MEC autoriza curso de medicina da Rede D’Or com 100 vagas para início de aulas em janeiro de 2027
Fonte: valor.globo.com | Data: 06/11/2026 10:02:38
Nova graduação de medicina será a primeira ligada a um grupo hospitalar no Rio
A Rede D’Or obteve nesta sexta-feira (6) autorização do Ministério da Educação (MEC) para abertura do seu curso de medicina. A graduação, com 100 vagas, será ofertada no Rio de Janeiro por meio do Instituto D’Or, organização sem fins lucrativos da rede hospitalar responsável por pesquisas e ensino.
A nova graduação de medicina será a primeira ligada a um grupo hospitalar no Rio. Há um forte movimento de hospitais de referência abrindo seu próprio curso de medicina num momento de forte judicialização e faculdades com baixa qualidade acadêmica.
Os hospitais Einstein, Sírio-Libanês e BP-Beneficência Portuguesa, todos na cidade de São Paulo, e o Moinhos de Vento, de Porto Alegre, investiram em seus próprios cursos de medicina. Com exceção do Einstein e Hospital Pequeno Príncipe (de Curitiba), que já estão nesse mercado há pelo menos dez anos, os demais abriram a graduação entre 2025 e 2026.
Nas últimas semanas, grupos de ensino como Ânima e Clariens, do Mubadala, firmaram parcerias com Einstein e BP, respectivamente, para ter a chancela de hospitais renomados.
O novo curso de medicina da Rede D’Or terá como diferencial o internato de três anos. Nas demais faculdades, o período de aulas práticas ocorre nos dois últimos anos da graduação. O curso continua tendo seis anos de duração, com uma carga horária de 1 mil horas a mais do que o exigido. Das 8,2 mil horas do curso, 42% serão de estágio supervisionado.
Além disso, o programa curricular prevê uma forte interação com a área de pesquisa do Instituto D’Or, que terá um andar no prédio da faculdade.
Essa interação ganha relevância porque a legislação da pesquisa clínica no país foi regulamentada em meados do ano passado. Desde então, há um interesse crescente da indústria farmacêutica e outros interlocutores do setor em realizar os estudos no Brasil, que é o país com a população mais miscigenada do mundo. Entre meados de 2025 e o primeiro trimestre deste ano, o Brasil saltou da 20ª para 12ª colocação no ranking de estudos iniciados no período. A expectativa é de atração de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos, segundo a Interfarma.
“Nossos alunos vão ter contato com a pesquisa desde o primeiro ano, essa exposição recorrente pode levar à formação de novos pesquisadores. Temos parcerias com 80 instituições do mundo todo por conta dos 2,5 mil artigos que já publicamos”, disse a médica e cientista Fernanda Tovar-Moll, presidente do Instituto D’Or.
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Fernanda passou duas temporadas na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e voltou ao Brasil há 16 anos para fundar o Instituto D’Or ao lado do seu marido, também médico e cientista, Jorge Moll Neto. O casal retornou ao Brasil por insistência de Jorge Moll, fundador da Rede D’Or, que sonhava com um instituto brasileiro de pesquisa. O Instituto D’Or tem 2,5 mil artigos científicos publicados e participou de estudos da vacina da covid-19 e a relação entre o zika vírus e a microcefalia.
Em 2021, a família Moll se comprometeu em colocar R$ 500 milhões e a Rede D’Or outro meio bilhão de reais para pesquisas científicas e ensino no prazo de dez anos. O investimento na faculdade de medicina está dentro desse aporte de R$ 1 bilhão.
“Há quatro anos estamos nos dedicando a esse curso de medicina, fomos visitar instituições de referência no Brasil e outros países. Visitamos a Virginia Tech, nos Estados Unidos, que é um grupo muito parecido conosco, eles têm uma rede de hospitais e faculdade de medicina”, disse Fernanda.
Os alunos terão aulas no campus, que foi erguido num prédio tombado de 11 andares no centro do Rio que, anteriormente, era ocupado pelo Ibmec. As aulas práticas, que começam já no primeiro ano, ocorrerão nos hospitais da Rede D’Or como o Quinta D’Or e Maternidade Perinatal, na Barra. “Os outros hospitais também estarão disponíveis. Os alunos de outros Estados, onde há unidades do grupo, poderão fazer o internato ou a residência em suas cidades de origem”, disse Fernanda.
O Instituto D’Or também fechou acordo com a rede pública de saúde para atividades práticas no Hospital do Andaraí e a Clínica da Família Maurício Silva. Qualquer curso de medicina, particular ou público, é obrigado a ofertar aulas no SUS.
“Assumimos compromissos verificáveis: um ano a mais de internato do que exigem as diretrizes, turmas de até cinquenta alunos, formação prática no SUS desde o primeiro período e avaliação contínua ao longo dos seis anos. A pergunta que importa não é quantas escolas médicas o Brasil tem, mas como se formam os médicos de que o país precisa”, disse Jerson Lima, diretor de Ensino da Faculdade IDOR de Ciências Médicas. A faculdade já tem as graduações de psicologia e enfermagem.
A mensalidade do novo curso de medicina, cujas aulas estão previstas para começar em 25 de janeiro de 2027, giram entre R$ 13 mil e R$ 14 mil.
O processo seletivo deverá oferecer ingresso por prova própria e pelo desempenho no Enem, além de modalidades específicas para candidatos com formação internacional. O projeto prevê ainda 10% de bolsas de caráter socioeconômico, além de bolsas de permanência e bolsas por desempenho.
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