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Médica é denunciada pelo Ministério Público após morte de paciente em cirurgia plástica no Rio de Janeiro

Fonte: radioplugaraucaria.com | Data: 06/11/2026 13:23:00

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou uma denúncia criminal contra a médica Geysa Leal Correa, responsabilizada legalmente pelo óbito da paciente Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira. A tragédia ocorreu após a realização de um procedimento estético do tipo lipoescultura, executado em 13 de novembro de 2023 nas dependências do Centro Médico Icaraí, localizado na região central de São Gonçalo, município integrante da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O caso ganhou contornos judiciais definitivos após a aceitação da denúncia pelo juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo. Diante da gravidade dos fatos apresentados pelos promotores de justiça, o magistrado responsável determinou a suspensão imediata e cautelar do exercício profissional da medicina por parte da acusada, impedindo novos atendimentos até o desfecho do processo na esfera judicial.


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Detalhes da investigação e agravamento do quadro clínico

De acordo com os apontamentos contidos na peça acusatória elaborada pelo MPRJ, a profissional realizou manobras cirúrgicas inadequadas que resultaram na perfuração do intestino da vítima em três locais distintos durante a intervenção cirúrgica. Logo após o término da cirurgia, a paciente passou a manifestar quadros de dores abdominais intensas acompanhadas de dificuldades respiratórias severas. No entanto, conforme apontam as apurações, esses sinais vitais de alerta foram desconsiderados e minimizados pela equipe responsável.

O quadro de saúde de Aline Heloisa se deteriorou rapidamente nas horas seguintes, obrigando a transferência tardia para o Hospital do Coração Samcordis apenas no dia posterior ao procedimento. Mesmo com a internação hospitalar e o suporte de terapia intensiva, a paciente não resistiu às complicações decorrentes da gravidade da lesão intestinal e faleceu no dia 22 de novembro de 2023, após nove dias de internação, tendo como causa mortis um quadro avançado de infecção generalizada.

Histórico de complicações e falta de especialização

A investigação conduzida pelo Ministério Público revelou ainda graves irregularidades estruturais e profissionais em torno da intervenção. Conforme constatado pela promotoria, a médica denunciada não possui registro oficial de título de especialista em cirurgia plástica junto aos órgãos competentes. Além disso, o estabelecimento de saúde onde a lipoescultura foi efetuada carecia de infraestrutura e de recursos médicos essenciais para o suporte e o pronto atendimento em casos de emergências e intercorrências graves.

O documento do órgão ministerial enfatiza que a trajetória profissional da médica é marcada por episódios recorrentes de graves falhas e óbitos decorrentes de cirurgias estéticas. A promotoria destacou que a profissional já responde a outras acusações criminais por homicídio por fatos semelhantes, o que, na visão dos investigadores, demonstra um padrão reiterado de negligência e desrespeito à integridade física e à vida humana.

Dados levantados pela promotoria apontam a existência de pelo menos três casos conhecidos de óbitos associados a intervenções cirúrgicas de lipoaspiração e lipoescultura conduzidas pela mesma profissional, além de registros de pacientes que sofreram lesões corporais graves e sequelas com deformidades permanentes.

Posicionamento do Conselho Regional de Medicina

Procurado para comentar o caso e as medidas adotadas na esfera administrativa, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) emitiu nota oficial esclarecendo a situação cadastral da profissional. De acordo com a autarquia federal, a médica mantém situação regular perante o conselho profissional até o momento.

O Cremerj informou também que, até a emissão da nota, nenhuma comunicação ou intimação de caráter judicial havia sido formalmente entregue à instituição a respeito desta denúncia específica. A entidade reforçou, contudo, que assim que receber as determinações oficiais da Justiça, adotará prontamente todas as medidas necessárias para o cumprimento integral de eventuais ordens judiciais relativas ao exercício profissional.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br