New Hope e Geno lançam leite de vacas vermelhas norueguesas com foco premium na China
Fonte: milkpoint.com.br | Data: 04/11/2026 11:01:05
O leite fresco Norwegian Red Cow já está disponível em supermercados selecionados e nas principais plataformas de comércio eletrônico da China. Produzido a partir de vacas cruzadas com a raça Vermelha Norueguesa (Norwegian Red) no país, o leite refrigerado possui prazo de validade mínimo de sete dias.
Foto: Geno/Divulgação
Para a New Hope, o produto representa mais uma maneira de se destacar no competitivo mercado de lácteos da China. Para a Geno, a parceria oferece uma oportunidade de demonstrar como a genética bovina pode influenciar não apenas a qualidade do leite, mas também a saúde do rebanho, a fertilidade e a eficiência produtiva. “Estamos desenvolvendo um programa de melhoramento genético que não se concentra apenas na produção de leite, mas também na saúde e na fertilidade. É um conceito de melhoramento equilibrado”, afirmou Ton van de Goor, vice-presidente de vendas internacionais da Geno.
A empresa acredita que essas características podem ajudar os produtores de leite a melhorar o desempenho dos rebanhos e controlar os custos, ao mesmo tempo em que permitem oferecer produtos diferenciados aos consumidores.
Atendendo às necessidades dos consumidores chineses
Sabor, frescor e variedade de produtos estão entre os fatores que orientam a oferta do leite Norwegian Red pela New Hope Dairy. O produto é comercializado refrigerado, enquanto o leite que pode ser armazenado em temperatura ambiente representa outra opção para os consumidores. A genética Vermelha Norueguesa também poderá apoiar o desenvolvimento de uma linha mais ampla de produtos lácteos, incluindo iogurtes e queijos, criando oportunidades de diversificação do portfólio.
O sabor também está entre os fatores que levaram a New Hope a introduzir a raça. “O leite da raça Vermelha Norueguesa também apresenta um teor de gordura relativamente elevado e, na nossa percepção, um sabor ligeiramente mais adocicado. Acreditamos que essa doçura seja atraente para os consumidores asiáticos, incluindo os chineses”, afirmou van de Goor.
Segundo o executivo, a New Hope Dairy já oferecia leite de vacas Jersey, mas identificou na Vermelha Norueguesa outra maneira de diferenciar seu portfólio. A empresa acredita que as características de sabor e a genética da raça podem ajudar a criar um produto distinto em um mercado altamente competitivo.
A Geno também identifica oportunidades nos esforços da China para incentivar o consumo de lácteos entre diferentes faixas etárias. “A New Hope queria uma nova linha de produtos Norwegian Red, em parte porque a China possui uma grande variedade de produtos lácteos e o governo está incentivando as pessoas a consumir mais lácteos por razões de saúde — não apenas crianças pequenas, mas também pessoas mais velhas. Houve campanhas promovendo os benefícios do consumo de lácteos, o que consideramos um sinal positivo”, afirmou Els Olsen, gerente global de marketing e comunicação da Geno.
Olsen acrescentou que os consumidores chineses tendem a associar os produtos noruegueses à qualidade premium, à limpeza, à natureza e ao bem-estar animal, características que, segundo ela, estão alinhadas ao posicionamento internacional da Geno. “A Geno possui certificação sanitária para seus animais desde a década de 1970, e enfatizamos a saúde animal e o melhoramento genético responsável”, afirmou.
De acordo com van de Goor, a New Hope também identificou uma oportunidade de diferenciar sua oferta em um setor no qual as vacas Holandesas, de pelagem preta e branca, são amplamente utilizadas. “A New Hope Dairy percebeu que os consumidores poderiam estar dispostos a pagar mais por um produto diferente daqueles que a empresa já oferecia”, acrescentou.
Uma proposta de agregação de valor
O argumento comercial da Geno vai além das características do leite e também abrange a economia da produção leiteira. A empresa defende que a genética bovina seja avaliada considerando todo o sistema produtivo, incluindo as necessidades alimentares dos animais, a composição do leite e os custos veterinários.
Segundo van de Goor, a alimentação representa aproximadamente 70% dos custos das propriedades leiteiras. Ele afirma que os bovinos da raça Vermelha Norueguesa combinam características de saúde e fertilidade com produção de leite, permitindo que os produtores busquem um equilíbrio entre volume produzido e os teores desejados de gordura e proteína. “Produzir mais leite, por si só, não é necessariamente melhor se os teores de gordura e proteína forem muito baixos. O objetivo é equilibrar o volume com os conteúdos de gordura e proteína”, explicou.
