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CNPE cria grupo para debater destinação de oitenta milhões de toneladas de resíduos

Fonte: energialimpa.live | Data: 06/11/2026 12:56:30

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O Conselho Nacional de Política Energética criou um grupo de trabalho para estruturar a regulamentação e o financiamento da transformação de 80 milhões de toneladas de resíduos em energia.

O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) formalizou a criação do GT-VER (Grupo de Trabalho de Valorização Energética de Resíduos). A iniciativa visa estabelecer normas claras e viabilizar créditos para usinas dedicadas à geração de energia limpa a partir do lixo.

A coordenação das atividades ficará a cargo do MME (Ministério de Minas e Energia). O órgão será responsável por estruturar um diagnóstico detalhado sobre o panorama legal, financeiro e tecnológico do setor no país.

A medida busca aproveitar o enorme potencial de mais de 80 milhões de toneladas de resíduos gerados anualmente no território brasileiro, promovendo a transição ecológica.

Diversificação de rotas tecnológicas e sustentabilidade

O plano de ação abrange resíduos industriais, agropecuários, de saneamento e urbanos. Além disso, o projeto contempla o aproveitamento de gorduras e óleos residuais na matriz nacional.

As aplicações incluem a produção de eletricidade, vapor industrial, biogás e biometano. A estratégia também prevê o avanço de biocombustíveis avançados, como o SAF (combustível sustentável de aviação), o diesel verde e o hidrogênio de baixo carbono.

Sobre essa ampla frente de atuação, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da neutralidade tecnológica durante o processo regulatório.

O ministro Alexandre Silveira afirmou:

“Nosso objetivo é construir uma regulação moderna e com neutralidade tecnológica, que reconheça o valor de cada rota produtiva, do biometano aos combustíveis sintéticos e à geração térmica e elétrica”

Diretrizes ambientais e articulação multisetorial

A atuação do comitê respeitará a hierarquia da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dessa forma, a recuperação energética será direcionada apenas ao material que não puder ser reciclado.

O projeto também se integrará ao SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), focando em metodologias para conter emissões do gás metano.

As diretrizes serão harmonizadas com o Plante (Plano Nacional de Transição Energética) e com o planejamento energético de longo prazo elaborado pelo governo federal.

Para garantir pluralidade, a mesa de debates contará com ministérios como Fazenda, Meio Ambiente e Cidades, além de agências como ANP, ANEEL e ANA. Entidades civis e cooperativas de catadores também integrarão a construção do relatório.

Próximos passos e demandas do setor

Atendendo a pleitos antigos de entidades como a Abrema e a Abren, a medida representa um avanço cobrado há anos pelo mercado de resíduos sólidos.

Todas as recomendações e normas propostas pelo grupo serão submetidas a uma consulta pública antes da deliberação final do conselho.

A iniciativa integra um pacote mais amplo aprovado pelo CNPE, que inclui estratégias para eletromobilidade e gestão de dados energéticos no Brasil.