Novo julgamento da Chacina do Curió é marcado por vigília de mães e denúncias de omissão policial
Fonte: opovo.com.br | Data: 04/11/2026 11:05:44
Novo julgamento da Chacina do Curió é marcado por vigília de mães e denúncias de omissão policial
A sessão reanalisa a conduta dos policiais militares José Oliveira do Nascimento e José Wagner Silva de Souza
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Atualizado às 11:31, 04/11/2026
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Publicado às 10:38, 04/11/2026
Crédito: reprodução de vídeo/ Kleber Carvalho
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Novo julgamento de dois policiais militares réus no caso da Chacina do Curió, acontece na manhã desta quarta-feira, 4, no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Do lado de fora do tribunal, camisas brancas manchadas de vermelho estendidas no chão e faixas com os rostos das 11 vítimas simbolizam a tragédia ocorrida em novembro de 2015, guiando a manifestação por memória e justiça.
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Edna Carla Souza, integrante do movimento Mães do Curió, desabafou sobre a dor contínua e a indignação das famílias. Em discurso, ela destacou a gravidade da conivência de agentes públicos durante a madrugada dos crimes.
“A omissão também é crime. Porque no momento em que aqueles policiais estavam ali a serviço do Estado (…) eles deram cobertura para os amigos que estavam à paisana, deixaram suas famílias em casa e saíram para as ruas para fazer sua matança com sangue no olho”.
Para a mãe, a execução dos jovens não representou uma ação de segurança pública. “Isso não é justiça, isso é ser vingativo, é ser justiceiro e vingativo”, declarou Edna, ressaltando o direito de existir da população vulnerável. “A nossa periferia precisa viver, a nossa periferia resiste, a nossa periferia tem o direito de viver e os nossos jovens têm o direito de ir para a faculdade”.
Condenações anuladas
No âmbito jurídico, a sessão reanalisa a conduta de José Oliveira do Nascimento e José Wagner Silva de Souza. As condenações de ambos, oriundas do terceiro júri realizado em setembro de 2023, foram anuladas após recurso da defesa, que alegou que os agentes estavam de serviço durante o momento do massacre. A Defensoria Pública do Estado atua na tribuna como assistente de acusação, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
O defensor público Leandro Bessa explicou que a estratégia no tribunal reforça a responsabilização dos policiais militares fardados que deveriam ter impedido as mortes. “A argumentação é a mesma, porque a prova é a mesma. A análise vai ser uma reanálise da prova para demonstrar que existe também uma responsabilidade pela omissão”, afirmou.
Segundo o defensor, “existe um núcleo de policiais militares que estão sendo acusados exatamente de terem tido a oportunidade de evitar que aquilo acontecesse e, mesmo assim, se omitiram”.
A repetição do julgamento, no entanto, traz à tona um profundo desgaste emocional para as famílias que precisam, mais uma vez, enfrentar o tribunal. “Temos que lembrar que isso aconteceu em 2015, então já são 11 anos de uma ferida aberta”, pontuou o defensor.
O profissional enfatizou que a Defensoria Pública atua desde o início para prestar apoio, observando que “todas as vezes que esse julgamento acontece, essa história é revivida e, portanto, há, sem dúvida nenhuma, um impacto psicológico muito grande”. Para minimizar os efeitos dessa revitimização, as mães recebem acompanhamento psicossocial contínuo por profissionais da Rede Acolhe.
Com informações do repórter Kleber Carvalho