A Geno trabalha com a equipe de gestão da New Hope em práticas de manejo e alimentação dos animais. Van de Goor acrescentou que a qualidade do pasto e do feno pode variar entre áreas e ao longo do tempo, exigindo que os produtores ajustem regularmente as dietas para manter o desempenho do rebanho.
O peso corporal também pode influenciar as necessidades alimentares. Uma vaca que pesa 100 kg a menos do que outra, mas produz o mesmo volume de leite, geralmente necessita de menos alimento para manter seu peso corporal, embora a economia efetiva dependa de fatores como a dieta e as condições de produção. Segundo van de Goor, essa diferença pode se tornar significativa em um rebanho de 50 mil animais, no qual pequenas economias individuais podem resultar em reduções expressivas na necessidade total de alimentação.
Olsen acrescentou que o foco de longo prazo da Geno no melhoramento genético para saúde e resiliência, associado às práticas preventivas de saúde animal da Noruega e às restrições ao uso rotineiro de antibióticos, pode ajudar a reduzir a necessidade de antibióticos e outros medicamentos, segundo a empresa. “Nossa posição é que os bovinos da raça Vermelha Norueguesa tendem a ser saudáveis e resistentes, e isso pode afetar o manejo das propriedades e os custos veterinários. Se menos animais adoecerem, os produtores poderão precisar de menos intervenções veterinárias e gastar menos com tratamentos”, afirmou.
Essas possíveis economias são fundamentais para o argumento da Geno de que a genética deve ser avaliada por sua contribuição geral para os custos de produção, e não apenas pelo preço inicial. Van de Goor afirmou que essa abordagem está alinhada à importância atribuída à eficiência de custos por muitas empresas leiteiras chinesas. “Uma coisa de que gosto na China é o foco na produção eficiente em termos de custos. Na Noruega, as propriedades são relativamente pequenas, e os produtores podem selecionar os animais parcialmente com base na aparência e na conformação. Na China, o foco está mais em como produzir de maneira eficiente e, ao mesmo tempo, oferecer um produto pelo qual os consumidores estejam dispostos a pagar um preço premium. O ponto principal é o custo de produção, especialmente o custo de produzir um litro de leite. A genética premium pode custar mais inicialmente, mas pode reduzir os custos veterinários, a necessidade de antibióticos e os gastos com alimentação. Portanto, embora o insumo — a genética — possa ser mais caro, o custo total de produção do leite pode ser menor”, afirmou.
Para a New Hope, essa estratégia conecta a produção à proposta apresentada ao consumidor: uma produção de leite mais eficiente pode sustentar um produto premium diferenciado, desde que as economias previstas se concretizem e os consumidores estejam dispostos a pagar mais.
Geno identifica novas oportunidades na Ásia
A Geno considera a Ásia uma oportunidade de crescimento de longo prazo, mas não está priorizando os mercados em uma sequência fixa. Segundo van de Goor, a empresa procura parceiros locais comprometidos, que compreendam o valor da raça e sejam capazes de coletar dados confiáveis de produção.
Indonésia e Tailândia estão entre os mercados potenciais identificados pelo executivo. No caso da Indonésia, ele destacou o crescimento da demanda por lácteos e os esforços do governo para incentivar o consumo. Segundo van de Goor, o consumo anual de lácteos por habitante é de aproximadamente 400 litros no norte da Europa, em comparação com cerca de 35 litros nas cidades chinesas e aproximadamente metade desse volume nas áreas rurais. Para ele, esses números indicam espaço potencial para crescimento. “Acreditamos que os bovinos da raça Vermelha Norueguesa podem oferecer diferenciação tanto na produção quanto no produto destinado ao consumidor, e existem oportunidades em toda a Ásia ao longo das próximas décadas”, afirmou.
Além do leite fresco, a Geno identifica potencial para desenvolver produtos como leite que pode ser armazenado em temperatura ambiente, iogurtes, queijos e manteiga. Uma vida útil mais longa poderia facilitar os desafios de distribuição, enquanto a New Hope atualmente concentra sua linha Norwegian Red principalmente em leite e iogurtes, segundo Olsen.
A executiva também citou a utilização da genética Vermelha Norueguesa na produção de Parmigiano Reggiano, na Itália, e mencionou as exportações de lácteos da cooperativa norueguesa Tine para algumas regiões da Ásia como indicação do interesse já existente por produtos lácteos noruegueses. Em conjunto, essas oportunidades poderão ampliar as possibilidades de aplicação da abordagem de melhoramento genético da Geno em diferentes categorias de produtos lácteos e mercados, para além da parceria atualmente mantida com a New Hope na China.
As informações são do Dairy Reporter.
Vale a pena ler também:
Muito além da técnica: quem transforma conhecimento em evolução no campo?
Enquete MilkPoint: 66,7% apontam necessidade de avançar na segurança dos trabalhadores rurais