Empresário vira réu por golpe e ameaça no Paraná
Fonte: apauta.com.br | Data: 06/11/2026 08:49:34
Investigado transferiu empresas milionárias da ex usando senha do gov.br e pode pegar até 13 anos de prisão.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia criminal contra o empresário Pedro Emilio Kuhn Justus, de 32 anos, sob a acusação de utilizar a senha da plataforma gov.br da ex-esposa, de 31 anos, para apropriar-se de duas companhias dela em Ponta Grossa.
Fraude patrimonial e veículos de luxo
Conforme a investigação da promotoria, o suspeito aproveitou o acesso à conta digital da vítima para transferir os negócios para o próprio nome sem o seu consentimento. Em uma das operações, declarou um valor de R$ 4 milhões que jamais foi repassado à mulher. O esquema também incluiu a apropriação de um acervo corporativo que contava com automóveis de alto padrão, a exemplo de um Porsche Panamera avaliado em R$ 870 mil.
As acusações formais apontam a prática de estelionato agravado por relações domésticas e crimes de ameaça. No total, a denúncia engloba cinco imputações criminais que agora passam por análise no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
Intimidação e violência patrimonial
A acusação detalha que o réu passou a intimidar a vítima e a ex-sogra com o intuito de evitar a divisão de bens decorrente do divórcio. As ameaças ocorreram em múltiplos episódios após a transferência fraudulenta dos empreendimentos.
Em sua manifestação sobre o caso, Luís Gustavo Janiszewski, advogado que atua na defesa do empresário, afirma que a denúncia “ainda não ganhou corpo”, alega que o que existe é “um conflito patrimonial de duas pessoas que tiveram relacionamento” que não deveria correr na justiça criminal, e que acredita que o processo vai provar a inocência do empresário.
Por sua vez, a defesa da vítima, representada pelos advogados Adriele Andrade e Fernando Madureira, obteve medidas protetivas e uma liminar judicial para bloquear novas movimentações nos bens.
“Ao todo, são cinco crimes imputados pelo Ministério Público, sendo dois estelionatos e três ameaças. Consideradas as penas em concurso material, a soma pode chegar a 13 anos de reclusão. É importante destacar que a violência patrimonial também é uma forma de violência contra a mulher expressamente reconhecida pela Lei Maria da Penha, especialmente quando há retenção, subtração ou destruição de seus bens e recursos econômicos”, diz ela.
O andamento do processo segue sob supervisão da Justiça paranaense, enquanto a defesa busca a absolvição do investigado e os representantes legais da vítima reforçam a gravidade das sanções previstas na legislação.