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Ex-SpaceX querem usar água para mover naves entre órbitas

Fonte: observatoriotech.com.br | Data: 06/11/2026 11:46:07

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Colocar uma nave em órbita é só o começo da viagem. Depois, ela precisa de propulsão para mudar de trajetória, alcançar outra região do espaço ou manter sua posição. É nesse trecho que a Argo Space, criada pelos irmãos Robert, Ryan e Kirby Carlisle, ex-SpaceX, quer atuar: desenvolver veículos que usem água como base de um sistema de transporte espacial reabastecível.

A empresa tem sede em El Segundo, na Califórnia. Em vez de disputar o lançamento de foguetes, sua proposta é movimentar cargas depois que elas já chegaram ao espaço. A visão apresentada pela Argo inclui, no longo prazo, abastecer essa rede com água obtida na Lua. Por enquanto, trata-se de um plano de desenvolvimento, e não de uma operação de mineração lunar em funcionamento.

Como a água pode mover uma nave?

O princípio envolve eletrólise: aplicar eletricidade para separar a água em hidrogênio e oxigênio. Esses gases podem ser usados em um motor para produzir empuxo. A água, portanto, funciona como matéria-prima do propelente; a energia para separá-la precisa vir de outra fonte.

Esse mecanismo não é uma ideia sem precedentes. Em uma explicação sobre a missão PTD-1, a NASA descreve um sistema que utiliza energia dos painéis solares para separar a água e queimar os gases em um pequeno motor. É uma referência ao princípio físico, não uma validação do equipamento da Argo.

No caso da startup, a escolha também envolve armazenamento e integração. A companhia afirma que a água pode ser mantida a baixa pressão, sem armazenamento criogênico, e usada no gerenciamento térmico dos veículos. Seu relato da primeira missão descreve tanque de água, eletrônica refrigerada por água e uma interface de reabastecimento. A intenção é construir uma frota reutilizável, abastecida inicialmente com material levado da Terra.

Chiron tem dois voos previstos para 2027

O próximo passo é o Chiron. No anúncio de 19 de outubro de 2026, a Argo informou que o veículo estava em construção e tinha dois lançamentos previstos para 2027, com cargas do governo dos Estados Unidos contratadas. O comunicado reúne propulsão por eletrólise, controle térmico com água e capacidade de reabastecimento em órbita.

Naquele anúncio, a empresa declarou capacidade de 2.000 a 4.200 metros por segundo de delta-v por tanque, antes de reabastecer. O termo indica quanto o veículo consegue alterar sua velocidade ao longo das manobras; não é sua velocidade máxima. O intervalo é uma especificação divulgada pela fabricante, e não um resultado de desempenho orbital confirmado nos documentos consultados.

O vídeo oficial abaixo apresenta o projeto Chiron e sua proposta de mobilidade espacial.

Apresentação do Chiron. Vídeo: Argo Space/YouTube.

O primeiro teste terminou antes da hora

Há uma etapa importante entre apresentar a arquitetura e demonstrar todo o seu funcionamento. No balanço publicado em 2 de outubro, a Argo reconheceu que o voo de seu primeiro veículo, o Argonaut Demo, terminou prematuramente e não completou todos os objetivos. A missão, chamada Navigator, foi realizada em julho de 2026.

A empresa relatou separação do lançador, comunicação com o veículo, envio de telemetria e operação de sistemas de orientação e controle. Também informou geração de energia solar e validação de software. O balanço não apresentou uma demonstração completa de propulsão em órbita. Assim, os avanços relatados precisam ser distinguidos das capacidades que a companhia ainda pretende comprovar.

A Lua entra no plano de transporte

O projeto já atraiu um cliente para uma missão lunar. Em 17 de setembro de 2026, a ispace-U.S. anunciou um contrato definitivo para a Argo levar o satélite de retransmissão Alpine à órbita da Lua usando o veículo Argonaut. A missão 2.5 tem lançamento previsto para, no mais cedo, 2027.

O Alpine deverá integrar o serviço Lunar Connect. Esse contrato é um passo comercial concreto, mas a entrega do satélite e a futura extração de água lunar são etapas distintas. A aposta da Argo depende de demonstrar veículos confiáveis e reabastecíveis antes que a ideia de uma rede abastecida fora da Terra possa virar rotina.