MPF estuda fechar rampa de voo livre na Pedra Bonita
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 05/11/2026 05:27:04
O procurador Daniel Prazeres, do Ministério Público Federal (MPF), estuda abrir um inquérito civil público para pedir à Justiça o fechamento da rampa de saltos de voo livre na Pedra Bonita, em São Conrado, Zona Sul do Rio. A medida ocorre após cinco mortes em acidentes com asas-deltas e parapentes na região no último ano.
O acompanhamento do tema começou em fevereiro, após a morte do piloto Rodolfo Pascoal Ladeira e da turista Jenny Colôn Rodríguez. O caso mais recente ocorreu na última segunda-feira, envolvendo o piloto Luiz Eduardo Santos e o turista argentino Adrian Arismendi. Prazeres cobrou da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informações sobre a fiscalização dos voos livres.
Em resposta, a Anac admitiu baixa eficiência na fiscalização do esporte e sugeriu parcerias com polícias militares para aumentar a capilaridade das diligências. A agência proíbe a venda de voos, exceto para instrução, mas admitiu em circular de 2023 que não regulamenta o voo duplo, o que impossibilita garantir a segurança da operação.
O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL), que administra a rampa, registrou 60 mil voos duplos somente em 2025, a maioria com turistas. O presidente da entidade, Bruno Menescal, afirmou que a comercialização de voos panorâmicos utiliza uma brecha legal e serve como primeiro contato de pessoas com o esporte.
A Justiça Federal já decidiu que a Anac é a responsável por fiscalizar os saltos no local. Em 2013, o magistrado Alfredo de Almeida Lopes sentenciou que a exploração econômica da atividade exige presença constante do Estado por ser de risco. Em 2017, o Tribunal Regional Federal confirmou a competência da agência para apurar infrações administrativas em voos turísticos dissimulados como instrução.
Questionada, a Anac não informou o número de fiscalizações realizadas na Pedra Bonita nos últimos anos. A agência declarou que a operação de asa-delta tem natureza aerodesportiva e ocorre por conta e risco dos envolvidos, mas que pode interromper operações que representem risco à segurança.
A rampa de lançamento é gerida pelo CSCVL por meio de um acordo de cooperação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), órgão que administra o Parque Nacional da Tijuca. O convênio é válido até o fim deste ano.