito estruturado em que o seguro prestamista atua mitigando riscos de inadimplência tanto para os cedentes quanto para os investidores de fundos securitizados custodiados pela própria companhia.

Em seguida, a infraestrutura será disponibilizada para redes de varejo físico e eletrônico parceiras, focando em seguros de garantia estendida e proteção de bens portáteis no ponto de venda digital. Esse encadeamento gradual busca validar os parâmetros atuariais da seguradora própria enquanto expande o volume de dados integrados de sinistros.

Executivos da instituição indicam que o modelo de hub aberto também se prepara para acomodar produtos mais complexos, tais como apólices de responsabilidade civil para pequenas e médias empresas e proteções voltadas ao agronegócio, integradas às jornadas de financiamento produtivo já intermediadas pelo grupo.

Análise Brasil Inovador

A entrada de plataformas de infraestrutura tecnológica com licença securitária plena no ecossistema financeiro brasileiro inaugura um ciclo de recomposição estrutural na cadeia de valor de seguros. O avanço do modelo de insurance as a service desloca o centro de gravidade da distribuição, que deixa de depender exclusivamente de forças de vendas terceirizadas ou portais proprietários de seguradoras, passando a operar como uma funcionalidade embutida nos pontos de contato mais frequentes do consumidor corporativo e individual.

O alcance das metas volumétricas divulgadas para os próximos exercícios dependerá diretamente da capacidade de as novas esteiras digitais equilibrarem escalabilidade e rigor atuarial. Se por um lado a integração de apólices em checkouts de crédito confere taxas expressivas de conversão e diluição de custos fixos, por outro, a gestão de sinistralidade em ambientes massificados exige algoritmos apurados de controle de risco para evitar a deterioração das margens operacionais.

A médio prazo, a proliferação de hubs abertos deve intensificar a concorrência entre seguradoras tradicionais, forçando uma modernização acelerada de sistemas legados de subscrição e sinistro. Instituições incapazes de expor suas capacidades técnicas por meio de interfaces de programação de aplicações eficientes correm o risco de perder acesso aos canais digitais mais dinâmicos da economia, restringindo sua atuação a nichos de subscrição complexa e grandes riscos corporativos.