Pregão da BBCE bate recorde em meio à previsão de chuvas e queda dos preços – MegaWhat
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 06/11/2026 13:17:26
A BBCE registrou na quinta-feira, 5 de novembro, o maior volume diário de energia negociado em tela na sua plataforma digital em 2026. Ao todo, foram transacionados 1.097 MW médios em 355 operações, que movimentaram R$ 162 milhões. Segundo a empresa, a última vez que o volume diário havia ultrapassado 1.000 MW médios foi em abril de 2025.
O recorde ocorreu em uma sessão de queda nos preços dos contratos de energia para os próximos meses.
O produto de energia convencional para entrega no Sudeste em janeiro de 2027 foi o mais negociado, com desvalorização de 10,06%. Os contratos para dezembro de 2026 recuaram 7,3%, enquanto o produto para o primeiro trimestre de 2027 caiu 7,4%.
Segundo a BBCE, o mercado atravessa um período de redução dos preços de curto prazo, em meio às perspectivas de chuvas associadas ao El Niño e às discussões sobre a demanda de energia do Paraguai.
A queda já vinha sendo observada nas semanas anteriores. Entre 26 e 30 de outubro, os contratos de energia convencional para dezembro acumularam desvalorização de 19,49%, encerrando o período a R$ 132,21/MWh, conforme levantamento divulgado pela BBCE.
As projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para novembro indicam afluências de 145% da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste e de 201% no Sul. No Norte, porém, a previsão é de 39% da média, enquanto no Nordeste é de 50%, refletindo condições climáticas associadas ao El Niño.
O cenário de preços mais baixos foi abordado pela Axia Energia na quinta-feira, durante a teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre. A companhia informou que antecipou parte das vendas de energia para 2027, aproveitando momentos de preços mais favoráveis.
Segundo o vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da Axia, Rodrigo Limp, os preços negociados em novembro estão abaixo dos registrados no terceiro trimestre, principalmente em razão das chuvas nas bacias do Sul. O executivo também apontou a possibilidade de volatilidade durante o período úmido.
Outra questão acompanhada pelo mercado é o crescimento do consumo de energia do Paraguai, atendido pela hidrelétrica de Itaipu. A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) propôs uma mudança na metodologia utilizada para projetar a demanda da Administración Nacional de Electricidad (Ande), estatal paraguaia, nos modelos de operação do sistema elétrico brasileiro. A adoção está prevista para janeiro de 2027.
Como Brasil e Paraguai têm direito à metade da produção de Itaipu, o crescimento do consumo paraguaio reduz o excedente disponível para fornecimento ao mercado brasileiro.
Em relatório enviado a clientes, o Itaú BBA estimou que a revisão da demanda da Ande pode elevar o preço marginal médio da energia no Brasil em R$ 40/MWh em 2027 e R$ 59/MWh em 2028, aumentos de 21% e 25%, respectivamente, em relação ao cenário de referência do banco. As projeções se referem aos efeitos da nova metodologia nos próximos anos, e não aos preços dos contratos negociados na sessão da BBCE.